terça-feira, 30 de maio de 2017

A necessidade da política em tempos de crise

É necessário mais do que nunca a prática política no Brasil. O fim dela abre espaços para salvadores de fáceis discursos

Por Luiz Henrique



Só a política salva o Brasil. Por mais contraditório que pareça, com a classe de políticos imersa na imoralidade, é preciso deixá-la mais viva do que nunca. Seu fim significa o perigo da democracia e a ascensão dos salvadores de fáceis e perigosos discursos. A tormenta que toma conta do país não passa por simples soluções. Isso fica claro na repressão de Michel Temer em Brasília, na última quarta-feira (24), e na sua resistência de permanecer no cargo para o qual não foi eleito. É a negação total do ambiente democrático. Só a política, em sua essência, dá conta da complexidade dessa terra em transe.

Temos dois exemplos próximos e recentes para dar dimensão do que significa o fim da política: a eleição do Donald Trump, no Estados Unidos, e do João Dória, em São Paulo. Dois homens que se puseram à parte da classe de políticos, encarnaram o papel de gestores bem-sucedidos de empresas e surpreenderam ao saírem vitoriosos. O que todo mundo esqueceu é que a cidade e a pátria não são negócios privados, mas uma teia de contradições e metamorfoses. O resultado é, de um lado, um presidente que fecha as portas do país de forma arbitrária e desrespeita a soberania dos poderes, e, do outro, um prefeito que destrói edifícios com moradores e espalha a repressão na cracolândia sem dó nem piedade para anunciar que ela chegou ao fim – uma falácia, como se provou horas depois da ação da Polícia Militar.

A tormenta que vive o Brasil revelou que a política até então era moeda de troca para os grandes e poderosos empresários. As revelações dos sócios da JBS relembram um cenário esquecido pelo país desde o início das investigações: o financiamento empresarial de campanha sempre foi um investimento para as empresas. Em diversos trechos das delações, Joesley e Wesley afirmam que "pagavam propina com doações legais de campanha" para serem favorecidos no futuro.

É nesse ponto que reside uma das provas de que a existência da política é necessária: a ex-presidente Dilma pôs fim ao financiamento de empresas nas eleições em setembro de 2015 – este autor comemorou no Caderno de Pauta. Uma medida essencialmente política, resultado de debates dos setores sociais. A primeira eleição que ocorreu com a nova regra foi em 2016. Durante esse processo eleitoral, muitos candidatos foram descobertos por estarem recebendo propina. É muito mais fácil investigar a corrupção quando ela não está fantasiada de doação legal.


É certo que a forma atual como se dá a política está podre, junto com a maquinaria das eleições que se desenham em 2018. Quem alcança o poder, e assim será enquanto não for alterada as regras do jogo, apoia-se nas práticas que hoje são rechaçadas. O fim do financiamento empresarial é uma medida que não se sustenta sozinha, sobretudo pela crise na qual o país está imerso.

É preciso reconstruir a política por meio da própria política, e isso não é fácil. O primeiro passo é a convocação de eleições diretas neste momento, com regras postas pelo povo. Mas a medida não garante o país nos trilhos do progresso. O futuro é sempre incerto e é preciso constante diálogo para não cairmos no abismo. A existência da pátria é uma tarefa contínua - feita na democracia, uma tarefa do próprio povo.

sábado, 27 de maio de 2017

Champions League: influências que vão além do campo

Um dos maiores campeonatos de futebol do mundo vem ganhando os corações dos brasileiros 


Por Anthony Matteus, Maria Luiza Guimarães, Milka Moura, Tatiane Alves 


Foto: ESPN - Brasil 

A maior competição de clubes de futebol do mundo, a Champions League, é organizada pela UEFA (União das Federações Europeias de Futebol​)​ ​e sedia seus jogos na Europa. Amplamente assistido em todo o mundo, o torneio cativa grande número de fãs no Brasil, onde teve 20,5 pontos de audiência na final de 2015, transmitida pela Globo, segundo dados do Ibope. A​lém de ser um campeonato de futebol que tende a influenciar socialmente seus torcedores a acompanharem todos os jogos, também ganha liderança nos pólos econômicos em todo o mundo. 

Classificam-se para disputar a Champions, times de cada país da Europa, filiados à UEFA. A quantidade de vagas ofertadas a cada país depende do desempenho dos clubes nos últimos 5 anos, os países com melhores desempenhos recebem mais vagas, segundo regulamento da competição. Para o campeonato espanhol, de onde são os mais recentes campeões do torneio, Barcelona e Real Madrid, são destinados vagas para os quatro primeiros colocados, enquanto para a liga nacional da Polônia, por exemplo, apenas uma, para o campeão. 

O atual modelo da Champions League, geralmente, tem duração de dez meses; dividida em três fases principais: fase preliminar, fase de grupos e fase eliminatória. Na fase preliminar, estão presentes clubes dos campeonatos menos expressivos e os piores classificados das grandes ligas nacionais. A fase de grupos, contém 32 equipes, divididos em 8 grupos, com 4 times em cada. É composta pelos melhores classificados das grandes ligas, clubes advindos da fase preliminar e o atual campeão da Champions. Se classificam os dois melhores times em desempenhos de cada grupo para a fase eliminatória, onde duelam entre si em dois jogos. O time com o melhor placar agregado avança, até a final, disputada em partida única. 

Em Natal, um dos pontos de encontro preferidos para assistir os jogos são os bares; sendo o Bar de Mãe, popular entre os universitários da UFRN e mais frequentados em dias de jogos. “​Esses campeonatos de fora dão mais gente que os estaduais. Nos dias dos jogos do Barcelona e Real Madrid dá muito mais gente. Ontem​ ​[2 de maio]​ ​teve jogo do Real Madrid e o bar estava lotado!​”, relata Maria dos Prazeres Oliveira dos Santos, 67, proprietária do bar. 

Segundo uma pesquisa feita pelo Globo Esporte, a disputa tem ganhado cada vez mais importância entre os brasileiros, principalmente nos dias de partida do Barcelona. O time em que o jogador brasileiro Neymar Jr. que atua como atacante, lidera o ranking de preferência no Brasil. Elton Fonseca, 26, estudante de arquitetura, defende que a presença do atleta no clube influencia muito na audiência dos jogos “Quando você liga a tevê para assistir o jogo do Barcelona e o Neymar não tá jogando fica um negócio vazio. Pra mim perdia a graça assistir o jogo, eu queria ver ele jogando”. 

Foto: Maria Luiza Guimarães 
A popularidade da competição a torna fonte de influência social e econômica para seu público, desempenhando um importante papel não só na mídia como também em produtos comerciais (itens licenciados dos patrocinadores oficiais), o que faz com que a Champions ganhe espaço em meios empresariais com suas peças, tais como camisetas, tênis, bonés, chaveiros, bottons, adesivos, cadernos, bolsas, etc. O campeonato faz sucesso desde​ ​em lojas esportivas oficiais a camelôs de artigos em gerais, tornando o acesso mais fácil aos consumidores. Wesley Araújo, estudante de direito, 19, ressalta “​O preço baixo e a praticidade são os principais fatores em camelôs.​ ​Por mais que o produto tenha uma qualidade diferenciada​,​ ​o preço ainda é muito alto em lojas oficiais . Enquanto uma camisa do Bayern de Munique é, tipo, R$ 250 na loja oficial, no camelô são duas por R$ 50”. 

Entretanto, essa preferência pode ser bem relativa. Alguns consumidores acham arriscado comprar em lojas não licenciadas. O estudante de Jornalismo Ícaro Carvalho, 20, ressalta “Existe a facilidade de comprar os produtos nos camelôs, mas, diria que cerca de 70% dos casos, eles não são de boa qualidade, comparados aos originais”. O jovem afirma que a vantagem de comprar os produtos, principalmente camisas dos times, em lojas oficiais é a de o consumidor ter a oportunidade de personalizá-las, seja com seu próprio nome ou com o nome do jogador que deseja. 

Do ponto de vista dos comerciantes, o resultado que a temporada dos jogos traz é satisfatório. Gilberto de Souza, 53, vende produtos relacionados a Champions há quatro anos e diz que a procura por eles aumentou devido à expansão de informações sobre a Liga, “​Melhorou com certeza o meu comércio; a gente vende mais em comparação aos times brasileiros. Quando começa o campeonato lá no exterior a gente vende bastante. Também vendemos dos campeonatos daqui, mas não é tão divulgado quanto esse não”​, ​afirma. 

Foto: Champions League news 

Neste ano, a final da Champions, segundo o site oficial​ ​da​ ​UEFA, ocorrerá no dia 3 de junho, às 15h45 (horário de Brasília), no Estádio Nacional de Gales, Cardiff. Os times finalistas são Juventus, da Itália, e Real Madrid, da Espanha. A transmissão da final também poderá ser assistida em salas de cinema de todo o Brasil, pelas redes Cinemark e Cinépolis, que exibirão o jogo ao vivo. Em Natal os torcedores poderão assistir no Cinemark - Shopping Midway Mall, e no Cinépolis - Natal Shopping. Os ingressos já estão sendo vendidos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Tartaruga: um dia de homenagem, todo dia de dedicação

Por João Pedro Patrício, Letícia Dantas, Lucas Cortez e Vitória Laís




O dia 23 de maio aparentemente não tem nada de mais. Não há comemoração, não há marcação no calendário, e as pessoas inserem a data em anotações escolares e profissionais como se fosse um dia como qualquer outro – e na verdade é. Mas o que elas fariam se descobrissem que esse dia qualquer é reservado para a comemoração e proteção da existência de uma espécie animal? Pois bem, o dia 23 de maio é o dia da tartaruga.

Acontece que, com o objetivo de chamar a atenção para a preservação da espécie, a American Tortoise Rescue, uma organização norte-americana dedicada à proteção das tartarugas, criou, em 2000, o Dia Mundial da Tartaruga. Realmente é necessário haver uma data mundial para um animal tão internacional. São mais de 200 espécies diferentes com uma variedade de tamanhos e habitats. Já teve tartaruga até no espaço – duas tartarugas foram os seres terrestres que chegaram mais perto da lua, durante um projeto espacial russo em 1968.

A tartaruga lida com a dificuldade natural de sobrevivência: a cada mil filhotes que nascem, cerca de um ou dois conseguem atingir a fase adulta. Mas essa não é a única dificuldade – não natural. O que faz com que as espécies estejam ameaçadas a cada movimento da nadadeira e a cada respirada é a poluição dos rios e mares. Para isso, existe muita conscientização, mas a demanda é gigante. Na região metropolitana de Natal, por exemplo, existe apenas um centro de reabilitação para tartarugas e outros animais marinhos – ou não –, e esse lugar é de iniciativa privada. 

O Aquário Natal, localizado no bairro da Redinha, abriga e recupera cerca de 300 animais de 72 espécies, entre elas as tartarugas marinhas, os cágados, de água doce, e os jabutis, terrestres – os três da ordem testudines, que engloba as mais de 200 espécies. O Aquário conta com 40 funcionários, dentre eles Anderson Fernandes. Técnico em aquicultura, trabalha há um ano no aquário guiando os visitantes e passando informações sobre as espécies que lá são mostradas. “O lixo é a principal causa de internação das tartarugas, tendo em vista que elas confundem com alimento”, disse ele ao mostrar uma tartaruga solitária no canto do aquário. A razão para aquela tartaruga ser tão quieta é que uma de suas nadadeiras foi amputada por causa de uma rede de pesca. Além dela, quase reabilitada, existem outras, tanto doentes quanto recuperadas. O aquário trabalha com um centro de reabilitação para animais doentes, acidentados ou maltratados.




A proprietária do Aquário, Adelene Brandão, 70 anos, diz que evita expor as tartarugas doentes por pena das crianças que visitam o lugar terem que entender o nível da crueldade humana. “100% das tartarugas que chegam ao aquário após resgate na praia, chegam com pneumonia, devido à grande quantidade de lixo que engolem”, afirma Adelene, com um pesar digno de quem se preocupa muito com o meio ambiente. Ela usa a felicidade para justificar o amor que a fez, junto com o filho, criar o aquário. “Estou ajudando o meio ambiente, as pessoas e os universitários, e isso ainda é um ponto turístico. Sou feliz”. Adelene diz isso para amenizar as dificuldades que enfrenta, já que a demanda é muito grande.

Um dos responsáveis pelo resgate das tartarugas é o Projeto Tamar.  Criado em 1980, o Tamar é referência no Brasil e no mundo em conservação, pesquisa e manejo das tartarugas marinhas. Atua em 25 localidades de nove estados brasileiros. No Rio Grande Do Norte, o Tamar monitora 33km de praias no litoral sul do estado, atuando nos municípios de Natal, Parnamirim, Tibau do Sul, Canguaretama e Baía Formosa. Nessas regiões, a temporada de reprodução das tartarugas ocorre entre os meses de outubro e maio, e o resultado é de cerca de 550 ninhos de tartarugas marinhas, o que gera mais de 40 mil filhotes por período. Desse total, a maior parte - cerca de 97,8% - é da espécie de pente. Mais de 120 tartarugas já foram registradas, sendo a praia de Pipa o centro da coleta de dados sobre as fêmeas em atividade reprodutiva.


Além do Projeto Tamar, o Ibama, a Polícia Ambiental e os Bombeiros são os órgãos que capturam os animais para recuperação no Aquário e Adelene sempre está pronta para recebê-los. As tartarugas que são recuperadas são expostas nos aquários ou devolvidas à natureza, isso dependendo do que o Ibama decidir. Dentre as espécies mais comuns, o Aquário abriga a tartaruga verde, a oliva e a de pente, mais frequentes no litoral potiguar. O dia da tartaruga não é apenas um lembrete sobre a vida desses animais, mas sim uma data para conscientizar a todos sobre a importância da preservação da natureza e de todos os seres que dependem dela.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Os múltiplos Drags de ser Queen

Por Henrique Mendes  e Tiago Silveira



Ciara LeGlam, DJ Drag Queen natalense. Foto por Jonathan Alves

Os mais diversos olhares já foram lançados sobre a cultura drag queen, desde o acadêmico, político, até o mercadológico explorado pela mídia. A cena drag natalense foi retratada em 2008 pelo documentário Dragstars, do então formando do curso de Comunicação Social da UFRN, hoje professor da UERN, Joseylson Fagner, a partir dos depoimentos de performers emblemáticos da noite potiguar, cujos relatos de experiência não só traçam um perfil das identidades corpóreas expressas no fazer drag de cada um, como reafirmam a condição artística de suas performatividades. O documentário serviu de base para a tese de mestrado de Fagner em Antropologia Social, Femininos de montar- uma etnografia sobre experiências de gênero entre drag queens, defendida em 2012. Mais recentemente, em 2016, uma matéria trazendo entrevistas com nomes como Eva D’Whore, Nagasha Macheta, Potyguara Bardo e outras, sobre os novos destaques do cenário de Natal, foi publicada no Novo Jornal, e em março deste ano o veículo retomou o tema com uma pauta sobre a ascensão da carreira da cantora drag Kaya Conky.

O fascínio exercido pelas queens sobre jornalistas e estudiosos certamente tem a ver com os visuais exuberantes, a beleza conceitual dos looks ligados à alta costura que compõem suas performances seja no palco, seja no vídeo, dublando, cantando, atuando ou apenas sendo drag (female impersonator) nos espaços de que dispõem para expressar essas performances. Mas tem a ver, também, com a curiosidade sobre essa expressão, que é quase sempre pública, com um componente de exibicionismo, mas que é, também, extremamente pessoal quando representa uma continuidade ou oposição de seus próprios eus. 

No âmbito da ficção, diversas produções do cinema e da televisão se notabilizaram por apresentar leituras desse universo; o reality show do canal americano VH1, RuPaul’s Drag Race, idealizado e apresentado pela mundialmente famosa RuPaul, que atualmente está em sua nona temporada, se converteu numa das principais referências da cultura pop na atualidade.

Algumas acepções da palavra drag apontam para o uso do termo no contexto teatral em 1870, em escritos de Shakespeare, informação que carece de autenticidade, mas que já foi defendida por artistas drag como Rita von Hunty, em episódio do reality show da internet Academia de Drags e pela própria RuPaul; uma concepção etimológica popular faz uso da explicação de que o termo seria uma redução para a expressão em inglês “dress as a girl(“vestido como uma garota”, em tradução livre). Assim, o termo é convencionalmente usado para nomear a pessoa que performa o gênero feminino, drag queen, e para a pessoa que performa o gênero masculino, drag king, sem relação direta nem com gênero nem com sexualidade por se tratar de uma representação artística. Nesse mesmo universo performático não-binário estão categorias como cross-dressing,
transformista e kenga.

Jarita e Shakira no 
Baile das Kengas 2017 
Foto por Jonathan Alves
Anualmente, desde 1983, o Baile das Kengas de Natal faz parte da programação do Carnaval da cidade. Nele acontece um concurso onde elege-se a melhor representante entre as que desfilam no palco, levando em conta aspectos como a caricatura humorística do visual e a irreverência das respostas dadas às perguntas apresentadoras do baile. Em 2017, o baile foi apresentado pelas icônicas Divina Shakira e Jarita Night and Day e premiou a kenga Sucuri do Pantanal. Apesar de, entre o público, ainda vermos representações equivocadas do feminino numa apropriação pouco cuidada esteticamente que homens heterossexuais fazem principalmente, diga-se de passagem, no carnaval, o baile se constitui como um importante reduto de resistência da cultura LGBTQ em Natal.

Figura da noite e das festas por essência, é no universo tumultuado de comemorações e musicalidade frenética da boate Casanova Ecobar, zona sul de Natal, que Ciara LeGlam se encontrava em mais um dia de sábado. O produtor da casa informa que ela se atrasara na calourada MedinVegas em que havia se apresentado algumas horas antes. Por volta das 23h, vestida num esfuziante collant pink, LeGlam chega ao Casanova. A conversa com nossa equipe se deu enquanto ela se prepara para o segundo dos três shows como dj que fará naquela noite.

Ciara LeGlam
 DJ Drag Queen natalense
 Foto por Jonathan Alves
Com a agenda cada vez mais movimentada, chegando a uma média de vinte apresentações por mês, Ciara, 29, largou o emprego formal em que trabalhava há sete anos quando viu que aquilo que começou como “uma brincadeira, só para espairecer”, estava sendo levado a sério por produtores de casas noturnas e pelo público, inclusive hétero, que passou a contratá-la para eventos dos mais variados tipos, como o aniversário que ela fez na mesma noite após a festa Bangerz promovida pelo Casanova. “É uma coisa que eu me divirto muito fazendo, porque quer queira, quer não, eu deixo de ser quem eu sou para ser outra pessoa, outra personalidade totalmente diferente. Eu diria que Ciara é uma terapia que me dá dinheiro ao invés de eu gastar dinheiro”, diz a artista entre um cumprimento e um sorriso que dá aos muitos conhecidos que ela parece cultivar na casa. “Eu sempre falo que cachê é muito bom porque paga as contas, mas carinho, receptividade e reconhecimento do público para mim são primordiais”.

Como dj, Ciara trabalha sua playlist especialmente voltada para o pop dos anos 90 e 2000 - por considerar o estilo destas décadas mais popular e genuíno do que o produzido hoje em dia -  mas que passa, a depender do público, por outros ritmos como o funk, muito apreciado nas baladas potiguares. Atualmente Ciara mantém em paralelo um canal no YouTube onde ela explora aspectos da cultura drag de Natal e mostra seu processo de maquiagem, vestuário e até eventos que faz numa relação bem próxima que ela estabelece com seu público, os glamigos, nas redes sociais.

Link para o canal de Ciara LeGlam aqui  



Há mais de quatro anos no ramo, Ciara entende que o drag perpassa pela questão política com relação à representatividade dentro e fora da comunidade LGBTQ. “Somos por si só um confronto e ressignificação de antigos conceitos”, responde, taxativa quanto a este aspecto. Ela encara a sua performance de maneira muito natural e assinala que arte não pressupõe nenhum dogma ou proibição preestabelecida. “Drag é drag, independente se homem, mulher, voz fina, voz grossa, feminina ou não, barbuda ou não, estranha ou não. Drag é arte, então tudo que respira arte tá valendo”.



 Cookie Kill Foto por Jonathan Alves
  “Tem quem veja apenas como uma fantasia para uma festa e com certeza tem quem enxergue além, como uma expressão artística única de um ser humano”, responde Cookie Kill sobre o olhar das pessoas com relação à performance drag. Ela, que começou a se montar há apenas dois meses, estava na mesma festa que Ciara LeGlam e é o exemplo de que o drag está além da expressão feita no palco: é, como ela mesma diz, uma arte em que não cabem definições. Inspirada por artistas icônicas como Elza Soares, Cookie chama a tenção pelo visual andrógino, sem peruca, que exala uma feminidade exótica e hipnotizante ao jogar com a dualidade da performance de gênero no look daquela noite. 

Kill revela o desejo de que sua performance artística caminhe para se tornar um meio de trabalho, mas ressalta algumas dificuldades com as quais tem que lidar. “Por mais que já estejamos caminhando para um espaço que nos receba, ainda há bastante o pensamento de que é simples chegar em um evento daquela forma. Nós precisamos estudar, praticar e financiar tudo que apresentamos no início até estarmos em posição de destaque o bastante para que exista um maior suporte da parte dos contratantes e produtores”.

“Dependendo do ponto de vista, as pessoas podem nos ver como artistas, uma personagem, ou uma aberração”, aponta Alna, 19, estudante do IFRN Cidade Alta, que divide os palcos há cinco meses com a amiga e também drag queen, Fiorella.

Alna e Fiorella. Foto por DJ Panda 

Cantora e compositora, a coautora de Chubenrá diz ainda que é difícil, para quem está começando, construir seu espaço na noite, pois “Ouvimos muitas críticas e não temos apoio das mais antigas”, além do preconceito da família e amigos.


Questionada sobre o que é ser drag, ela explica que, além do lado artístico, também é um ato político. “É uma quebra de barreiras e tabus; uma luta por espaço e visibilidade. Além de um ato de autoaceitação. Fiorella e eu pensamos muito antes de nos lançarmos como drags”. Entre suas musas, então as cantoras Beyonce, Rihanna, Karol Conka, e drags como Pabllo Vittar, Gloria Groove e RuPaul. Ela também se inspira na modelo canadense que, assim como ela, tem vitiligo – WinnieHarlow.


Abertas as caixinhas de classificação como um novo sopro do processo de discussão da desbinarização do qual a cultura drag faz parte, temos as mulheres drags surgindo com cada vez mais força na cena performática e ampliando ainda mais o debate em torno da construção social de gênero. Lola von Dolf, alterego da Jerllyanne Ferreira há pouco mais de cinco meses, é uma figura representativa desse movimento em Natal e cita a cearense Sophie van der Beek como principal influenciadora de sua decisão por começar a montar. “Eu já conhecia alguns homens que faziam drag, tinha vontade de fazer, mas nunca achei que faria sentido, que as pessoas iam receber bem. Mesmo já conhecendo algumas mulheres drags que tinham na cena, elas tinham um estilo totalmente diferente daquilo que eu faria”, diz a integrante do Núcleo Tirésias de estudos da homocultura da UFRN. 

A condição feminina, para Lola, torna o drag ainda mais político, na medida em que atua não só na desconstrução da ideia de gênero, como também na quebra de estereótipos criados a partir da percepção que uns esperam ter dos outros. “Você chega montada e as pessoas se chocam, ainda mais como mulher, que é mais forte por conta de toda a questão social do ser mulher. É você chegar e dizer que essa ideia de gênero é errada, que isso é apenas uma ideia, uma construção social”.  Na ideia principal de expressão e na comunhão de diferentes personas numa só é que Lola encontra a definição do seu drag, plural como suas referências que vão desde Barbra Streisand, passando por uma gama de musicais da Broadway, até a Sharpay de High School Musical.

Foto acervo pessoal Lola von Dolf


 “A minha drag é tudo que eu sempre quis fazer, desde criança”, declara Lola numa confluência de pensamento que talvez sintetize tudo que se falou até aqui: o drag é uma forma de expressão que experiencia as questões de gênero, mas vai além disso: resiste nos recônditos da noite a despeito da cruel homofobia e ignorância vivenciadas nos nossos dias e, como um grito que explode em cílios postiços, delineador  e enchimento, torna-se a cereja do bolo nos espaços da representatividade

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sobre Jornalismo e Literatura: “Jornalistas Escritores do RN: Entrevistas”

Lançamento de e-book marca o encerramento da Semana de Jornalismo da UFRN 


Por  Henrique Mendes e Tiago Silveira


Jornalismo e Literatura se relacionam pelo material comum, a palavra. Uma relação que se nota nos mais diversos momentos históricos, no mundo todo e com diferentes escritores jornalistas ou vice-versa, desde Emile Zola, passando inclusive por Castro Alves, até Nélida Piñon. Os folhetins - como bem lembrou o professor Adriano Gomes - publicados de forma seriada em periódicos no século XIX, legaram para a cultura nacional não só as mais importantes obras literárias brasileiras, como também um modelo de produzir ficção extremamente bem-sucedido por aqui - as radionovelas, que migraram para a televisão e se tornaram o suprassumo do show business no Brasil. “Nesses cerca de quatro séculos de existência dos jornais, gerações e gerações de jornalistas-escritores têm percorrido caminhos que unem as redações às editoras de livros”, arremata a professora Socorro Veloso, no inspirado prefácio escrito para a obra, onde ela trata com os jornalistas entrevistados sobre o poder de salvação que a literatura supostamente poderia ter. 

Reprodução Capa do Livro Jornalistas Escritores
do RN: Entrevistas
Essa relação, no entanto, encontraria um contraponto no tempo: enquanto o jornalismo é uma expressão datada, que condiciona o tempo ao próprio tempo, a literatura é a escrita contra esse tempo em busca da posteridade. Para o lendário jornalista e professor Emanoel Barreto “jornalismo é literatura sob pressão ”. A crônica, então, seria o ponto de equilíbrio, o gênero comum ao Jornalismo e à Literatura, o gênero que torna o mais banal acontecimento cotidiano em um texto sublime, cuja “grandeza é não ter importância quanto a sua condição de manchete, mas ter importância quanto à condição humana que ficou naquele indício”, conforme nos ensina o professor Barreto, homenageado pelos alunos veteranos do curso, em sua fala na mesa redonda que encerrou a 1ª Semana de Jornalismo da UFRN, na última sexta (12).

Sob coordenação do professor Antônio Condorelli, compuseram a mesa, além do já citado Barreto, os docentes Adriano Gomes, Josimey Costa, Adriano Cruz, e o escritor Gustavo Sobral. Condorelli, iniciando a conversa, disse que, “Além de sermos seres racionais, Homo sapiens, somos também seres de emoção e sensação”, enfatizando a sensibilidade necessária ao fazer jornalístico.

Sem perder “o costume da carreira acadêmica”, como ela mesma brinca, a professora Josimey Costa recorreu a alguns pensamentos do escritor francês Marcel Proust para sustentar a importância de o jornalista, durante o exercício da escrita, olhar para o interior de si, prática que, segundo atesta sua experiência na área, o profissional das redações faz pouco. Citou também o autor referência no Jornalismo Ciro Marcondes Filho, segundo o pensamento do qual, “a informação jornalística, quando também é comunicação, transcende a mera descrição dos fatos”, o que o fizeram os entrevistados para o e-book Jornalistas escritores do RN: Entrevistas, não se prendendo aos limites de espaço e à tecnicidade dos manuais de redação.

Nas entrevistas do livro, resultado do esforço de 44 estudantes de Jornalismo do segundo semestre de 2016, Emanoel Barreto, Josimey Costa, Antônio Condorelli, Adriano Gomes e Gustavo Sobral, presentes à mesa-redonda, expõem suas visões não apenas sobre a profissão e as aspirações de quem é jornalista e encontra na forma literária de escrever o significado de seu ofício, mas também suas próprias visões de mundo, seus pontos de vista  sobre as transformações do jornalismo na atualidade e a função do escritor em nossa sociedade. Pontos de vista individuais que se tornam coletivos na medida em que tanto têm a nos ensinar. Além delxs, Glácia Marillac, autora de “O amor é – 108 poemas para simplificar a vida”; Rafael Duarte, autor da biografia de Carlos Alexandre; a editora de livros Themis Lima; o repórter Luan Xavier; Flávio Rezende, autor de “O Sonhador”, entre outros títulos;  Paulo Nascimento e Rafael Barbosa, autores de “Valdetário Carneiro: a essência da bala” ; e Adriano Cruz, autor de  “Alguma coisa e cor” participam das entrevistas coletadas e contribuem para o projeto, tornando-o um marco documental essencial da produção escrita potiguar e uma afirmação importantíssima do próprio curso de Jornalismo da UFRN que, apesar de existir desde a década de 60, só em 2017 deixa de ser uma habilitação da Comunicação Social.

Organizadora do livro junto com o mestrando em Estudos da Mídia John William Lopes,  Socorro Veloso vê no conteúdo do e-book uma amostra fundamental de como fugir dos tecnicismos que correm à solta nos cursos de Jornalismo. “A ideia do livro é estimular os alunos a pensarem novas formas para a escrita jornalística que saiam dos esquematismos e engessamentos oferecidos por formatos como a pirâmide invertida, por exemplo”, assinala ela.  Segundo a professora do Departamento de Comunicação Social da UFRN, coordenadora-geral da Semana de Jornalismo e também homenageada na noite, a literatura oferece não apenas boas técnicas, mas uma forma de pensar o jornalismo de maneira mais sensível, aprofundada e empática. “Quando a gente bebe na fonte da literatura a gente se nutre do melhor que a gente pode para aprimorar o nosso campo, o campo jornalístico”, resume.

Podemos dizer, portanto, que o Jornalismo que envereda pelos caminhos da Literatura, torna-se mais humano, sensível às coisas do mundo. Dá voz, liberdade e beleza à subjetividade do narrador, tornando o texto mais honesto. E é com essa liberdade que podemos nutrir nossos objetivos distantes, que são nossa razão de viver, pois, como disse Barreto, “o Jornalismo tem que viver sempre de utopias”. Ou, ainda, nas palavras do posfácio de Gustavo Sobral, temos que reconhecer que “o jornalismo sempre foi a casa do escritor brasileiro”; e continua sendo.

O e-book está disponível para download no link https://goo.gl/Po17ZQ

domingo, 14 de maio de 2017

I Semana de Jornalismo: Mostra de Documentários encerra com poesia urbana e cinema potiguar

Por Leonardo Figueiredo


Foto: Vitória Laís 

A paixão pelo cinema e a linguagem poética marcaram o último dia da Mostra de Documentários da I Semana de Jornalismo, realizada na sexta-feira 12 de maio no Departamento de Comunicação Social (DeCom) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Na ocasião foram exibidas duas produções: Mobilidade Urbana, de Rodrigo Maker, e Yes, Nós Temos Cinema, de Lenart Veríssimo. 

Quando cursava Produção Cultural, Lenart teve a ideia de produzir um documentário como trabalho de conclusão de curso. Durante esse período ele já era envolvido em trabalhos de audiovisual, chegou a participar de alguns festivais e atualmente é aluno de Comunicação Social - Audiovisual. Dessa forma, unindo a vontade com a afeição pela sétima arte, surgiu Yes, Nós Temos Cinema.

“Eu queria falar do cinema potiguar, pois não via muita coisa acontecendo. Eu precisava que os envolvidos falassem suas vivências em formato de filme. Foi uma experiência gratificante e algumas dificuldades eu senti na própria pele. É fazer cinema falando de cinema”, explicou. 

Foto: Vitória Laís

Rodrigo Maker, aluno de Jornalismo e que trabalha como cinegrafista em uma emissora local, usou um espaço de tempo de três minutos e 15 segundos para abordar uma temática pertinente a todos que enfrentam diariamente o trânsito da capital potiguar. O vídeo contém a participação de um membro do grupo de ciclistas Xô Aperreio, que relata as dificuldades encontradas por todos aqueles que praticam ciclismo em Natal.

O vídeo, inclusive, é utilizado pela equipe de ciclismo para trabalhar questões de cidadania em escolas públicas. Para Rodrigo, realizar esse trabalho foi bacana porque lhe trouxe a oportunidade de fazer algo diferente do jornalismo televisivo. “Você pode fugir do clichê do jornalismo, que é início, meio e fim. Lá é tudo predeterminado. Aqui posso usar uma linguagem mais poética, deixando escapar uma cena desfocada para captar uma poesia mais bonita. Foge do jornalismo, mas sem perder a essência de dar voz a uma classe e à necessidade pela qual está passando”, admitiu.

A Mostra de Documentários exibiu oito produções de média e curta-metragem durante os dias 9 a 12 de maio. Bolsistas e voluntários do projeto de extensão Quer saber? participaram da iniciativa, que deu a chance para sonhadores como Lenart e Rodrigo contarem suas histórias apaixonantes e inspiradoras. É disso que o público gosta. 

Confira no link a seguir a produção Mobilidade Urbana: https://www.youtube.com/watch?v=7cHySEv9aCY

E aqui o teaser de Yes, Nós Temos Cinema: https://www.youtube.com/watch?v=wu4ufQL-KUw.

A agenda dos Coletivos de Mídia Contra Hegemônica

Mesa redonda debate os caminhos da comunicação alternativa no cenário político atual


Por Henrique Mendes e Tiago Silveira


Gramsci definiria hegemonia como a dominação de um grupo social sobre outro, mais especificamente da burguesia sobre o proletariado, por meio da sobreposição das ideias a partir de ações conjuntas de vários segmentos. Para o pensador, nenhum domínio absoluto de uma classe sobre as demais é possível sem que haja tanto um consenso passivo das classes dominadas quanto uma articulação de um bloco de alianças em torno de si. Assim, no contexto da ordem social vigente atualmente, é possível afirmar que a classe dominante só consegue se estabelecer como dirigente porque tem alianças poderosas, sobretudo com a grande mídia.

Registros de mídia alternativa no Brasil, com ideias contrárias à hegemonia político-social vigente, remontam ao período colonial: pasquins pedindo a abdicação de D. Pedro I, fanzines pela abolição da monarquia portuguesa e da escravatura e panfletos de propaganda pela proclamação da república foram recorrentes em todos estes momentos históricos de crise. Na ditadura de Getúlio, Oswald Andrade e Pagu assinavam O Homem do Povo, revista ligada ao Partido Comunista. A censura do regime militar de 1964, inclusive à imprensa corporativa, também fez proliferar a necessidade de veículos alternativos, emergindo, também, neste período, as rádios comunitárias e piratas.

 Foi sob esta temática que se desenvolveu a penúltima mesa redonda da I Semana de Jornalismo da UFRN, que contou com a presença de Celinna Carvalho da Mídia Ninja RN; Isadora Morena, representando a Marcha Mundial das Mulheres e o Fórum Potiguar de Comunicação; e João Paulo Farias do Levante Popular da Juventude. Elxs apresentaram seus coletivos e falaram dos desafios da mídia alternativa atualmente.
             
Mesa com os coletivos (Foto: Jéssica Cavalcanti)

“É uma forma de fugir do padrão da grande mídia, que não dá espaço para as minorias”, responde Celinna Carvalho sobre a atuação dos coletivos de comunicação. Para ela, o trabalho nesse núcleo alternativo de mídia é uma ação militante: não tem financiamento e a maioria das pautas são feitas a partir de ações colaborativas. Celinna enfatiza que, a despeito dos interesses capitalistas, é importante o estudo e o uso das redes sociais por estes coletivos e, bem-humorada, acrescenta: “Ocupa o Facebook, cara, porque é só o que temos no momento”.

Isadora Morena acredita que é necessário ampliar as vozes das minorias, que tem pouco espaço na grande mídia, reprodutora dos discursos das instituições oficias. Morena salientou, ainda, a importância de fortalecer o nosso campo, não só profissional, mas de saber científico, já que “o jornalismo é uma prática reflexiva”. A jornalista falou, também, sobre a urgência de democratizar os espaços de comunicação desta Universidade, como a TVU e a FMU.

Responsável por agitação e propaganda no Levante, João Paulo Farias vê como crescente a importância da mídia alternativa para empreender a disputa contra a hegemonia. “Quanto mais espaços a gente conseguir criar ou alcançar melhor para a gente conseguir fazer essa disputa na sociedade”, diz ele.

Os caminhos propostos para a efetividade das ações contra-hegemônicas no atual momento político são diversos, parte de um processo ainda em construção pelos coletivos: vão desde o debate pelo marco regulatório da mídia não atendido pela Constituinte de 1988 – e que no momento  encontra barreiras ainda maiores como os ataques do governo Temer à EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) – até a criação de um curso popular de comunicação junto ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) com o objetivo de minimizar o poder de distorção das declarações de integrantes deste e de outros movimentos sociais nas raras e rápidas vezes em que a mídia corporativa oportuniza momentos de fala desses grupos.

Necessidade é a palavra-chave deste debate. Construir uma alternativa ao oligopólio dos grandes veículos do país se faz imprescindível e está atrelado a qualquer reforma política, educacional ou social que pretendamos para o futuro do país.

Acompanhe e colabore com os coletivos de mídia alternativa:

sábado, 13 de maio de 2017

Último dia da Semana de Jornalismo abre com evento lotado

Oficina de escrita criativa contou com alunos de comunicação da UFRN e de fora

Por Anna Vale e Germano Freitas 

 Foto: Vitória Laís

No último dia da I Semana de Jornalismo da UFRN, a oficina de escrita criativa – a primeira do dia, iniciada às 14h, e ministrada por Michelle Ferret, professora do Departamento de Comunicação (Decom) – ultrapassou o número de vagas disponibilizadas (35), lotando a sala 1 do Decom. A ministrante expressou surpresa com tantos participantes, tendo imaginado poucas inscrições e uma oficina intimista, onde poderia conhecer a todos e “destrinchar” os trabalhos produzidos.

A oficina contou com três momentos: a apresentação da professora, com a leitura de um poema de um autor potiguar e reprodução da música “Metáfora” de Gilberto Gil para ilustrar a diversidade de sentidos que um escritor pode atribuir a uma simples palavra; a criação, por parte dos inscritos, de personagens – podendo eles ser baseados em pessoas reais ou produções originais – e formação de duplas, com o intuito de redigir uma curta história envolvendo os dois personagens; e a leitura ou explicação, por parte dos autores, das narrativas resultadas para a sala inteira.

Foto: Vitória Laís
“A realidade não existe, a gente cria”, explica Michelle, ressaltando a importância da imaginação dentro do jornalismo ao retratar os fatos de maneira criativa, que atraia o leitor sem perder sua veracidade. A professora, que já trabalhou como repórter especializada em artes na Tribuna do Norte, descreve ainda jornalistas como contadores de histórias: “a nossa matéria bruta é o ser humano”.

Não necessitando de muito mais que sua paixão pela escrita para incentivar os mais de 50 participantes da oficina de escrita criativa a deixar sua imaginação fluir, a professora Michelle Ferret contribuiu para o abrilhantamento do último dia da I Semana de Jornalismo da UFRN.