sábado, 24 de outubro de 2015

O Circuito Cultural Ribeira está de volta

Lembrança dos meus primeiros passos no bairro


Por Luiz Henrique Gomes

A notícia do retorno do Circuito Cultural Ribeira me despertou boas lembranças das primeiras edições desse eventoépoca em que conheci e passei a frequentar o bairro, em 2011, quando eu tinha apenas 15 anos. O circuito me apresentou a dinâmica cultural da cidade e marcou os meus primeiros passos pela busca da liberdade que tanto almejamos na adolescência, e o resultado não podia ser outro: Hoje, sou apaixonado pela Ribeira. 
Para quem não sabe, o Circuito Cultural, em suas primeiras edições, carregou a proposta de revitalização das ruas do tradicional bairro potiguar por meio de atividades culturais gratuitas durante um dia. Eram peças teatrais, músicas, dança, ateliês, palestras e oficinas em muitos espaços do bairro, impulsionando a produção artística potiguar e oferecendo um espaço fantástico. O projeto estava paralisado havia um ano, por problemas burocráticos com os patrocinadores, mas voltará em dezembro. 
Na época do seu primeiro ano, 2011, eu era calouro do Instituto Federal e não tinha ideia das expressões artísticas da cidade, por ser morador suburbano e muito caseiro. Até então, o que eu conhecia eram as bandas nacionais mais conhecidas de rock, da geração de Legião Urbana, além das norte-americanas que estouravam na época.  
Nesse contexto fui jogado, pela vontade de conhecer, nesse redemoinho de expressões que tinham moradia nas casas da Ribeira. Ali, encontrei de tudo e descobri a vida potiguar, tive consciência da efervescência cultural que se derramava naqueles prédios antigos e abandonados. O que se via era a tradução dos anseios do natalense, misturado com o cotidiano da própria cidade. 
Conheci músicos, grupos teatrais, pintores. Todos eles recebiam influências de todos os lados e transformavam tudo à imagem do estado: a música de Natal era semelhante ao indie norte-americano, mas carregava muito do litoral; os músicos que vinham do interior tinham influência do heavy metal, e isso era somado à paisagem sertaneja. Também tinham os mais próximos ao jazz, à bossa nova e ao samba, mas que não abandonavam, nas suas obras, o beco da lama da Cidade Alta e o Buraco da Catita, da própria Ribeira. 
Fui me inserindo na dinâmica da cidade, criando interesse no que estava acontecendo por aqui e querendo conhecer cada vez mais a produção cultural. Não foi diferente com os amigos que embarcaram comigo nas primeiras experiências pelas ruas da Ribeira. Alguns, com vocação musical, criaram bandas e, hoje, quatro anos depois, fazem relativo sucesso entre o público alternativo que frequenta o bairro.  
Visitas à Casa da Ribeira, Dosol, Armazém Hall, Ateliê Flávio Freitas, Buraco da Catita e ao largo do Teatro Alberto Maranhão tornaram-se frequentes nas nossas vidas, não só em domingos de circuito cultural. Hoje, com 19 anos, ainda muito jovem, já tenho uma boa bagagem desses lugares, e muito do que sou é das experiências vividas nesses quatro anos de Ribeira. Lá, quebrei muitos dos meus preconceitos, troquei ideias com pessoas que nunca reencontrarei e conheci personagens que só são possíveis graças a alma boêmia do bairro. 
Por fim, me apaixonei, e sou apaixonado, por esse cenário, único na cidade. Não há outro lugar nessas terras potiguares que seja possível encontrar tanta diversidade e história. Apesar de todo o descaso da prefeitura, a Ribeira nunca será abandonada, porque há uma parcela significativa de Natal que cresceu à sua sombra. São diversos coletivos independentes, produtores culturais e militantes que garantem que ela continuará respirando cultura por muito tempo. 
Fico extremamente feliz com a volta do Circuito Cultural Ribeira. Não vejo a hora de ver todas aquelas ruas preenchidas de arte e cultura, durante um domingo inteiro. Apesar de estar no auge da minha participação na dinâmica da cidade, a Ribeira sempre nos oferece algo novo e a integração gerada por esse evento é única. 
Vida longa a Ribeira! Vida longa ao Circuito Cultural! 

Circuito Cultural Ribeira em 2011, Rua Chile. Fonte: Centro Cultural Dosol





terça-feira, 13 de outubro de 2015

O mundo é rosa no mês de Outubro


  O mundo é rosa no mês de Outubro

Por: Laís Di Lauro

O Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos onde empresas, população e entidades colaborativas se mobilizavam para realizar campanhas e ações contra o câncer de mama - incluindo formas de prevenção e detecção da doença. Logo depois o congresso americano oficializou Outubro como mês da prevenção do câncer de mama no país.

O laço cor-de-rosa foi adotado como símbolo da  campanha em 1990. No começo as cidades se enfeitavam com laços dessa cor para incentivar a população a aderir ao movimento.


Outros países também se engajaram e adotaram o mês como oficial de prevenção ao câncer de mama, que, atualmente, é um evento mundial. No Brasil, em 02 de Outubro de 2002, o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, em São Paulo, foi iluminado com a cor rosa - na data comemorativa dos 70 anos do encerramento da revolução – revelando apoio à causa. A iniciativa, que partiu de um grupo de mulheres, contou com o apoio de uma empresa europeia de cosméticos.  A partir de então, o movimento no país cresceu e várias outras ações colaboram com a campanha.

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação anormal das células da mama, que forma um tumor maligno, e é a maior causa de morte por câncer nas mulheres. É o segundo mais comum entre o sexo feminino no mundo e no Brasil correspondendo a 25% dos novos casos da doença, de acordo com levantamento realizado pelo INCA. Geralmente atinge mulheres com mais de 35 anos e não há uma causa única específica para o problema cuja possibilidade de ocorrência aumenta à medida que a mulher envelhece, Todavia, a doença também pode ameaçar homens, na proporção de um por cento.

A doença é detectada através de alguns exames simples, cuja realização deve ser feita anualmente a partir dos 40 anos, como o exame clínico da mamografia.
Auto Exame da MamaAlém disso, o autoexame das mamas, que pode ser realizado em casa, é muito importante, pois possibilita conferir se há algum nódulo ou irregularidade nos seios (caso se perceba alguma anormalidade é imprescindível procurar um médico para diagnóstico e tratamento, se necessário).

Segundo o médico Alessandro Hartmann, “O câncer de mama pode ser percebido pela mulher como um caroço, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar vermelha ou parecida com uma casca de laranja ou surgirem alterações no bico do peito, o mamilo. Também podem aparecer pequenos caroços na região embaixo dos braços, nas axilas. Lembre-se de que nem sempre essas alterações são sinais de câncer de mama”.

Quanto antes diagnosticado maiores serão as chances de cura, podendo chegar a 100% se identificado na fase inicial.

É importante ter-se consciência de que esse é um problema real, que atinge centenas de mulheres por todo mundo, que muitas vezes nem sabem sobre a doença ou como detectá-la.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Fim do financiamento empresarial de campanha pode significar uma nova era política

    Fonte: Agência Senado

Por Luiz Henrique Gomes

O veto ao financiamento empresarial de campanha marca o início de uma mudança estrutural no país que atinge dois pilares: os interesses políticos e a corrupção. É muito cedo para afirmar que essas mudanças serão concretizadas, mas o ato da presidente Dilma tem tudo para entrar na história do país como um marco do amadurecimento democrático.

Com o veto, altera-se toda a lógica nas campanhas eleitorais, a fim de retirar a classe política das mãos dos empresários.

Antes, esses eram os principais financiadores de campanha e, não sejamos ingênuos, os interesses estavam por trás dos milhões de reais despejados - ou melhor, investidos, porque ninguém daria essa quantidade de dinheiro sem esperar um retorno. Os políticos eleitos com essa grana, da base aliada do atual governo à oposição, acabam por cumprir tais interesses; senão, podem dar adeus ao próximo mandato.

E é assim que surge a bancada ruralista, compostas por empresários do campo, donos do agronegócio; os defensores das cidades verticais, que dão o espaço da cidade para construções desenfreadas de mais e mais prédios; e por ai vai... até chegarmos ao pior congresso desde a redemocratização de 88.

Agora, esperamos que a nova lógica que irá se estabelecer devolva a política às mãos do povo brasileiro. Quem sabe, se a campanha petista vencedora no ano passado não tivesse sido financiada por empresários, os direitos sociais não estariam num lugar mais seguro, longe dos cortes orçamentários?

No que diz à corrupção, o veto é uma medida de combate muito mais eficaz do que o reality show feito da operação Lava-Jato. Isso porque ataca a raiz dos principais esquemas de corrupção do país: As relações entre o dinheiro privado e o público.

Tomando como exemplo a própria Lava-Jato, o esquema funcionava (ou funciona) com propina de grandes empreiteras à políticos influentes e executivos da Petrobras para determinar contratos e licitações que desviavam uma quantidade gigantesca de dinheiro para o bolso dos envolvidos. Entendeu a relação?

Sabemos que a corrupção não vai acabar com a medida, porque sempre dão o 'jeitinho'. Mas, com certeza, é um passo importante para a moralização política do nosso país, por dificultar os esquemas e criminalizar as relações entre os empresários e a classe política.

Quem fica triste com isso são os jornais vendidos à custa do espetáculo feito, com as grandes novelas de delações premiadas e declarações esquematizadas de "fontes anônimas". Já nós, povo brasileiro, ficamos esperançosos dos rumos que o país pode tomar.

Por fim, pode-se destacar que o veto foi um ato valente da presidente Dilma. Nessa tempestade política que o país vive, com oposição feroz, base parlamentar esfacelada e afastamento do público eleitoral, além de uma sucessão de erros e uma política econômica duramente criticada, Dilma dessa vez não se curvou aos interesses empresariais.


sábado, 10 de outubro de 2015

Mais que uma camisa


Por Ícaro Carvalho


Para qualquer torcedor de futebol, há momentos em que não se esquece, ou situações as quais ficam grudadas no coração apaixonado. Títulos conquistados com quebra de jejum, vitória suada em cima do rival na luta pelo rebaixamento, aquele empate suado com gol de cabeça aos 47 do segundo tempo. Sem dúvida, são ocasiões que marcam qualquer amante do jogo com a bola nos pés.

Outra dessas ocasiões é ganhar ou adquirir a camisa do clube do coração.

Em tempos de interatividade cibernética, velocidade tecnológica, hoje se pode comprar camisas e acessórios dos times A,B pela internet. Não esqueçamos as lojas físicas, que também dispõe do material.

Um belo dia, um torcedor desses fanáticos, daqueles que perde o aniversário da avó, mas não perde o jogo do seu time, resolveu comprar a primeira camisa. Já pai de duas filhas, sentiu-se no dever de compra-la, já que seu velho não pudera comprar em sua meninice, visto infância bastante precária e pobre.

O homem, um mecânico desses bem saudosistas, ainda não dominava as máquinas robóticas e cheias de botões e cores. Seguiu o passo a passo e finalmente deu certo. Pagamento aprovado. “Falta pouco para você curtir o seu esporte”, assim dizia o site.

Um manto. Uma armadura. Uma vestimenta digna de Dom Pedro I, para os mais devotos. Estava orgulhoso. A camisa ainda chegaria pelos correios. Demoraria mais do que aquele bendito jogo de alguns anos atrás que teimava em não terminar, a qual estava sem ganhar o título há mais de duas décadas.

Sonhara com a camisa chegando no dia daquele jogão que valeria 3 pontos decisivos, para vesti-la, fazer sua mandinga, tomar sua cerveja e esbravejar em silêncio, para não acordar as pequenas nem a patroa, que quando brava, era pior que crise financeira no clube.

A camisa não chegou no dia marcado pelo site. “Tudo bem, um leve atraso”. Pensou. Sabe ele que a velocidade em que a vida está correndo não pode ser aplicada como regra. Empresas são falhas, como nós humanos. Ainda mais as firmas de entrega.

Mais dias se passaram. Suava frio. A concentração no trabalho era pífia, de modo a errar consertos fáceis para aquele mecânico com mais de 20 anos de experiência. Pensou em entrar em contato com a empresa. Não tinha conhecimento para tal. Nem amigos que o ajudassem.

Após 10 dias, e 3 jogos assistindo com o corpo nu (era como se sentia sem estar trajado a rigor), desistiu. Nem pensou no dinheiro perdido, mas na traição que o destino o causara. Suas vestes não tinham sido entregues ao dono.

Uma semana depois, já totalmente deslembrado da camisa, partiu para a jornada diária. Precisava consertar fusíveis, motores e um caminhão parado em frente à oficina. Na pausa para o almoço, foi em casa. Ao chegar, ouviu a mulher falar “tem um pacote que chegou aí pra você”. Era a camisa. Que emoção. Abriu o pacote com calma, para não feri-la, como o feto é retirado da mãe com cuidado e carinho, aqui cabe a analogia. Vestiu-a. O tamanho estava perfeito.

Mal almoçou. Engoliu a comida. Levou a camisa para o trabalho, parecia como o diploma de uma filha, uma dádiva conquistada por ele. E era de fato. Trabalhou naquele dia olhando para ela. Cem por cento de atenção.

No final da noite, fora dormir. Agora tinha a consciência tranquila, leve. O sono demorou. Não por ansiedade, mas pelos sonhos que viveria com aquela camisa. Os títulos, as idas aos barzinhos, agora uniformizado, as visitas ao estádio. No outro dia teria jogo do seu time. Estaria pronto, como um soldado ou um espartano. Devidamente trajado, com a cerveja na mão e o grito na garganta. A vitória nem precisaria vir. Seu sonho estava realizado. Assim como um fiel sente-se purificado com a hóstia, sentia-se limpo agora, ao ter as vestes do seu amor de coração. Aquele mesmo que fazia raivas e trazia alegrias às segundas feiras.

Aquele homem era, acima de tudo, um torcedor.

Link da imagem: http://alvinegrodoparque.tumblr.com/page/12

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

08 de Outubro - Dia do Nordestino



O que é ser nordestino para você?
Ser do Nordeste é mais que fazer parte do Nordeste; é saber que possui enraizado dentro de si uma extensa diversidade cultural que muda de estado para estado. 
Ser do Nordeste é reconhecer as diferentes realidades que existem e enxergá-las, não ignorá-las. É falar com sotaque acentuado, e rir quando encontra alguém do estado vizinho que puxa mais o 's' na hora de falar ou usa expressões como "oxente", "boe". 
Ser nordestino é perceber a diversidade e fazer parte dela - do axé ao frevo. Ser nordestino é ser a cima de tudo humano.
Ser do Nordeste é bom demais. 
Feliz dia do nordestino não apenas para os nordestinos, mas para todos que se identificam, respeitam, valorizam e admiram o Nordeste.

"Nordeste, terra de povo cabra da peste, gente que mostra sorriso, povo guerreiro e festivo. Nordeste é coração do Brasil, ao contrario do que muitos pensam de ser Terra pequena e seca, eu lhe digo, nordeste tem brio e é grande em belezas. É bem verdade que nordestino tem marcas de sofredor, mas sofredor vence, e debaixo do sol de rachar de cada dia, com luta, plantou esperança, com fé na bonança, enfrentou preconceitos, pra mostrar pra todo país que o nordeste é raiz da nossa cultura.
O nordeste é farto do algodão ao petróleo nas belezas naturais é “arretado”, na comida eu nem falo, é tapioca, cuscuz, baião de dois, paçoca, e rapadura; quem comer quer repetir. Duvido achar no país povo mais animado pra dançar xote, baião, xaxado e forro, mas não se restringe nos ritmos tem até rock pra lá de bom. O nordeste é plural em cultura, terra de grandes talentos como Ariano Suassuna , Jorge Amado, Raquel de Queiroz, Luiz Gonzaga, Chico Anísio e Patativa. É um orgulho na vida ser nordestino.". - Fernanda Cristina



"É admirável esse povo que sabe ser diverso e consegue receber bem pessoas e culturas diferentes, mas que pastora com maestria seus costumes e faz questão de mostrar, a quem quiser, suas tradições. É incrível fazer parte dessa gente massa que sabe se empenhar pra fazer o que tiver de fazer, mas não deixa de mangar das dificuldades e da vida para deixa-la mais fácil, para ter uma rotina menos avexada. Ser nordestino é ser desenrolado, é fazer zoada, é ser forte, glorioso . Ser do nordeste é ser estribado, não por ter dinheiro, mas por ter a riqueza de viver numa terra onde o povo faz carreira em busca da felicidade.". - Rubem Silva



"O nordeste vai além da caatinga, da seca e do xique xique. Somos um povo que é referência em cultura, formação de artistas, praias paradisíacas e uma gastronomia de dar inveja. O nordeste é mais do que se falam nas mídias. Como alguém disse uma vez, o nordestino é acima de tudo, um forte." - Ícaro Cesar





" Reconhecidos em qualquer lugar, seja pela sua fala mansa, um jeito afobado, olhos que sorriem, abraço acolhedor ou pelo sotaque inconfundível, os nordestinos estão espalhados por todo lugar. Na literatura, ao se pensar em Rachel de Queiroz e no mérito de ser a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Na música, logo recordamos do rei do baião, Luiz Gonzaga. No esporte, destacam-se Marta e Bebeto, dentre tantos outros ícones. Nas novelas e no cinema, faz lembrar dos atores Wagner Moura, Lázaro Ramos, Renato Aragão. No artesanato, e os vários objetos que são confeccionados a partir de renda, couro ou palha. Nas danças e cantigas recordamos do frevo, forró ou até mesmo do xaxado. Na culinária seja com o acarajé, o feijão verde, a cocada, o mucunzá. Nas cidades grandes em busca de uma vida melhor. No sertão alimentando o gado e matando a sede de toda a plantação. Numa cozinha às 7 da manhã servindo aquela tapioca com um cafézinho quente. Nos tantos variantes culturais que é espelho desse povo, nos tantos outros nordestinos espalhados pelo mundo a fora e que merecem destaque por serem um povo determinado, sonhador, de uma cultura peculiar e com um privilégio que muitos sonham: o de ser nordestino.". - Paulina Geovana