quarta-feira, 30 de maio de 2018

Adeus, sinal analógico. Feliz sinal digital!

Por Evandro Ferreira

Reprodução TV Tribuna

No dia 30 de maio de 2018 acontecerá mais uma etapa do apagão analógico, o evento trata-se do desligamento do sinal analógico terrestre de televisão usado por mais de 30 anos no Brasil. A mais nova etapa do evento acontecerá na região metropolitana de Natal e em alguns municípios do interior do Rio Grande do Norte, além de outras capitais do país como João Pessoa (PB), Maceió (AL), Aracaju (SE), Teresina (PI), Belém (PA) e Manaus (AM). 

Muito mais do que uma troca do sistema de transmissão, a mudança representa, pelo menos em tese, uma das maiores revoluções nos últimos tempos na forma de se consumir conteúdo televisivo pela grande parte da população brasileira. Mas desde sua concepção e chegada o sinal digital acabou representando bem mais um grande obstáculo a ser vencido do que uma revolução por si só. 

Inauguração do sinal digital (Ricardo Stuckert/Agência Brasil)
A inauguração dessa nova forma de se transmitir o sinal aconteceu no dia 2 de dezembro de 2007, mas apenas em julho de 2012, cinco anos depois no início, foi que a TV digital chegou em Porto Velho e em Rio Branco, as últimas capitais brasileiras a receber a novidade. Segundo as previsões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a previsão para o desligamento geral, em todas as cidades do Brasil, será em 21 de dezembro de 2023, ou seja, 16 anos depois do começo da implementação do sistema. 

Os benefícios para a mudança de sinal consistem na melhoria significativa de captação de som e imagem, tudo sem aqueles chuviscos e interrupções costumeiros na televisão. É como se você estivesse vendo uma fita VHS e fosse a partir de agora ver um Blu-ray. 

Outra mudança está no padrão de tela, antes as imagens eram transmitidas no padrão SD, na proporção 4:3, que é aquela tela quadrada tão conhecida por todos. A chegada do digital também representa a implantação do formato HD 16:9, é a tela retangular com maior possibilidade de alocação de informação na tela. 

Reprodução InterTv Cabugi
Além disso, outro benefício é a possibilidade de interatividade. O telespectador não apenas receberá o sinal, mas vai também poder transmitir, já que a forma de decodificação de sinal é binária e a via que recebe também pode emitir dados. Na prática, se você tiver interesse em adquirir um produto que está passando na novela das nove você poderá fazer isso apenas com alguns cliques no controle remoto. No entanto, essa possibilidade está um pouco distante da capenga adequação à realidade brasileira. 

As promessas são muitas, mas é necessário olhar para a realidade potiguar e suas particularidades. No Rio Grande do Norte, as emissoras de televisão fizerem bem o dever de casa, embora que em alguns casos essa tarefa esteja sendo feita como faz um aluno que deixa para fazer tudo em cima da hora. 

A InterTv Cabugi possui uma vantagem de ser afiliada da Globo no Estado e de possuir uma assessoria técnica da rede para isso, no entanto, os cenários de telejornais e os grafismos visuais ainda não estão adequados a nova realidade - falha essa que se repete na Band Natal (Band), TV Tropical (Record TV) e Tv Universitária (Tv Brasil). A única que parece ter entendido a necessidade de mudança geral foi a TV Ponta Negra (SBT) que recentemente inaugurou os seus novos estúdios e aparato tecnológico. 

O que explica essa incoerência de forma bem sucinta é a falta de investimentos constantes no parque tecnológico de cada uma dessas emissoras, pois estima-se que para a mudança total para o sinal digital seja necessário valores na ordem de 1 milhão de reais apenas para adquirir os equipamentos necessários. E isso nem todo empresário pode e quer investir, principalmente no cenário de crise que o país passa. 

Reprodução InterTv Cabugi
Essa crise também afeta os telespectadores que para receber o sinal digital precisam ter o televisor com o conversor embutido ou adquirir o aparelho externo e uma antena adequada. Para isso, o Governo Federal entrou na roda e está distribuindo kits para beneficiários dos programas sociais para que possam utilizar os seus televisores antigos. O comércio também está de olho e está fazendo feiras com promoções exclusivas para quem quiser adquirir novos equipamentos. 

Com um país continental a ser conquistado, uma população numerosa e diversa a ser entendida e uma situação econômica diferenciada, a chegada do sinal digital no Brasil está longe de ser um evento simplório e rápido. A única coisa que temos é a certeza de que ainda teremos muito chiado sobre o assunto.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

"Mama África é mãe solteira, mas é mãe de muita gente"

Por Aimmee Araujo e Gideão Marques 

Foto: Gideão Marques/Caderno de Pauta 

Aconteceu entre os dias 25 e 27 de maio a 45º edição da Semana da África da UFRN. O evento reúne estudantes intercambistas e brasileiros para dar um novo olhar sobre a temática “África na Globalização: desafios e potencialidades”. Ele contou com canções africanas e vestimentas a caráter, deixando os participantes inteiramente integrados ao ambiente alegre e forte da África - o 3º continente mais extenso do mundo, com 54 países.

A programação iniciou às 9h, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), com um conjunto de palestras. Em um discurso emocionado, o professor universitário aposentado, Paulo Lopo, 79, convidado para dar início às atividades do dia, disse: "Não aprendemos a perdoar com os europeus, fizemos isso com a mãe negra. Mama África é mãe solteira, mas é mãe de muita gente", concluiu.

A África, ao contrário do que muitos pensam, não é um país e ela representa uma vasta diversidade étnica, cultural, social e política. Os alunos intercambistas que estão à frente das palestras do primeiro dia fazem questão de esclarecer isso. 

Anualmente, em todo dia 25 de maio se inicia a semana da África na UFRN. Bruce Kambo Yudonago, 24, estudante de Engenharia Civil e atual Presidente da Associação de Programa de Estudantes de Convênio (APEC), conta que essa data é especial por recordar a luta pela independência do continente africano, contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid. Simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido, livre - comemorando tudo o que povo africano trouxe para este mundo.

Adriano Chiobacanga, intercambista da UFRN e doutorando em Psicobiologia, está no Brasil desde 2017 e espera aprender muito aqui. "Espero voltar ao meu país e ajudá-lo a conquistar os objetivos do milênio com os conhecimentos políticos que adquiri no Brasil”, diz. 

Além de Adriano, o evento contou com as presenças de Soraia Archanjo, coordenadora de Relações Internacionais da UFRN; Paulino Lopo, professor universitário aposentado; Abdoul-Sadi Savadogo, Dr. em Sócio-antropologia; e Alberto Mathe, Dr. em Teoria de Leitura Africana. 

Vem na minha terra. Verá casais românticos, experimentará também o sabor da fraternidade e da irmandade. Ao chegar em minha terra, descobrirá como as pessoas sabem reconhecer e respeitar o humano.
- Letra da música africana usada durante o discurso de Abdoul-Sadi, Antropólogo. 

No horário vespertino, a programação continuou com a mesa-redonda, tendo como temática da discussão o papel da diáspora africana no processo de modernização, desenvolvimento socioeconômico, saúde e tecnologia da África. Quando questionado sobre o intuito da mesa, o Presidente da APEC disse: “O tema foi uma aproximação dos estudantes africanos da diáspora. Pois a maioria deles estudam aqui e preferem ficar, não querem voltar para África para poder contribuir também para o desenvolvimento. Nós queremos estimular os estudantes que vão se formar a voltar ao continente e ajudar seu país de origem”. 

Pondo fim ao dia da abertura, aconteceu a mostra audiovisual de cinema africano com a apresentação do longa “Comboio de sal e açúcar”, que foi coproduzido entre Portugal, Moçambique, Brasil, África do sul e França. A produção foi escolhida para representar Moçambique no Oscar de melhor filme estrangeiro da cerimónia de 2018. O primeiro filme moçambicano submetido à premiação.

No domingo (27), ocorreu o encerramento da semana da África na praça da Igreja da Vila de Ponta Negra, trazendo aspectos da cultura africana, manifestações culturais, jam session (sessão de improvisação musical, ao vivo, em que se reúnem músicos de jazz, rock ou música pop) e degustações de pratos típicos.

Perdoa, Frida

Por Luiza de Paula

Foto: @sunyoungdays/Pinterest
Pra guerra, levo meu escudo. Ensinada a guerrear, preciso de proteção. A batalha anda dificílima e o meu apetrecho da sorte não é qualquer um. É de papel, mas tão firme quanto a imagem de Frida que ele carrega. É aparentemente despretensioso, mas tem o nome de um dos seus quadros mais significativos: “Árvore da esperança, mantém-te firme!” 

A árvore da esperança não pode morrer. Estamos em tempos sombrios, eu sei. O que vigora é a ode ao conservadorismo e pragmatismo – os únicos “ismos” que parte da galera da Direita enaltece com louvor. E em meio a essa confusão de recusa ao idealismo e manifestos de horror contra às utopias, não vejo outra saída a não ser Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Essa é a única forma que eu consigo sobreviver razoavelmente sem a ajuda de aparelhos e de antidepressivos. Opa! Antidepressivos, não. O que seria dessa pessoa que vos fala sem o empurrãozinho de vez em quando de um Anafranil? 

O fato é: qual será a nossa saída a não ser nos apegarmos piamente ao propósito das utopias? Em última instância, o contínuo caminhar de Galeano é seguir firme na luta. Essa estrada é árida e espinhosa, afinal, não é nada fácil ouvir professores universitários, por exemplo, desmerecendo, menosprezando e deturpando em suas aulas o movimento Feminista. Nessas horas, paro, tento utilizar a técnica de colocar a língua no céu da boca e respirar. Olho, entro em sintonia com o meu escudo e rogo: perdoa, Frida, eles não sabem o que dizem. 

Manter a árvore da esperança vibrante e firme parece uma missão impossível. É preciso muita fé nos deuses da Justiça para não entrar em surto psicótico ao observar os debates sobre a legalização do aborto, redução da maioridade penal e por aí vai, sendo reduzidos à mera legalidade ou ilegalidade por àquela galera que usa paletó e gravata em um calor de 35°, fala vossa excelência, data vênia, usa próclises e mesóclise e Latim. 

E eu estou falando tudo isso pra dizer que preciso muito dessa gente tipo Galeano, Frida e companhia. Nessa semana esteve em Natal o nosso Trump à brasileira: um cara com um estilo e um discurso à lá século XIX. Aquele sujeito que sai por aí dissipando discurso de ódio travestido de “meras opiniões” contra as minorais e contra o Estado Democrático de Direito. E ele foi ovacionado por parte considerável de Potiguares. E as pessoas o seguraram no colo. E ele está em segundo lugar na corrida presidencial – ah como eu queria que tudo isso foi verdadeiramente um mito! 

Queria que fosse mito, também, os mais de 100 estupros de mulheres por dia no Brasil. Queria eu falasse menos e agisse mais para protegê-las. Queria que nós, mulheres, não andássemos por aí com o radar a todo vapor a fim de detectar o mais rápido possível assédios sexuais e morais. Queria que fosse um grande mito a presença maciça de delegados e não delegadas na Delegacia da Mulher. Queria que o machismo fosse coisa do passado. Queria que todos tivessem acesso a Manoel de Barros, Drummond, Frida, Galeano, Rubem Braga e Clarice. Queria que eu sofresse menos em silêncio. Queria que eu fosse disciplinada pra ir à terapia. Queria saudar a indústria farmacêutica pela invenção de tantos colos sinceros e necessários, por vezes. Queria que tanta coisa fosse diferente... E por querer tanto, é que eu começo aqui, neste exato momento, a querer mudar primeiramente meu microcosmo. Que tal você também? 

E agora preciso falar deles que tanto quiserem e fizeram: os caminhoneiros. Salve, salve a cada um de vocês, gigantes! Estamos vivendo praticamente em “O Ensaio Sobre a Cegueira”? Estamos. Saramago tinha razão? Sempre teve. Mas vocês foram os únicos que deixaram verdadeiramente o governo ilegítimo de Michel Temer e companhia limitada completamente ébrios. 

Não somos todos caminhoneiros. Eu, particularmente, não sinto quase nada dos perrengues que vocês passam. Comecei falando de esperança, utopias, idealismo e termino afirmando que essa paralisação lindíssima foi a concretização do grito de coragem, resistência e luta. 

É por essas e outras que a árvore da esperança se mantém firme.

domingo, 27 de maio de 2018

UFRN celebra mais um ano de sucesso com a 2ª Semana de Jornalismo

Por Ana Luiza Paz e Hilda Vasconcelos - ASCOM/Semana de Jornalismo 


A 2ª Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) reuniu nos dias 23, 24 e 25, estudantes, docentes e profissionais para discutir o tema: "Fake News e a Era da Pós Verdade". 

Durante os três dias de evento, o Departamento de Comunicação (Decom) da universidade foi sede de diversas oficinas, mostras e mini-cursos voltados à temática. O destaque desse ano foi ficou por conta da participação da jornalista Cynara Menezes durante a conferência de abertura. A responsável pelo o do Blog Socialista Morena trouxe questões importantes sobre o panorama das chamadas “notícias falsas”. 

Segundo ela, as “Fake News” existem desde que o homem existe, a fofoca cotidiana é o exemplo mais simples disso, mas com a chegada das redes sociais elas se transformaram em coisas gigantescas e de impacto negativo. 

A edição deste ano da Semana de Jornalismo contou também com mostras audiovisual, intervenções artísticas e sarau. A programação foi encerrada com mesa-redonda intitulada “Fake news e a Era da Pós-verdade” mediada pela professora Socorro Veloso, na qual participaram João Victor Leal (Agência Saiba Mais), Ricardo Araújo (Tribuna do Norte) e Eduardo Pellejero (UFRN). 

Para Daniel Dantas Lemos, coordenador geral da Semana e professor do departamento, o balanço do evento é o melhor possível, apesar dos imprevistos causados em consequência dos protestos que reivindicam a baixa no valor dos combustíveis. Ainda segundo ele, muito da Semana de Jornalismo não seria possível sem a ação voluntária dos estudantes e docentes envolvidos. 

A equipe organizadora contou com um total de 68 colaboradores - divididos entre as equipes de assessoria, apoio técnico, fotografia e redes sociais - que trabalharam nos bastidores por semanas a fio para garantir a dinâmica e o sucesso do encontro. 

E com tanto empenho o saldo não podia ser diferente: a 2ª semana de Jornalismo da UFRN teve um total de 274 inscritos. Durante os três dias do evento estima-se que 120 pessoas movimentaram o Decom prestigiando as oficinas, mini-cursos, apresentações e exposições. 

A 3ª edição ainda não tem data prevista, mas deve acontecer entre 2019 e 2020.

sábado, 26 de maio de 2018

II Semana de Jornalismo encerra sua programação com oficinas e mesa-redonda sobre Fake News

Por Francisca Pires, L. G. Sousa, Marcelha Pereira, Renata Duarte e Tainah Lucena 

O último dia da II Semana de Jornalismo aconteceu nesta sexta-feira (25). As atividades começaram às 13h com a continuidade da oficina de Jornalismo investigativo: métodos e técnicas de investigação jornalística nos meios digitais, ministrada por Daniel Dantas Lemos. Na terceira parte da oficina os alunos receberam orientações de análise do discurso e análise de conteúdo para produção de uma reportagem interpretativa com base nos dados da operação “Dama de espadas" lidos no dia anterior. Os participantes ajudaram destacando os principais pontos dos documentos analisados a fim de apurar os detalhes ainda não divulgados e, por fim, a produção iniciou.

Oficina de Jornalismo Investigativo. Foto: Beatriz Navarro/Semana de Jornalismo UFRN

Ao mesmo tempo que ocorriam as atividades relacionadas à oficina de Jornalismo Investigativo, aconteceu também, na sala 4 do Decom, a oficina de Agitação e Propaganda, que foi orientada pela publicitária Luisa Medeiros, participante do Levante Popular da Juventude. Dentre as atividades, foram tratados de problemas como a forma que os interesses empresariais influenciam na mídia. Dessa forma, foram analisadas capas de revistas e jornais como o Agora RN e Veja. Também foi falado da importância de meios de comunicação comunitários como os das rádios do MST.

Oficina de Agitação e Propaganda. Foto: Manoel Ataide/Semana de Jornalismo UFRN

Às 15h, aconteceu a segunda parte do minicurso O processo criativo na fotografia: entre o documental e a arte contemporânea, sob a orientação de Alexandre Ferreira. Retomando o que ele apresentou na quinta-feira (24), os participantes tiveram a oportunidade de apresentar na sala as experiências pessoais com a fotografia e projetos que já fizeram. 

Foram três apresentações e cada um falou sobre técnicas para uma boa história a partir da fotografia e o que as experiências trouxeram de aprendizado. Houve ainda um momento de perguntas e curiosidades de como os fotógrafos e fotógrafas apuraram as imagens, quais foram os motivos e o que cada pessoa pôde aprender durante o processo. Ao final, o professor mostrou uma apresentação de fotos autorais e onde foram expostas.

Minicurso O processo criativo na fotografia. Foto: Marcelha Pereira/Semana de Jornalismo UFRN

Também às 15h, como nos dias anteriores, algumas oficinas inéditas foram apresentadas e despertaram o interesse do público, majoritariamente composto pelos estudantes de comunicação. Uma delas foi ministrada por Marina Cardoso e tinha como tema o Jornalismo além das fronteiras: Como se preparar para o mercado de trabalho com experiências fora do RN

Durante a oficina, Marina apresentou, a partir de alguns questionamentos feitos ao público, alguns direcionamentos para quem deseja atuar no mercado de trabalho. Foram mostradas as experiências acadêmicas e profissionais vividas por ela, programas para iniciantes em grandes jornais, congressos nacionais para cada subárea do ramo, além de dicas para melhorar as apurações e produções de pautas.

Oficina Jornalismo além das fronteiras. Foto: Germano Freitas/Semana de Jornalismo UFRN

Pra encerrar a segunda edição da Semana de Jornalismo, tivemos a mesa-redonda “Fake News e a Era da pós-verdade”, com os jornalistas Ricardo Araújo (Tribuna do Norte), João Victor Leal (Agência Saiba Mais) e o professor e filósofo Eduardo Pellejero (Departamento de Filosofia da UFRN). A mesa foi mediada pela jornalista e professora Socorro Veloso (DECOM). 

Ricardo Araújo e João Victor Leal, trouxeram para o debate suas respectivas experiências dentro do jornalismo, métodos de apuração e os impactos causados pela veiculação de uma notícia falsa. Araújo alertou principalmente sobre a importância da leitura na profissão, como forma de adquirir conhecimento e senso crítico, na hora de julgar a veracidade ou não de uma informação. 

Por fim, o filósofo Eduardo Pellejero trouxe três conceitos de verdade, complementando as falas anteriores: “verdade como oposto do falso”, “a diferença entre verdade e o que é verdadeiro” e a “verdade como distinção de algo oculto”. Especificamente sobre as notícias falsas, Pellejero afirmou: “as fake news não são apenas falsas, se trata do fato de quem as criou saber que são falsas”. 

Mesa-redonda sobre Fake News. Foto: Letícia Leite/Semana de Jornalismo UFRN

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Bruno Araújo: “Jornalismo não é 100 metros, é maratona”

Jornalista com passagens por vários veículos de comunicação do RN ministrou oficina na II Semana de Jornalismo 

Por Anthony Matteus e PH Dias

No dia 23 de maio ocorreu na sala do Estúdio de TV, no Departamento de Comunicação, a oficina de Jornalismo Esportivo, ministrada pelo jornalista Bruno Araújo, que tem uma longa experiência em jornais do estado. Seguindo a temática “Táticas, técnicas e dribles curtos num mercado em transformação”, o oficineiro mostra o quão importante é a produção de conteúdos mais originais e diferenciados dos demais. Ressalta ainda, de como isso pode ser um fator essencial para novas possibilidades que surgem a partir da internet. 

Bruno apresentando a palestra de Jornalismo Esportivo. Foto: Wanyla Ketley/Semana de Jornalismo UFRN

A grande rede foi o ponto central da oficina. O jornalista aborda a internet como cheia de possibilidades, um espaço fértil para a prática do jornalismo esportivo. Ele enfatiza que a mídia digital oferece uma autonomia que a tradicional não dá: “O mercado na redação não é fácil, tenho uma série de dificuldades quando a questão é produzir conteúdos novos, há vezes em que tem que brigar com o chefe”. 

Bruno também contou suas experiências na editoria esportiva e lembra que não é só glamour. Ele fala da correria que é o dia a dia em uma redação, fazendo analogia com a frase “jornalismo não é 100 metros, é maratona”: “tem momentos que você está terminando uma matéria, então publica e acha que vai respirar, mas aí você vê que já tem outra pauta”. Apesar disso, ele comenta: “Ver o feedback do público no outro dia é o que nos dá vontade de fazer isso”. 

Foi com esse ritmo que o jornalista chegou à cobertura do maior evento esportivo mundial, a Copa do Mundo. Na edição de 2014, a oportunidade veio: “Costumo dizer que a cobertura de uma Copa do Mundo coroou um pouco do nosso esforço diário. Sem dúvida, foi um dos melhores momentos para mim”. 

Bruno cobrindo a final da Copa do Mundo na cabine de imprensa. (Foto: Perfil oficial do Bruno no Instagram) 

Em contrapartida, o jornalista relata o quanto que a editoria é esquecida nos jornais. “Não é que ela seja renegada, mas os veículos de comunicação têm outras prioridades que não seja o esportes. Aí ela acaba ficando em segundo plano, também tem a questão das redações e sua falta de estrutura, eles privilegiam outras editorias em detrimento a de esportes”. 

O palestrante ainda deu dicas importantes para quem está começando, uma delas foi quanto a relação que devemos ter com a fonte e sempre fugir do lugar comum. “Eu costumo dizer duas coisas: o bem mais precioso do repórter é a sua agenda telefônica e seu bloco de notas, mas a agenda é fundamental, porque você precisa construir com o tempo e guardar esses números, como também manter um relacionamento com a fonte e sempre que precisar ter um tipo de relação que possa contar com esses contatos. Não estou falando que é para ser amiga dela, e sim, fazer consultas frequentes. Exemplo, no livro do PVC, ele quando sempre chegava na redação da Folha, ligava paras as vinte assessorias de imprensa das equipes do Campeonato Brasileiro Série A, para ver se surgia alguma novidade. O contato com a fonte é um exercício, primeiro, descobre o número do telefone de alguém, liga e faz a matéria, depois guarde esse número e quando tiver alguma questão é só ligar para essa fonte de novo e nesse processo criamos uma relação com ela”. 

Bruno atualmente está escrevendo um livro chamado “Moura, o Príncipe Negro”, que está em fase de edição e será lançado em julho, durante as festividades de aniversário do América de Natal.

Segundo dia da II Semana de Jornalismo traz continuação de oficinas e sarau literário

Por Ana Flávia Sanção, Isabelly Queiroz, Marcelha Pereira, PH Dias e Renata Duarte

Oficina de Jornalismo Investigativo. Foto: Sthefanny Ariane/Semana de Jornalismo UFRN

O segundo dia da II Semana de Jornalismo começou ontem, quinta-feira (24), com a continuação de algumas oficinas, assim como abriu espaço para novas, sempre trazendo desafios ao público. Às 13h, continuando com sua segunda parte, a oficina de Jornalismo Investigativo: métodos e técnicas de investigação jornalística nos meios digitais, ministrada pelo professor Daniel Dantas Lemos, trouxe uma atividade prática aos seus alunos após abordar conceitos teóricos sobre o jornalismo investigativo no primeiro dia. 

Ela consistia na análise de documentos da operação “Dama de Espadas”, realizada pelo Ministério Público Estadual. A intenção é que, após a análise, os participantes produzam uma reportagem interpretativa sobre os dados estudados durante a terceira parte da oficina que acontece nesta sexta-feira (25). 

Foto: Manoel Ataide/Semana de Jornalismo UFRN
A segunda parte da oficina O Jornalismo e o Equilibrista ou o Texto Criativo na Corda Bamba, ministrada pela jornalista Thays Teixeira, abordou a importância de conhecer as histórias e como o contexto delas podem ser de extrema importância para o escritor. Buscar uma nova perspectiva, escrever de forma diferente, se arriscar, buscar ser puro e “ver como uma criança” são uns dos muitos elementos falados para construir um texto criativo. Porém, o que chamou atenção no segundo dia de oficina foi uma dinâmica inovadora. 

No centro da sala tinham CDs e envelopes em formato de “amarelinha”, o que deu ao momento cara de brincadeira de criança, até que oficineira pediu que as participantes escolhessem um CD e um envelope. De Erasmo Carlos a Exaltasamba, o desafio foi que as integrantes fizessem um editorial sobre as imagens de vaginas que tinham no envelope com base nos nomes das músicas que tinham nos CDs. A temática da dinâmica foi uma surpresa para todas e as colocou em uma corda bamba em que era preciso desfrutar da criatividade para produzir os seus textos. 

Foto: Maria Luiza Guimarães/Semana de Jornalismo UFRN

Também às 13h, aconteceu a oficina de Linguagem Fotográfica para Dispositivos Móveis, ministrada por Alice Andrade e Beatriz Paiva. Esclarecendo alguns conceitos básicos da fotografia, o objetivo foi mostrar que é possível criar ótimas fotos utilizando as técnicas certas, assim como o aplicativo para edição certo. Como forma de colocar o aprendizado em prática, as oficineiras convidaram o público a tirar as próprias fotos ao final da oficina.

Foto: Marcelha Pereira/Semana de Jornalismo UFRN
No segundo período de programação, às 15h, aconteceu o minicurso de Videorreportagens na web: formatos e técnicas, ministrada por Álvaro Miranda e Bruna Justa. O casal conversou com o público sobre experiências que vivenciam na TV Tribuna, técnicas e dicas de fotografia e de audiovisual, mostraram equipamentos e estimularam os participantes a produzirem o próprio conteúdo. 

Segundo eles, é impossível ser bom em tudo, mas é necessário para todos que fazem parte da área da comunicação terem noção de edição e produção de uma videorreportagem. O segredo é tentar e aprender com o erro, apenas se aventurando é possível chegar onde se quer. Álvaro e Bruna se colocaram como exemplo muitas vezes durante o minicurso para mostrar que é necessário buscar o conhecimento todos os dias.

Ao final do segundo dia, ocorreram as atividades culturais. Logo no início da noite, às 18h30, houve o lançamento do Projeto de Extensão “Telas e Textos” coordenado pela Professora Mirian Moema, com uma intervenção artística. O monólogo de Leandro Lima, sobre a atuação da mídia hegemônica no Brasil foi performado por Manoel Ataíde e emocionou a arquibancada do Departamento de Comunicação. 

O texto levantava reflexões sobre o posicionamento da mídia quanto à LGBTQfobia, à marginalização das periferias, hipersexualização da mulher, racismo, preconceitos sociais, ao sensacionalismo e à exploração dos sentimentos pessoais.

Intervenção Telas e Textos. Foto: Beatriz Navarro e Letícia Leite/Semana de Jornalismo UFRN

Em seguida, tivemos a presença do Sarau Insurgências Poéticas que trouxe música além da poesia. Em um clima descontraído, Marina Rabelo, Thiago Medeiros, Felipe Nunes e Gonzaga Neto recitaram poemas autorais e de autores potiguares. Os versos falavam de amor e a imaginação dos ouvintes fluía enquanto eram mencionados cenários conhecidos pelo público natalense, como a costa da Praia do Meio, o bairro Nova Natal e as linhas de ônibus 33 e 41. 

Entre as séries de poemas, Felipe Nunes cantou a música “Volta” de Johnny Hooker, além de outras canções que abordavam a resistência negra, a força da poesia e a necessidade de “tirá-las da gaveta”. A apresentação durou pouco mais de uma hora e encerrou as atividades do segundo dia da Semana de Jornalismo.

Sarau Insurgências Poéticas. Foto: Beatriz Navarro/Semana de Jornalismo UFRN

Cynara Menezes abre a II Semana de Jornalismo da UFRN

Por Renata Duarte e PH Dias

Daniel Dantas Lemos e Cynara Menezes. Foto: Semana de Jornalismo.

Para falar sobre o tema “Fake News e a Era da Pós-Verdade”, a II Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte trouxe como conferencista de abertura a jornalista Cynara Menezes, dona do site Socialista Morena. 

Em uma de suas primeiras falas na conferência, Cynara afirmou que fake news são sempre criadas com o intuito de prejudicar pessoas. E fez uma análise temporal sobre o surgimento das primeiras notícias falsas, desde Adão e Eva até a forte influência das mentiras em resultados eleitorais, como na última eleição dos Estados Unidos, que teve Donald Trump como candidato eleito. 

Sobre esse assunto, Cynara mencionou o estudo feito pela Universidade de Ohio, publicado pelo site “The Conversation”, que atribuiu a vitória de Trump à três notícias falsas. A primeira foi uma suposta doença de Hillary Clinton, seguida da aprovação do armamento para jihadistas pela candidata. Em terceiro, o apoio do Papa Francisco à candidatura de Donald Trump. 

A produção de notícias falsas é vista pela jornalista como um negócio lucrativo, possibilitado por pessoas que realmente creem no que é veiculado. Quando perguntada sobre a forte crença em tudo o que é postado nas redes sociais, Cynara considerou que a baixa instrução e a ausência de criticidade pelos leitores são fatores cruciais e de grande influência, além do desejo que “querer acreditar” naquilo que se lê. “Não acho que as pessoas só acreditem. É que elas querem acreditar”. 

Outro tema abordado pela blogueira foi o crescimento das Agências Fact-Checking, que não são de todo positivo. Apesar de possuírem papel importante na batalha contra as fake-news, Cynara se mostrou preocupada com os critérios utilizados na checagem da veracidade, no que diz respeito aos veículos que serão checados. A jornalista alertou sobre a necessidade de parâmetros iguais de verificação aos grandes e pequenos veículos, para que não se torne “mais uma arma na mão de poucos”. Reforçando que as grandes mídias não estão isentas de erros e muitas vezes os retificam com “pequenas notas de rodapé”. 

Em rápida entrevista ao Caderno de Pauta, Cynara respondeu algumas perguntas relacionadas à apuração e disseminação do conteúdo falso como forma de ascensão política, confira: 

CP: O impacto das fake news pode ser derrubado com o jornalismo investigativo, apurado? Ou uma vez disseminada, elas são impossíveis de serem desmentidas completamente? 

CM: Não são desmentidas, infelizmente. Quando elas se espalham vem com tanta força que a pessoa não consegue desmentir. Um exemplo disso é sobre a Deputada Maria do Rosário. É o tempo inteiro as pessoas falando que ela defendeu o Champinha (um dos acusados do Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé). Isso não é verdade e não vai adiantar nada ela desmentir cem vezes que isso já virou uma verdade na cabeça de milhares de pessoas.

CP: O que vemos muito hoje em dia são políticos e figuras públicas que acusam jornalistas de fake news pelo simples fato de eles serem contrários ou apresentarem uma visão de mundo diferente das deles. Por que sempre é mais fácil acusar alguém de fake news quando essa pessoa faz um discurso contrário ao seu?

CM: Sim. É muito normal. Tem uma questão muito complicada hoje em dia que é a briga entre Israel e Palestina. Eu sou a favor da Palestina e do duplo Estado, acho que tem espaço para todo mundo conviver. Porém, Israel quer esmagar a Palestina. Toda vez que eu falo isso, aparecem pessoas falando que são fake news. Então, eu escolho a dedo os links que eu publico na minha página no Facebook. Só o melhor, claro que com uma visão progressista. Nesse caso eu só publico texto do site Haaretz de Israel, um dos melhores jornais do país. Mas, mesmo assim, algumas pessoas comentam que “a fonte não é boa”. Eu penso então que a pessoa não sabe que está falando e que já é um caso de ignorância e se você duvida da confiança do site, aí é outro problema.


Cynara Menezes concluiu a conferência exprimindo opinião sobre relevância dos coletivos de comunicação independentes, na contraposição da mídia hegemônica e também como meio de combate às pós-verdades, que transpassam as redes sociais.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Fake News e a Era da pós-verdade: dando início à II Semana de Jornalismo da UFRN

Por Ana Flávia Sanção, Anthony Matteus, Beatriz Navarro, Marcelha Pereira, PH Dias e Renata Duarte


Foto: Semana de Jornalismo UFRN

A II Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte teve início ontem, quarta-feira (23), às 13h. Este ano, o tema geral é “Fake news: e a era da pós-verdade” e tem em sua programação oficinas, minicursos, mesa-redonda, conferência e exposições culturais de fotografia, literatura e audiovisual. 

Foto: Allyne Paz/Semana de Jornalismo UFRN
Uma das primeiras oficinas, O Jornalismo e o Equilibrista ou o Texto Criativo na Corda Bamba ministrada pela Thays Teixeira, trouxe uma abordagem dinâmica e interativa para falar da importância da observação contextual para o texto jornalístico e como isso afeta diretamente na criatividade de quem o escreve. Com um guarda-chuva, um chapéu e uma árvore pequena de natal, ela simulou com a ajuda dos participantes uma atividade em que o escolhido deveria criar um texto descritivo sobre a árvore em apenas um minuto. 

Comunicação e expressão corporal: o corpo como instrumento do fazer jornalismo também fez parte da programação das 13h. Coordenada por Manoel Ataíde, a oficina trabalhou com a questão do (re)conhecimento do corpo, para depois falar sobre expressão corporal, unindo-as no processo de construção da produção midiática. Uma das dinâmicas mais divertidas foi a de dança, com a música da Xuxa “Cabeça, ombro, joelho e pé”, atribuindo outros significados para cada membro. O joelho foi nomeado como “cabeça”, o pé como “ombro”, a cabeça como “joelho” e o ombro como “pé”, o mesmo aconteceu com os olhos, ouvidos, boca e nariz. 

Abordando o tema mídia, Manoel selecionou dois vídeos de análise facial do canal do YouTube Metaforando: o primeiro estudando a feição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista, e o segundo analisando o cantor Biel. O intuito foi observar na prática como a expressão do rosto contribui para que uma mensagem seja passada ou até mesmo em como revela para o público a emoção do interlocutor.

Oficina de Comunicação e expressão corporal. Foto: Luiz Gustavo Ribeiro/Semana de Jornalismo UFRN

A oficina Jornalismo Esportivo - Táticas, técnicas e dribles curtos num mercado em transformação, ministrada pelo jornalista Bruno Araújo, teve início às 15h. Começando a oficina, Bruno apresentou o seu currículo e falou sobre o momento pelo qual a profissão passa. O jornalista, com passagens por Globo Esporte, Diário de Natal, Tribuna do Norte e Novo Jornal abordou o modo como as redes sociais, a internet no geral, mudaram as formas de se fazer jornalismo. Ele ressaltou através de dados a possibilidade do jornalismo autônomo, destacando nesses casos o empreendedorismo, como maneira de “driblar” as dificuldades do mercado.
Foto: Wanyla Ketley/Semana de Jornalismo UFRN

Durante a oficina, o jornalista promoveu duas atividades em grupo na tentativa de despertar a criatividade do público presente. Ele dividiu as pessoas em grupo e primeiramente pediu para que elas pensassem uma pauta sobre esportes, mas que fugisse do comum. Depois, Bruno pediu para que os presentes organizassem uma ideia de conteúdo esportivo para plataformas digitais. Sempre descontraída, a oficina teve participação de todos presentes.


Também às 15h, os palestrantes Beatriz Pires, Marcela Freire e Tálison Sena, ministraram a oficina Observatório Amaru: Ferramenta de Monitoramento e Violação dos Direitos Humanas nas Mídias Eletrônicas. Observatório Amaru é o nome dado ao Observatório Latino Americano de Comunicação, Mídias e Direitos Humanos, que consiste em analisar programas de cunho jornalístico, entre outros, veiculados nas mídias de massa, a fim de buscar violações aos Direitos Humanos, ao Código de Ética profissional, ao Estatuto da Criança e Adolescente e Código Penal. 

Além de apresentar os resultados da pesquisa, que teve como objeto de estudo o programa policial da capital potiguar Patrulha da Cidade, os pesquisadores ressaltaram a importância de se manter atento às inúmeras violações cometidas. Sejam das escancaradas as mais veladas, certas condutas em programas deste perfil estão naturalizadas e não são debatidas na sociedade.

O tema é polêmico, mas vem ganhando espaço na academia. O “trabalho de formiguinha”, segundo Tálison Sena, deve ser feito. O objetivo e a expectativa dos pesquisadores é clara: plantar a semente para que as novas gerações questionem mais e consigam transformar um cenário perene, porém mutável, da comunicação.

Oficina do Observatório Amaru. Foto: Página do Facebook da Semana de Jornalismo UFRN

No mesmo horário, aconteceu a oficina Como os perfis literários cumprem uma função de humanizar as pessoas e gerar empatia nos leitores?, comandada por Jadeanny Arruda e Michelle Ferret. A intenção da oficina foi de abrir a discussão sobre a importância da empatia no jornalismo atual e compartilhar as experiências das duas jornalistas nesse meio literário. 

Foto: Maria Luiza Guimarães/Semana de Jornalismo UFRN
Não cabia à oficina o papel de ensinar a como escrever um perfil literário, mas sim plantar no público a semente da humanização. Elas passaram como atividade prática a tarefa de uma pessoa se juntar com outra que não tinha intimidade e perguntar qual havia sido o momento mais feliz dela. Com isso, partia de cada um ter a sensibilidade de entrar na mente do companheiro e tirar o melhor dali. De lá, saíram histórias de luta e de choro que se transformaram em momentos felizes, assim como histórias de felicidade simples. Ao fim, restou a sensação de que todo ser humano tem algo a dizer e compartilhar. 

Aconteceu também a exposição fotográfica da Izabela Dumaresq com o trabalho “A triste realidade do povo do Quilombo Aroeira em Pedro Avelino”. Pedro Avelino, cidade do interior do Rio Grande do Norte, foi retratada nas fotografias. Quem passava pelo corredor do Departamento de Comunicação paravam ao menos 1 minuto para contemplar as fotos, que ficarão expostas até o fim do evento. 

E para quem gosta de audiovisual, houve a exibição de sete produções, dentre elas, o curta “Alcaçuz” do Coletivo Clandestinos, sobre a tragédia que ocorreu ano passado na Penitenciária Estadual, em Nísia Floresta/RN. E hoje (24), há a apresentação de mais cinco curtas, como “Yes, nós temos cinema”, de Lenart Veríssimo, e “Leningrado, linha 41”, de Dênia Cruz. 

Mostra Fotográfica. Foto: Letícia Dantas/Semana de Jornalismo UFRN

Fechando a programação do primeiro dia da II Semana de Jornalismo, tivemos a conferência com Cynara Menezes. A fundadora do Blog Socialista Morena iniciou a conversa com uma reflexão sobre a origem das fake news, fazendo uma linha do tempo desde a primeira mentira contada na época de Adão e Eva, passando por Colombo, que acreditava ter descoberto as Índias, até as notícias falsas veiculadas atualmente, com potencial de promover ou derrubar figuras públicas da sociedade. 

Foto: Semana de Jornalismo UFRN
A blogueira expôs sua opinião sobre a negatividade das fake news em inúmeros aspectos e se mostrou preocupada com os métodos e critérios utilizados por novas agências de checagem. Cynara acredita que os parâmetros devem ser utilizados igualmente em pequenos e grande portais, visto que a grande mídia não está isenta aos erros e muitas vezes retifica com “pequena nota de rodapé”. 

Com a sua simpatia e opinião forte, respondeu todas as perguntas do auditório. E revelou sua preferência aos coletivos independentes, como estratégia de rebate as notícias falsas, que permeiam não só as redes sociais.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Jair Bolsonaro: “Se vira polêmica, alguém tá errado e não sou eu”

Acompanhado por seguranças, presidenciável defende redução de impostos e armar população rural; também repete, várias vezes, que não é homofóbico 

Por Augusto Ranier e Yuri Gomes

Bolsonaro participa de entrevista coletiva. Atrás, dois de seus seguranças. Foto: Yuri Gomes/Caderno de Pauta 

A terceira edição do fórum Caminhos do Brasil, organizada pela Fiern, trouxe o deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. O evento ocorreu na última quinta-feira (17), às 20h. Nele, além de apresentar propostas, o convidado respondeu às perguntas dos jornalistas, com seu conhecido estilo controverso. 

Mesmo antes da chegada do ex-capitão, percebia-se o clima tenso no local. Frente a tradicional sede da Fiern, localizada na Avenida Salgado Filho, um carro de polícia com giroflex aceso. Homens e mulheres com camisas do PSL, novo partido de Bolsonaro, transitavam pelo local com preocupação. 

No portão, geralmente aberto, estavam deslocados dois seguranças da Fiern para filtrarem a entrada de pessoas hostis ao deputado. 

Jornalistas somente: entramos. Não sem antes sermos barrados e recorrermos a levantar a mão chamando um assessor do local, nosso amigo. 

A ocasião exigia crachá, com nome e “onde trabalha” discriminados. 

Dentro, corriam notícias de uma recepção calorosa no aeroporto – como, aliás, é o costume. Depois, Bolsonaro teria ido ao Palácio dos Esportes onde um palco e microfone foram improvisados. O ginásio, disseram, estava com metade da sua capacidade ocupada – ou seria metade vacante? 

Já o auditório da Fiern, ao contrário, fora reservado completamente com antecedência. Chegou por volta das 19h. Suado, como estava, do esforço depreendido em tirar selfies com simpatizantes e criticar quilombolas, teve de tomar banho. Afinal, até cheirando a flor, careceria da simpatia dos jornalistas. 

O Caderno não pôde confirmar, após o banho, o seu perfume em respeito ao ditado popular. 

Um quarto de hora depois, o deputado entrou na sala onde estávamos. Ainda a ensacar a parte de trás de sua camisa, dirigiu-se à ponta da mesa, tomando lugar entre três seguranças colocados ali sem explicações. Ao ver que o jornalista sentado ao seu lado trajava camisa social de cor rosa, Bolsonaro o abraçou e disse, rindo: 

“Mas eu não sou homofóbico!” 

Risadas contidas depois, começava a coletiva de imprensa. 

Como seria, afinal, o governo com Jair Bolsonaro na presidência? Respondeu, com alguma nostalgia macabra, o plano é ocupar um terço dos seus 15 ministérios com militares – sendo um o Ministério da Defesa. 

“No passado, tinha-se lá corruptos e guerrilheiros e ninguém falava nada. Por que não pode ter militar? Afinal de contas, é o meu meio” 

Inspira-se em Donald Trump e em suas medidas econômicas. Mesmo com déficit primário e quedas na arrecadação, diz ver com bons olhos o corte de impostos no setor produtivo como forma de aquecer a economia. 

“Nós temos que fazer algo parecido aqui. Alguns falam: você não pode abrir mão de impostos porque 93% do orçamento é comprometido com gastos obrigatórios. Mas a continuar como está, o avião vai bater no rochedo”. 

Adicionaria, mais tarde: 

“Nós temos que facilitar a vida de quem quer empreender. Eu não quero ser patrão no Brasil! Se cada um botar a cabeça no lugar, tem que ter muita coragem para ser patrão no Brasil” 

Quando pedido para ser mais específico nas suas propostas, diz que quem tratará desses assuntos detalhadamente será seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes, de ideologia liberal. 

No entanto, mudado o assunto para a permissão do porte de armas para todos os cidadãos, seu interesse se avoluma. Bolsonaro pretende, como contrapartida as ocupações de movimentos dos sem-terra, armar com fuzis a população rural. Mostra-se orgulhoso ao mencionar a adesão do presidenciável do PSDB a essa ideia. 

“Parabéns, Alckmin. Tá caindo na real” 

Após a entrevista, haveria ainda uma palestra. O tempo era curto. A assessoria da Fiern, vendo o avançado da hora, declarou finalizada a sabatina. Ele responderia, então, apenas perguntas de jornalistas televisivos. O canditado, vendo que a última pergunta fora proferida por alguém do sexo feminino, soltou: 

“Olha, isso é discriminação com as mulheres, viu?” 

Partíamos para o auditório quando alguém finalmente perguntou sobre ideologia de gênero. O deputado, contrariado, disse que defende a família e que “se vira polêmica, alguém tá errado e não sou eu”. 

Mas não havia tempo de acompanhar o resto. Era preciso chegar ao auditório o quanto antes. No possivelmente menor elevador que já vimos, redescobrimos o significado da palava “imprensa”. 

Chegamos no térreo: imprensa livre. O clima no lugar era outro. Facilmente distinguia-se quem trabalhava na campanha de Jair Bolsonaro e quem não. Os ligados ao candidato, quase em sua totalidade, usavam camisas com a cara do “mito” estampada. Já os que foram apenas para ver a palestra, vestiam camisas sociais ou polo. 

É fácil imaginar que, com tantos pedidos de selfie, o eventou demorou a ter início. Primeiro, porém, seria executado o hino nacional. Todos ficaram de pé e se puseram a entoá-lo com louvor, cantando em alto e bom som. 

Tendo fim o ato patriótico, pôde-se perceber a animação de alguns por estarem na presença seu candidato. Atrás de onde sentávamos, quatro garotos não continham o riso adolescente. Não deviam ter mais de 16 anos. 

“Ele tá sentado ali, galado! Que sorte” 

Bolsonaro toma seu lugar. Ao seu lado esquerdo, Amaro Salles, Presidente da Fiern. Foto: Augusto Ranier / Caderno de Pauta 

Quando finalmente subiu no púlpito, entregou uma exposição mais didática e cheia de gracejos. Defendeu, novamente, o posse de armas, a diminuição de impostos e exclusão de ilicitude para a polícia (que já existe). É interessante perceber como, com o tempo, dominou a técnica que encerrar sentenças com frases fortes de forma a provocar aplausos na plateia. Estes nunca o faltavam. 

A assistência do evento era predominantemente masculina. Todos riram e aplaudiram quando o deputado afirmou que sua candidatura era “imbroxável”. 

Mas nem tanto quando afirmou que transformaria os quilombolas em “quilombutz”, em referência aos kibutz israelenses, comunidades autônomas e igualitárias sustentadas pelo trabalho agrícola nas propriedades coletivas. Ué? 

O delírio foi geral quando disse que era o “último obstáculo para o socialismo”. 

No ponto de maior excitação, a plateia explodiu com assobios e gritos de “mito”. Bolsonaro gostou. 

Recentemente foi notícia sua recusa em participar de eventos com outros pré-candidatos (Fórum da Liberdade e Encontro com Presidenciáveis da Frente Nacional de Prefeitos). Respondeu que “não encheria a bola de candidatos com 1%”. Compareceram o segundo e o terceiro lugar, Marina e Ciro. Ela empatada tecnicamente com o primeiro lugar, ele logo abaixo dos dois com 9 a 12%. 

Para Bolsonaro, sua liderança nas pesquisas eleitorais o transforma no “único candidato popular”. Sendo assim, estaria em um patamar quase de celebração, enquanto os outros candidatos, diz, desacreditados. Afinal “O Flamengo aqui não joga com time de quarta divisão”, referindo-se a si. Novamente, estava enganado. 

Derrota contra o Macaé, que joga na série D, pelo Campeonato Carioca de 2018. Reprodução: Globoesporte.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

UFRN realiza 2ª edição da Semana de Jornalismo com o tema “Fake News e a Era da Pós-Verdade”


Acontece entre os dias 23 e 25 de Maio, a 2ª Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com o apoio do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA). O tema da edição deste ano é “Fake News e a Era da Pós-Verdade” e será realizado na sede do Departamento de Comunicação Social (Decom).

Em 2017, o evento contou com a presença de Leandro Fortes, da Agência Cobra Criada, como conferencista principal, além de atividades diversificadas que abordaram as diferentes áreas e formas de praticar o Jornalismo, fazendo jus à temática: “Novos Formatos e Novas Linguagens”.

Quem faz a Semana de Jornalismo?

A experiência de aprendizado e interação reúne profissionais, docentes e estudantes do Jornalismo para discutir um tema em destaque na área, através de palestras, minicursos, oficinas e intervenções artísticas.

Em 2017, a 1ª Semana de Jornalismo da UFRN contou com a participação de 28 voluntários do departamento na comissão organizadora. Já em 2018, esse número mais que duplicou: são 68 pessoas, entre alunos e colaboradores, dispostos nas equipes de Apoio Técnico, Assessoria, Fotografia e Redes Sociais.

A coordenação do evento, este ano, está sob a responsabilidade do Professor Dr. Daniel Dantas Lemos, do Departamento de Comunicação Social da universidade.

Fake News e a Era da Pós-Verdade

A expressão fake news é usada para se referir a notícias falsas ou imprecisas que são divulgadas, em sua grande maioria, na internet. O termo originado da língua inglesa significa literalmente “notícias falsas”, em português. Numa conjuntura em que a sua proliferação se torna uma ameaça ao ofício jornalístico, é responsabilidade de toda uma comunidade refletir, educar e combater tal prática.

2ª Semana de Jornalismo da UFRN

A programação desta edição conta com oficinas, minicursos, mostras, mesas-redondas e intervenções que englobam a temática do evento. Além disso, no primeiro dia, 23, haverá a conferência de abertura da Semana, com a presença da jornalista Cynara Menezes (Socialista Morena).

Os interessados em participar devem se inscrever no site da Semana de Jornalismo, que pode ser acessado no link: bit.ly/2Gc6vsK. Em seguida, os inscritos devem preencher os dados nos formulários em cada oficina que queira participar.

A programação completa pode ser conferida a seguir:

23 DE MAIO – QUARTA-FEIRA
13h às 15h

Oficina: Jornalismo investigativo: métodos e técnicas de investigação jornalística nos meios digitais. – Daniel Dantas Lemos (SALA 1) – (Parte 1/3).

Oficina: Ciranda textual sobre artigos científicos na área de comunicação – Cida Ramos (SALA 2).

Oficina: O jornalismo e o equilibrista ou o texto criativo na corda bamba. Uma oficina sobre a escrita jornalística e a criatividade – Thays Helena Silva Teixeira (SALA 3) – (Parte 1/3).

Oficina: Comunicação e expressão corporal: o corpo como instrumento do fazer jornalismo – Manoel Ataide de Melo Neto (SALA 4).

Oficina: Fact-checking – Cledivânia Pereira (SALA 5) – (Parte 1/2)

15h às 17h

Oficina: Fake News na Cultura Pop – Carla Menezes e Erica Zuza (SALA 1).

Oficina: Como os perfis literários cumprem uma função de humanizar as pessoas e gerar empatia nos leitores? – Jadeanny Arruda, Michelle Ferret e RN Invisível (SALA 2).

Oficina: Observatório Amaru: ferramenta de monitoramento das violações de direitos humanos na mídia eletrônica (SALA 3).

Minicurso: Videorreportagens na web: formatos e técnicas – Álvaro Miranda e Bruna Justa (SALA 4) – (Parte 1/2).

Oficina: Jornalismo esportivo. – Bruno Wesckley Batista de Araújo (SALA 5).

Abertura da Mostra Fotográfica – Departamento de Comunicação.

17h às 19h

MOSTRA AUDIOVISUAL – (Auditório do Departamento de Comunicação).

19h às 21h

Conferência de abertura da Semana de Jornalismo 2018 – Cynara Menezes (Socialista Morena).


24 DE MAIO – QUINTA-FEIRA
13h às 15h

Oficina: Jornalismo investigativo: métodos e técnicas de investigação jornalística nos meios digitais. – Daniel Dantas Lemos (SALA 1) – (Parte 2/3).

Oficina: Comunicação para movimentos sociais – Frente Brasil Popular (SALA 2).

Oficina: O jornalismo e o equilibrista ou o texto criativo na corda bamba. Uma oficina sobre a escrita jornalística e a criatividade – Thays Helena Silva Teixeira (SALA 3) – (Parte 2/3).

Oficina: Linguagem Fotográfica para Dispositivos Móveis – Alice Andrade e Beatriz Paiva (SALA 4).

Oficina: Usando métodos ágeis e ferramentas digitais na produção diária de conteúdo transmídia – Paulo Roberto Moreira (SALA 5).

Oficina: Fact-checking – Cledivânia Pereira (SALA 6) – (Parte 2/2).

15h às 17h

Oficina: Fake News: Baseado em Fatos Reais. Exibição de documentário e debate sobre a relação entre notícias falsas e mídias hegemônicas. – Antonino Condorelli (SALA 1).

Minicurso: Videorreportagens na web: formatos e técnicas – Álvaro Miranda e Bruna Justo (SALA 2) – (Parte 2/2).

Oficina: Tópicos básicos em Assessoria de Imprensa – Stephanie Coelho (SALA 3) – (Parte 1/2).

Minicurso: O processo criativo na fotografia: entre o documental e a arte contemporânea – Alexandre Ferreira dos Santos (SALA 4) – (Parte 1/2).

17h 19h

MOSTRA AUDIOVISUAL – (Auditório do Departamento de Comunicação).

18h30 

Intervenção artística do Projeto de Extensão Teles e Textos – (Entrada do Decom).

19h às 21h 

Sarau Insurgências Poéticas – (Anfiteatro, frente ao Decom).


25 DE MAIO – SEXTA-FEIRA
13h às 15h

Oficina: Jornalismo investigativo: métodos e técnicas de investigação jornalística nos meios digitais. – Daniel Dantas Lemos (SALA 1) – (Parte 3/3).

Oficina de Agitação e Propaganda – Levante Popular da Juventude (SALA 2).

Oficina: O jornalismo e o equilibrista ou o texto criativo na corda bamba. Uma oficina sobre a escrita jornalística e a criatividade – Thays Helena Silva Teixeira (SALA 3) – (Parte 3/3).

15h às 17h

Oficina: Jornalismo além das fronteiras: Como se preparar para o mercado de trabalho com experiências fora do RN - Marina Cardoso (SALA 1).

Oficina: Tópicos básicos em Assessoria de Imprensa. – Stephanie Coelho (SALA 2) – (Parte 2/2).

Minicurso: O processo criativo na fotografia: entre o documental e a arte contemporânea – Alexandre Ferreira dos Santos (SALA 3) – (Parte 1/2).

Oficina: Venda Mais nas Redes Sociais: Conheça 4 passos para o Sucesso no Marketing Digital – Vanessa Carvalho (SALA 4).

17h às 19h 

Mesa redonda: “Fake news e a era da pós-verdade”. – Participantes: João Victor Leal - (Agência Saiba Mais), Ricardo Araújo (Tribuna do Norte), Professor Eduardo Pellejero (Departamento de Filosofia da UFRN) – Medição: Professora Socorro Veloso – (Auditório do Departamento de Comunicação).



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