segunda-feira, 30 de julho de 2018

Flow, Cecília Lemes e Gustavo Berriel encerram a edição de maioridade do Sana FCNB

Por Ana Flávia Sanção, Beatriz Navarro, Germano Freitas e Marcelha Pereira
A banda de rock japonesa FLOW fechou o terceiro e último dia do Sana 2018. Foto: Wesley Hokino/Divulgação
A edição dos 18 anos do Sana se encerrou neste terceiro e último dia com apresentação da banda japonesa de rock FLOW, palestra com os dubladores de Chaves Cecília Lemes (Chiquinha) e Gustavo Berriel (Seu Barriga, Nhonho e Jaiminho), concurso de cosplayers InSana e K-pop Cover, contabilizando em torno de 25 mil visitantes.

Também houve espaço para quem gosta de jogos de mesa, com o encerramento da sala de Cards and Games com competições de Yu-Gi-Oh!Magic: The Gathering e Pokémon TCG – além do espaço para RPG. Outras atrações foram os bate-papos com os youtubers Morimura, Muca Muriçoca, Sheviii e Three

No espaço da Kocca (Agência de Conteúdo Criativo Coreano), além das tradicionais oficinas de vestes tradicionais e degustação de comidas típicas, presentes durante todo o evento, também aconteceu uma mostra cinematográfica, com exibição de animações coreanas no palco Art&Fest. 

A sala de Cards e Games contou com competições de Yu-Gi-Oh!, Magic: The Gathering e Pokémon TCG. Foto: Equipe Grupert 
Logo após a mostra, o concurso de K-pop Cover reuniu os fãs e visitantes curiosos para verem os grupos de dança se apresentarem na fase final, também no palco Art&Fest. O primeiro lugar ficou com o grupo Wat Boy, que levou para casa o prêmio de R$ 1.300 e garantiu vaga na próxima edição do SANA.

A movimentação do palco Games se deu, em maior parte, com as finais de campeonatos de vídeo games. Para começar o dia tivemos Hearthstone, com a disputa de Dexter e Hyperkill; o placar ficou de 3x1 para o segundo, que foi premiado com R$ 400. Para Dragon Ball Fighter Z, a competição foi entre Boleta e Acélio, com o placar de 3x2, respectivamente; competição apertada pelo prêmio de R$ 250. Street Fighter V foi o terceiro confronto do dia, entre Jefinho e De Reis, com o placar de 3x0 para o primeiro, que faturou R$ 100 com a conquista. Tekken 7 teve a partida entre Fox e Max, com placar 3x0 para Fox, garantindo-lhe o prêmio de R$ 250. 

Fase final do concurso K-pop Cover reúne fãs e visitantes curiosos no palco Art&Fest. Foto: Equipe Grupert
Novidade no evento, este ano houve participação do Campeonato Nordestino de Futebol Digital, nas modalidades PES e FIFA. Neste domingo, foi premiado o vencedor da modalidade PES, Wanderley Gomes, que também garantiu uma moto 125 CC 0km.

Ainda no palco Games, aconteceu a ação da dupla Shevii e Three, que falaram bastante da carreira, sobre polêmicas e perspectivas para o futuro. Além disso, os amigos jogaram uma melhor de três de League of Legends em competição um contra um, saindo Three como vitorioso e deixando para o companheiro a dívida de 50 flexões, paga na hora.

Às 15h30, os dubladores do Chaves, Cecília Lemes e Gustavo Berriel, participaram de uma coletiva de imprensa, na qual responderam curiosidades dos repórteres. No espaço, eles falaram como começaram a dublar os personagens do seriado mexicano mais famoso do Brasil: Cecília passou a dublar a Chiquinha depois que Sandra Mara, a primeira dubladora da personagem, precisou sair do Brasil. Segundo ela, foi uma surpresa ter sido escolhida, já que ela dublava a Paty anteriormente. 

Gustavo começou a dublar seus personagens Seu Barriga, Nhonho e Jaiminho devido o falecimento do dublador Mário Vilela, em 2005. Ele mencionou que era presidente de um fã-clube de Chaves na época em que foi convidado, por causa da semelhança de voz com o primeiro dublador dos personagens e, segundo ele, foi uma honra trabalhar com os dubladores que eram e ainda são uma inspiração para seu trabalho. Após a coletiva, os dois dubladores seguiram para a palestra no palco Art&Fest, onde prosseguiram com a linha de conversa realizada na sala de imprensa.

Dubladores do seriado Chaves, Gustavo Berriel e Cecília Lemes falaram à imprensa e ao público. Foto: Equipe Grupert
A banda japonesa FLOW foi a grande e última atração da noite. Em entrevista coletiva, os integrantes Keigo Hayashi, Kōshi Asakawa, Takeshi Asakawa, Hiroshi Iwasaki e Yasutarō Gotō falaram um pouco sobre o processo de criação de suas músicas e sua relação com animes. Famosos pelas músicas de animes como Naruto e Dragon Ball, realizaram o show de fechamento do evento às 17h30, cantando seus principais sucessos.

domingo, 29 de julho de 2018

Grupo RANIA, Alfredo Rollo e KamiKat participam do segundo dia do Sana 2018

Por Ana Flávia Sanção, Beatriz Navarro, Germano Freitas e Marcelha Pereira
Girlband sul-coreana RANIA fez sua primeira visita ao Ceará nesta edição do Sana. Foto: Wesley Hokino/Divulgação
Um público mais numeroso, em torno de 25 mil pessoas, visitaram o Centro de Eventos do Ceará para o segundo dia do Sana 2018. O grupo sul-coreano de K-pop, RANIA, e o mais famoso jogador profissional brasileiro de League of Legends, KamiKat, reuniram a maior parte dos visitantes do evento nos espaços de suas apresentações. Muca Muriçoca, famoso por seu canal de entretenimento no YouTube, e os dubladores Alfredo Rollo (Vegeta, em Dragon Ball) e Marcelo Campos (Yugi, em Yu-Gi-Oh), também estavam presentes no evento para se relacionarem com seus fãs. 

No palco Art&Fest, aconteceram as competições de K-pop e o Desfile de Cosplay. As salas temáticas do Sana, grandes pontos de encontro entre o público, servem como um espaço destinado exclusivamente para o debate entre fãs. A novidade foi a sala da Marvel, que este ano veio com palestras sobre a luta contra o preconceito no universo dos X-Men, a história da Marvel nos jogos, mulheres no universo Marvel e mais temas interessantes que geram debate entre os apreciadores. E, como em toda edição, a sala temática de K-Pop também está presente, com danças e espaço para vendas de produtos da cultura coreana. 

Espaço de vendas da Sala Temática Marvel. Foto: Equipe Grupert
Nesta edição, estão sendo comemorados os 15 anos da sala temática Tokusatsu, na qual estão acontecendo exposições de peças de colecionadores e onde alguns ilustradores estão comercializando seus trabalhos. Na sala do Harry Potter, com o tema principal de Copa Mundial de Quadribol, ocorreram partidas de Quadribol, gincanas de narração de tais partidas, oficina de marcenaria de como fazer sua própria varinha, entre outros jogos e dinâmicas interativas com os fãs. 

Em mais um dia de games, tivemos os jogos do campeonato de LoL no Sana 2018: aconteceram as semifinais e a final do torneio. Para abrir o dia, jogaram os times Bokuno Otaku Academia e Nunca Nem Vi, saindo como vencedor o primeiro; a série seguinte foi entre os times Fox e Trabalhadores Desempregados, este último saindo como vencedor. Seguindo a linha de toda a competição, a final também foi uma melhor de três partidas. Apesar do desempenho equilibrado e alternância no domínio dos jogos, os Otakus levaram o título com uma vitória de 2 a 0 sobre os Trabalhadores Desempregados.


Convidados


Uma das principais atrações do segundo dia, KamiKat, ou apenas Kami, subiu ao palco Sana Games para falar sobre a carreira, seu trabalho como consultor para a Pain Games, o projeto pessoal do jogador para se tornar um piloto de aviões formado e sua perspectiva para voltar ou não ao  mundo competitivo de League of Legends, além de também responder às perguntas do público. 

Dois dubladores famosos por seus personagens em animes reuniram fãs no pavilhão do Sana: Marcelo Campos e Alfredo Rollo. Marcelo, também famoso por ter feito Edward Elric em FullMetal Alchemist, falou sobre a carreira, o trabalho de dublador, contou histórias de inspiração e incentivou sua platéia a perseguir aquilo que gosta para seu futuro. Alfredo Rollo, famoso principalmente pelos seus personagens Vegeta, em Dragon Ball, e Brock, em Pokemón, palestrou para os visitantes e falou um poucos sobre sua trajetória como dublador e os personagens que marcaram sua carreira.

O dublador Alfredo Rollo, voz dos icônicos personagens Vegeta (Dragon Ball) e Brock (Pokémon), falou à imprensa e ao público do evento. Foto: Equipe Grupert
Espaço Coreia

As grandes atrações do K-pop foram os concursos. Abrindo o Art&Fest às 13h, o K-pop World Festival, maior competição de cover do pop coreano no mundo, trouxe premiações que somavam R$ 12 mil para as categorias de dança e canto. Às 16h30, o K-pop Cover, concurso promovido pelo Sana, trouxe apresentações de grupos principalmente regionais. 

No Espaço Coreano, promovido pela Embaixada Coreana e pela Kocca (Agência de Conteúdo Criativo Coreana) aconteceram as oficinas de Hanbok, vestimentas tradicionais coreanas, exibição de K-dramas e TV shows.

O palco do K-Pop World Festival foi um dos mais movimentados neste segundo dia de evento. Foto: Equipe Grupert
A grande atração do K-pop foi o girlgroup RANIA, composto pelas quatro garotas: Jieun, Ttabo, Zi.U e Hyeme. Essa foi a primeira vez das meninas no Ceará, em um evento que abarcou muito mais espectadores do que o último em São Paulo, o que as deixou bem animadas. 

Apesar da cultura do Brasil e da Coreia ser bastante diferente, RANIA afirmou que "na música, isso não é tão importante, todos conseguem se unir”. Levando isso em consideração, elas visitaram Fortaleza e até jogaram vôlei na praia com alguns desconhecidos.

Para as meninas, chegar ao Brasil é um passo muito grande e elas esperam que, de agora em diante, possam visitar outros países, fazer mais álbuns e se apresentar na TV. É perceptível o cuidado que elas têm com os fãs e a vontade de se aproximar mais deles, seja aprendendo simples frases como "olá, meu nome é", ou com a apresentação de Ragatanga. Para fechar a noite, elas se apresentaram em um show com duração de uma hora no palco do Sana Music. Essas ações ajudam as artistas a se aproximarem do público e divulgarem seu trabalho.

sábado, 28 de julho de 2018

Começa o Sana FCNB 2018, edição que marca os 18 anos do maior evento de cultura pop do Norte-Nordeste

Por Ana Flávia Sanção, Beatriz Navarro, Germano Freitas e Marcelha Pereira


Foto: Divulgação/Sana 2018
Comemorando os seus 18 anos, com cerca de 20 mil visitantes no primeiro dia, o Sana 2018 começou com a presença de convidados famosos como Bruno Sutter e Akira Kushida, a abertura das salas temáticas e o início das competições de games como League of Legends (LoL). O evento é mais uma vez promovido pela Fundação Cultural Nipônica Brasileira (FCNB), que impulsiona a realização de projetos relacionados à animação, quadrinhos, cinema e diversas produções orientais.

A concentração dos visitantes se deu principalmente no palco Art&Fest, centro das apresentações artísticas; no Espaço Coreia, coordenado pela Embaixada Coreana e a Kocca (Agência de Conteúdo Criativo Coreana); na arena da Idade Média, com temática da série Game of Thrones; no palco de Games, com campeonatos e palestras; nos brinquedos de esportes radicais trazidos pelos patrocinadores do evento; e no palco Sana Music, que teve presença do artista Bruno Sutter e do cantor japonês Akira Kushida. 

Outro foco de aglomeração foram as salas temáticas. Esse ano, o evento trouxe três salas diferentes: uma dedicada a Harry Potter, outra ao universo Marvel e uma última ao K-Pop, além do CineSana, que teve exibição de animes. 

Além da programação de atrações, haviam competições de Just Dance, lojas de souvenirs, decoração de partes do pavilhão principal com estátuas gigantes trazidas pela Gracom de Dragon Ball e super-heróis da Marvel, assim como o espaço do Artist Alley, com exposições dos artistas locais, desenhistas e escultores. Lá, além de quadros, estão sendo vendidos bottons, adesivos, cadernos, entre outros.

Na Sala Temática Marvel, os fãs dos quadrinhos puderam das asas à imaginação ao colorir os seus personagens preferidos. Foto: Equipe Grupert
Games 

O palco Sana Games teve como destaque as partidas da quarta-de-final do campeonato de League of Legends, uma série melhor de três partidas, entre os times Vertryx e Fox, este último saindo vitorioso. Após isso, os comentaristas da partida convidaram dez jogadores do Elo Bronze, ranque mais baixo de um jogador no game, a subirem ao palco e jogar uma partida amistosa, apelidada pelo evento como Rei do Bronze.

Além do palco Sana Games, as pessoas poderiam jogar Street Fighter, Fortnite e LoL em outros lugares espalhados pelo evento, como no final do primeiro andar e ao lado das exposições do térreo.

Convidados + Show 

Para o primeiro dia de evento, os convidados foram o cantor japonês Akira Kushida, famoso pelos trabalhos com vários seriados japoneses, e o humorista e músico brasileiro Bruno Sutter, este sendo o show de maior público e a atração mais conhecida pelos brasileiros, principalmente os mais jovens.

Bruno Sutter foi uma das atrações principais deste primeiro dia de Sana 2018. Foto: Equipe Grupert
Sutter realizou seu show solo por volta das 17h30 e em todas as suas músicas foi seguido por uma legião de fãs animados. Ele conversava com seus admiradores e relembrava tempos antigos no intervalo de cada música. Logo após à apresentação solo, ele continuou o show como Detonator. Em coletiva de imprensa, Bruno mencionou o quão importante o Sana havia sido para ele em 2017, já que o DVD de retorno da banda Massacration foi gravado durante o show deles no evento. 

Akira foi a atração final do dia e, prestes a completar 70 anos de idade, ele conta com o público para continuar a cantar: “A energia dos fãs se torna minha energia”. Conhecido pelo trabalho na trilha sonora de Jaspion, Jiraiya e outros seriados, ele gosta de usar a música como forma de apresentar a cultura de seu país. Quando perguntado, ele fica feliz com a atenção dada em eventos como o SANA. Entre os trabalhos mais recentes do cantor, está uma música para o anime Dragon Ball Super. Segundo ele, gostaria de poder fazer mais músicas para animes atuais, mas ele acha que falta um ainda mais empolgante e com mais ação.

Espaço Coreia

A Embaixada Coreana e a Kocca trouxeram para mais um ano de Sana uma área completamente dedicada à cultura da Coreia do Sul, com direito à degustação de comidas típicas, jogos tipicamente coreanos e oficina de vestes tradicionais (Hanbok) e de tatuagens removíveis.

Parte da degustação do Espaço Coreia, o Bibimpap é feito de arroz, vegetais, carne e é bem apimentado. Foto: Equipe Grupert
Assim como no ano passado, o espaço para a degustação de comidas tipicamente coreanas trouxe três pratos. Desta vez, os escolhidos para serem degustados foram o Bibimpap, Bulgogi e Yakgwa. Bibimpap é feito de arroz, vegetais e carne, já o Bulgogi é uma espécie de churrasco coreano, os dois levam pimenta, mas o primeiro prato é mais apimentado do que o segundo. O Yakgwa foi a sobremesa do dia e é um biscoito tradicional na Coréia feito com mel, canela e suco de gengibre. 

A novidade do Espaço Coreano esse ano foi a exposição do literatura coreana. Segundo Bárbara Brisa, responsável pela Korea 1, o mercado internacional dos livros coreanos “é ainda um mercado pequeno, mas que vem crescendo com o passar dos anos”. Na mesa havia exemplares de grandes sucessos literários como Flor Negra, de Kim Young-Ha, e A Vegetariana, de Han Kang, além de livros infantis e romances históricos. 

No palco Art&Fest, os fãs de K-pop se reuniram para celebrar os ídolos com covers e brincadeiras. A diversão começa mesmo neste sábado (28), com uma das etapas seletivas do concurso K-pop World Festival.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Henrique Meirelles: “Tenho certeza que vou ganhar as eleições”

Confiante do seu desempenho nas urnas em outubro, o pré-candidato do MDB defende a plataforma econômica do governo Temer e é cortejado por empresários em Natal

Por Augusto Ranier e Yuri Gomes

Na última quinta-feira (12), esteve em Natal o pré-candidato do MDB à presidência da república, Henrique Meirelles, palestrando para empresários industriais no Fórum Caminhos do Brasil, organizado pela FIERN. O ex-ministro da Fazenda está viajando pelo Brasil em busca do apoio partidário para emplacar sua candidatura ao Planalto.

Henrique Meirelles, acompanhado do Senador Garibaldi Alves (MDB), em entrevista coletiva na FIERN. Divulgação: Fiern 

Com duas horas de atraso, Meirelles chegou à coletiva de imprensa quea antecedeu sua palestra. Não esperou as perguntas dos jornalistas e logo se adiantou em fazer uma introdução daquilo que iria falar mais tarde ao público. Começou falando sobre infraestrutura, tema revivido pela greve dos caminhoneiros, para declarar que uma de suas prioridades para a Região Nordeste é a conclusão da ferrovia Transnordestina. 

A sua passagem pelo Banco Central no governo Lula é sempre lembrada em seu discurso. Atribui a si próprio os méritos pelo crescimento econômico durante a gestão petista. “Muitas pessoas têm boas lembranças daquela época e com razão, à medida que, durante oito anos, estabilizei a economia e coloquei o país para crescer”, afirmou. 

Primeiros seis meses

O emedebista se esquiva de declarar que a sua gestão será uma continuação do governo mais impopular da história, do qual foi, até a sua saída, o nome mais importante. Contudo, não evita afirmar o seus “resultados concretos” e sinalizar para uma continuidade do trabalho feito no Ministério da Fazenda. 

Promete, em seus seis primeiros meses, aprovar um pacote com 15 projetos de lei, que incluem a autonomia do Banco Central, a criação do cadastro positivo, a reforma tributária do PIS/Cofins e a desestatização da Eletrobras. Todos os itens já foram apresentados ao congresso.

Evangélicos, aborto, legalização das drogas e casamento gay

Um dos candidatos mais próximos da comunidade evangélica, Meirelles, quando ministro da Fazenda, chegou a pedir “orações” pela economia aos fiéis da Assembleia de Deus. É comum a presença dele em eventos da igreja. Em maio, esteve em Natal presente na comemoração dos 100 anos da congregação no Rio Grande do Norte. 

Dessa forma, o político acena para o público da maior igreja pentecostal do mundo. Segundo dados da igreja nos EUA, são cerca de 22 milhões de membros no Brasil. São potenciais eleitores que possuem pautas ideológicas conservadoras e podem, assim, definir os rumos das eleições de outubro. 

Para conquistar seus fiéis, Meirelles faz pregações por igrejas de todo o Brasil. É um enorme palanque para o emedebista, que já conta com a máquina do maior partido do Brasil.

Os temas mais sensíveis ao eleitorado protestante são justamente aqueles menos tocados pelo discurso de Henrique Meirelles: as pautas identitárias. Sua estratégia de campanha parece avaliar que manter distância desses assuntos faz com que o seu nome seja viável para progressistas e conservadores. No entanto, questionado da sua posição sobre aborto, soou como um deputado da bancada evangélica: “No caso do aborto, sou favorável à vida”. 

No mês passado, Meirelles chegou a falar, em entrevista à Istoé, que liberaria o uso da maconha no país, caso eleito. A declaração repercutiu negativamente entre líderes evangélicos e o candidato logo tratou de marcar encontros com pastores se justificar, em Brasília e São Paulo, segundo noticiou O Globo. Na Fiern, o ex-ministro recuou na posição e explicou sua fala: “Em relação ao uso da maconha pelos jovens, eu disse que a pior solução possível é se pegar jovens consumidores e colocá-los na cadeia. Eles vão sair de lá bandidos”. 

Ao posicionar-se sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, Meirelles se afastou do tema, mas usou-se do discurso da suposta propaganda que escolas faziam sobre ideologia de gênero. “Isso não é uma questão de governo, é algo individual. Mas, agora, uma coisa é proibir o direito individual das pessoas, outra coisa é a escola ficar promovendo essas coisas”, disse. 

O candidato da casa 

Após a coletiva de imprensa, Henrique Meirelles apresentou suas propostas a empresários do setor industrial, militantes e lideranças do seu partido no estado. Pouco antes do início da apresentação, o presidente da Fiern, Amaro Sales de Araújo, elogiou e cortejou o emedebista. “É alguém que tem credibilidade com nós, os industriais”, disse. 

Meirelles não enfrentou oposição dos presentes no pequeno auditório. Durante sua fala, apresentou os números da economia brasileira, de quando comandou a pasta da Fazenda; os dados, no entanto, não vão além de dezembro do ano passado. Aponta a cautela das empresas internacionais em investir no Brasil como a razão principal para baixa e lenta recuperação econômica. “Conversei com representantes de empresas do exterior e todos me dizem: nosso orçamento para o Brasil está pronto, mas vamos aguardar a definição das eleições”, contou. 

Falou por cerca de uma hora, depois rumou para reunião com lideranças do partido - a principal presente era o Senador Garibaldi Alves, com quem ficou acompanhado todo tempo. O encontro do MDB aconteceu nas dependências da própria Fiern. 

É da casa. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Seis de julho

Por Luiza de Paula

Imagem: Site Os Mais

A melhor especialidade da Copa do Mundo é gerar fatos inusitados: quarta-feira ensolarada, férias, 8h da manhã e eu já de prontidão em uma loja de decoração. Na sexta-feira, o estádio do dia ia ser a minha casa, junto com a associação dos Amigos Futebol Clube. Precisava decorá-la, assim me sentia mais próxima do Hexa. Bolas amarelas. Fitas verdes. Plaquinhas que podem ser aplicadas à vida, como um: “fala muito” e “juiz $@!?#%.” 

O data-show sem funcionar minutos antes do início do jogo BRA x BEL me parecia um presságio negativo. Ok, tudo resolvido. Comidas. Cerveja e uma gente do bem reunida. Energia boa. Até o 1 gol da Bélgica. Mas, vai, ainda dá para recuperar. Opa! Gol da Bélgica. Meu irmão chorou. O clima foi ficando tenso. Mas na minha cabeça o hexa era nosso! Nosso até o temido apito final. Foi o último suspiro e... Home sweet Home! Forçoso, sorrateiro, intempestivo e prematuro. Mas vitórias e derrotas fazem parte do esporte, assim como da vida. Ganhar é legal, mas perder também é bonito. E perder com dignidade engrandece o espírito. 

Aprendi com meu irmão, 8, que ressignificar a dor é o caminho mais inteligente. Às 16h, lágrimas rolaram pelas maçãs do seu rosto. Às 18h, ele fez da quadra a sua melhor amiga quando decidiu descer para jogar futebol. E isso é o que há de mais sagaz na vida: cair aqui, mas levantar acolá. 

O esporte também é pedagógico, mas a boça da intelectualidade é desesperadora ao divulgar por aí que copa é unicamente “Pão e Circo”. E se for, bem que estávamos precisando de um pedaço de pão e de uma festa no circo! O Brasil que o Brazil não conhece morre de fome desde 1530. O Brasil periférico tem como espetáculo a criminalidade e não o Circo. Então, que bom que a copa possa propiciar essa ilusão de garantia de comida & cultura, mas como toda ilusão, é efêmera. O pragmatismo e o realismo político batem à nossa porta. 

E isso aconteceu dia 06 de julho de 2018. Lamentável dia. “O hexa” era uma excelentíssima desculpa para reunir os amigos e amigas para os comes e bebes à moda estudantil. Eu só podia narrar t-u-d-o errado 90 minutos de futebol e todos continuarem compenetrados sob a desculpa de fundo “do Hexa.” “O hexa vem” virou clichê, viralizou no meu vocabulário e só agora me dei conta que nem era tanto pela conquista do sexto título mundial, mas sim para ter uns minutinhos com quem amo. 

Ah! 

Intelectuais, não se preocupem! (Quem sou eu para dizer isso?) Mas anda correndo boatos na novela jurídico-político brasileira que há notícia boa para vocês: a normalidade por aqui parece que já voltou: domingo, 08 de julho de 2018, alguns membros do Poder Judiciário seguiram firme na disputa fervorosa na defesa das suas hashtags preferenciadas – de um lado, a #LulaLivre. De outro, #LulaNaCadeia. Tipo batalha entre o #TeamLula e #TeamAntiLulaEAbaixoAEsquerda. Gravíssimo, né? Até Moro, #TeamAntiLula, deu um time nas férias em Portugal para se pronunciar onde nem fora chamado... O interesse pela pátria é grande, caros leitores, devemos compreender. 

De todo modo, a situação de instabilidade no judiciário é um fortíssimo indício de que a Copa do Mundo realmente acabou. Por aqui, tudo sob descontrole – estamos novamente em territórios conhecidos e, por aqui, nada de inusitado.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Aqui não tem espaço para o seu fetiche

Por Allyne Paz 

Imagem: Instagram da Querida Guacha

Ser mulher não é fácil não. Ser mulher é você lutar todo dia. E eu já fui surpreendida com algumas frases, como perguntarem se algum homem já me decepcionou só porque eu estava me relacionando com outra mulher, ou perguntarem ‘quem é o homem da relação?’”. Esse é o relato de Luciana Guedes, lésbica, que sofre diariamente com o preconceito de uma sociedade machista e patriarcal. 

Luciana, 20, é estudante de pedagogia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e uma das responsáveis pela militância da visibilidade lésbica na universidade que estuda. Ela conta que já sofreu inúmeras vezes com discursos machistas e homofóbicos. “Já perguntaram se poderia participar, se eu estou querendo ser homem, perguntarem como a gente transa e eu acho isso completamente invasivo, sabe? Não te interessa, cara. Não te interessa como nós vivemos. Já ouvi ‘que desperdício’, muitas vezes. E tudo isso é como um resultado da cultura que a gente vive”, afirma. 

Luciana não é a única mulher que vivencia esse tipo de situação. Ela é apenas mais uma das inúmeras lésbicas que sofrem esse preconceito e violência. E, infelizmente, esse quadro não está perto de acabar. Ao fazer o exercício de procurar a palavra “lésbica” no Google, o maior site de busca mundial, infelizmente, nos deparamos com uma série de desprezo à comunidade lésbica que existe, [resiste] e precisa de respeito. Os resultados da busca aparecem de acordo com o que os usuários do site mais acessam e, quando se trata sobre lésbicas, as primeiras buscas são relacionadas a vídeos de pornografia. Isso não é normal. Ou pelo menos não deveria ser visto como tal. 

Atualmente, a sociedade vem discutindo temas que antes eram difíceis de serem debatidos e, a partir do início desse diálogo, muitas questões já foram resolvidas ou, pelo menos, foram colocadas em pauta. Dentre elas, a questão da mulher e a sua liberdade está sendo discutida, contudo, ainda há uma lacuna sobre a mulher em relacionamentos homoafetivos. Essa lacuna é comprovada quando mulheres lésbicas são surpreendidas por discursos machistas que repercutem a falta de respeito e o preconceito exorbitante. E pensando nisso, é fácil perceber que a mulher, mais uma vez, parece estar na sociedade para servir os desejos do homem. 

Mas não, não estamos. 

Lamentavelmente, o Brasil é um país extremamente violento e cruel quando se trata em questões de respeito ao próximo. De acordo com o primeiro Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil, idealizado pelo Grupo de Pesquisa Lesbocídio – As histórias que ninguém conta, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a violência contra mulheres lésbicas está aumentando gradativamente. O documento apresenta que, entre o período de 2000 a 2017, foram registrados 180 homicídios contra as lésbicas. 

A ausência de estudos e dados oficiais sobre a vida e saúde das mulheres lésbicas no Brasil só dificulta o combate à esses problemas, que são estruturais e estruturantes. A soma da falta de preocupação com a vida dessas mulheres mais o preconceito resulta em dezenas de lésbicas mortas a cada novo ano. 

Liberdade para relacionamento homoafetivos não é segurar a mão em determinados ambientes ou ter de fingir ser apenas amiga da mulher que é sua companheira. Liberdade em um relacionamento homoafetivo é naturalizar o que é natural. É poder demonstrar afeto em público, é conseguir casar sem que isso seja visto como uma aberração para muitos. Liberdade está relacionada a ser quem você é. Liberdade tem nome de mulher. Está relacionada diretamente em agir como quer, sem ter que se esconder, sem preconceito. 

Essa vontade de ser quem é sem ter medo das pessoas é algo que Clarice Nascimento, 20, estudante de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pretende alcançar quando, mesmo com olhares preconceituosos, permanece de mãos dadas. “Uma das partes mais difíceis é a questão de ficar se escondendo, não poder andar de mãos dadas, por que tal pessoa vai achar ruim. Mas eu ajo como se isso fosse uma intervenção política, sabe? Essa é a minha militância”, declara. Assim, Clarice encontrou uma maneira de lutar e conseguir naturalizar aquilo que é visto como anormal para a sociedade. O único desejo da estudante é simples: “Eu espero que a humanidade um dia aceite com respeito, com amor, sabe? As formas de se amar do ser humano...”. 

Essa luta vai muito além da questão de respeito, é um direito humano que precisa ser garantido para que essas mulheres que sofrem e resistem sejam vistas. As mulheres lésbicas são invisíveis para a sociedade a não ser que estejam em vídeos de pornografia, porque, para muitos homens, é apenas dessa maneira que as lésbicas existem. Essa invisibilização permite que o preconceito reine no dia a dia de mulheres que se relacionam com outras, como é o caso das entrevistadas. 

Para isso, é preciso incentivar estudos sobre o porquê de as mulheres lésbicas estarem morrendo cada vez mais e cabe à gestão de políticas públicas disponibilizar normas e condutas que melhorem a qualidade de vida destas mulheres. Se estamos lutando por uma sociedade cada vez mais justa e igualitária, que seja para todos os gêneros, orientações sexuais e etnias. Afinal, a não preocupação com a vida dessas mulheres é uma irresponsabilidade social ao direito de existência da comunidade lésbica. 


Aqui só tem espaço para o amor entre duas mulheres. Aqui não é o lugar para o homem. Respeite a orientação sexual do próximo como se fosse a sua.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Lily - Uma história de dor, fé e vida

Com apenas 10% de chances de sobreviver, a jovem manteve a esperança e hoje conta sua vitória na luta contra o câncer 

Por Luciano Vagno

A jovem Liliany de Carvalho Fernandes levava uma vida normal como a de qualquer outra jovem de sua idade. Estudava, brincava e saía com os amigos para os passeios da Igreja. No entanto, aos quinze anos de idade, a adolescente descobriu algo que mudaria toda sua história: o câncer. 

Lily, como é mais conhecida, e sua família começaram a perceber algumas mudanças anormais em seu corpo. “Eu comecei a perder muito peso. Cheguei a pesar 35 quilos aos quinze anos”, conta. Sua família a levou para um clínico-geral e ele lhes disse que se tratava de uma hepatite. A jovem começou o tratamento da doença, entretanto, mais mudanças continuaram a ocorrer em seu corpo: caroços começaram a surgir em seu pescoço. O médico, então, lhe recomendou um oncologista. 

O encaminhamento ao oncologista, médico especialista em câncer, causou de imediato um estranhamento na família Fernandes. O novo médico exigiu uma bateria de exames para comprovar a suspeita que logo mais seria comprovada: um Linfoma de Hodgkin, um dos casos mais difíceis de obter cura. O câncer estava espalhado pelo tórax, abdome, fígado e pâncreas. 

“Não foi fácil. Foi bem complicado. Meu médico era ‘cru’ com as palavras, não poupava a verdade mesmo que isso doesse”, diz Lily. E acrescenta: “Ele nos disse que eu realmente estava com câncer e que estava em um estado muito avançado porque se espalhou de uma forma muito rápida. Eu nem percebi. Não doía. Só percebi quando começou a externar”. 

Em meio ao furacão que ocorria em sua vida, Lily, evangélica, membro da Assembleia de Deus, manteve firme a fé. “Deus está acima de tudo. Ele não mudou. Seu poder, sua glória e Ele vão além da Medicina. Os médicos diziam que eu tinha apenas 10% de chances de sair viva, mas eu sabia que no tempo certo Deus iria agir.” 

Lily na época do tratamento. Foto: Arquivo pessoal 
Lily tinha a firme convicção de que Deus iria lhe curar. Foi por essa razão que ela decidiu tirar algumas fotos de quando estava doente para futuramente tê-las como provas. “Algumas pessoas acreditam quando contamos minha história, mas outras precisam ver para crer”, afirma.

No início do tratamento, Lily passou quase um ano sendo submetida a quatro horas de quimioterapia todos os dias. Depois de um ano e dois meses nessa rotina, seu médico disse que a doença não regrediu em nada, o caroço estava com cinco centímetros e a dosagem precisou ser dobrada. As sessões de quimioterapia passaram a ser de oito horas diárias enquanto a quantidade de medicamentos orais subiu para quatorze por dia. O médico havia alertado a ela e sua família de que a jovem poderia precisar ser internada, pois o tratamento seria doloroso, e que ela iria sofrer. “Mesmo com o doutor dizendo que eu ficaria debilitada, eu nunca precisei me internar, graças a Deus, eu saía da clínica e ia direto para casa.”, conta. 

Lily relata que, dois meses após a intensificação do tratamento, Deus falou com o pastor Ivanildo Dias, que nesse tempo morava no México. “Deus disse para ele vir aqui orar por mim”. Aconteceu que, ano de 2003, o pastor Ivanildo foi à casa de Lily em Nísia Floresta, fez a oração e pediu para que fosse feito mais um exame. “Eu já estava careca, o que era horrível para mim, e fui mostrar o exame ao médico”, relembra. O que Lily e sua família ouviram do doutor foram palavras de espanto. Com um sorriso no rosto ela explica: “Ele sempre falava as coisas sem dó. Porém, quando viu o resultado do exame, disse que aquilo era inacreditável, que não estava entendendo. O caroço havia secado e não havia mais nada”. 

A jovem continuou fazendo exames de revisão por cinco anos, tempo que os médicos dizem que o câncer pode ficar adormecido, mas que pode despertar mais agressivo do que antes. 

“O médico quis que eu fizesse um transplante de medula óssea. Meus pais me deixaram à vontade para decidir se eu queria ou não fazer”. Mostrando mais uma vez o tamanho de sua fé, Lily conclui: “Eu orei pedindo a Deus uma resposta se eu deveria ou não fazer o transplante. Em um sonho, Ele me respondeu que não, então eu não fiz. E aqui estou eu. Há quatorze anos curada do câncer”. 

Hoje, com 31 anos, Lily leva uma vida normal. Concluiu o segundo grau, é formada em licenciatura de Pedagogia, trabalha como professora infantil no colégio Sagrada Família, além de ser radialista em um programa evangélico, está casada e planejando ser mãe. Atualmente, conta sua história de luta, fé e vitória para que as pessoas, principalmente as que estão passando pelo que ela passou, possam ter esperança em Deus e serem gratos pela vida. 

Lily nos dias atuais, saudável e curada do câncer. Foto: Luciano Vagno/Caderno de Pauta

terça-feira, 3 de julho de 2018

Projeto Bunekas: o artesanato e a solidariedade ligando pessoas e nações

Por Erika Artmann, Layane Vilela e Mayara Oliveira 

Etapas de produção da boneca. Foto: Mayara Oliveira/Caderno de Pauta

Do portão, risos alegres eram ouvidos. Ao entrar, a alegria estava estampada também nos rostos dos seis voluntários que estavam presentes na oficina do Projeto Bunekas naquela manhã de segunda-feira. O grupo se encontra semanalmente na grande Natal-RN e representa uma imensa corrente do bem em terras potiguares, ligando vários estados brasileiros ao Continente Africano. Os voluntários reúnem-se e produzem bonecas de pano, que são enviadas às crianças que vivem em Guiné-Bissau, na África.

Voluntárias participam do processo de montagem da boneca. Foto: Erika Artmann/Caderno de Pauta

O projeto nasceu no interior de São Paulo a partir da percepção de Michele Bordinhon, 40, psicóloga, sobre a falta de brinquedo para as crianças, principalmente meninas, nos lugares em que viajava com seu marido à trabalho voluntário na África. Camila Medeiros, artesã, 24, coordenadora do projeto em Natal, nos conta que "os meninos acabavam tendo mais brinquedos, eles pegavam qualquer coisa e brincavam, já as meninas, elas ficavam mais recolhidas e não tinham acesso à brinquedos".

A Buneka. Foto: Mayara Oliveira/Caderno de Pauta

Michele começou a pensar em uma boneca que pudesse enviar às meninas, mas ela procurava por algo que carregasse algum significado, que não fosse somente algo comprado e enviado. Camila afirma que a boneca "não tem sorriso, não tem muita expressão no rosto, tem os olhinhos e uma boquinha em forma de coração, porque é uma boneca de projeção, que é para a criança projetar o próprio sentimento na boneca". O nome Buneka, é uma referência ao dialeto africano usado pelas meninas.

Menina recebendo a Buneka na África. Foto: Arquivo pessoal de Michelli Bordinhon

Cada parte do corpo do brinquedo foi minuciosamente pensadaa desde a cor da pele até o cabelo que é feito de florzinhas de feltro em 3D - que deixam uma textura parecida com a do cabelo crespo. Para as voluntárias, é importante que as meninas se vejam nas bonecas e se sintam lindas, fugindo assim, dos prejuízos causados pela imposição do padrão de beleza Europeu em um continente majoritariamente negro. Além disso, as bonecas são enviadas com calcinhas, elas foram pensadas pela psicóloga, devido à preocupação com os altos índices de violência sexual infantil, conta Camila, "quando eles levam as bonecas elas falam da importância do uso da calcinha já que muitas meninas não usam e também por questão de saúde, para evitar infecções".

Camila Medeiros, coordenadora do Projeto em Natal-RN. Foto: Mayara Oliveira/Caderno de Pauta

Em Natal, o projeto chegou há cerca de um ano, depois de algumas oficinas ministradas pela psicóloga em uma igreja na Zona Norte. Depois de algumas oficinas, Camila tomou a frente da organização e divulgou o projeto nas redes sociais. Hoje o grupo conta com vinte e dois voluntários, eles planejam enviar cem bonecas este ano, tudo feito de forma artesanal e solidária, com os custos bancados através de doações das próprias integrantes. "A gente vai conversando e cada uma vai doando como pode", relata a coordenadora do projeto.


Lucas Kuniyoshi, Vera Lúcia Fernandes e Evanilda da Rocha, voluntários do projeto. Fotos: Mayara Oliveira/Caderno de Pauta

Outro ponto importante é a amizade entre os voluntários, como expressa Lucas Kuniyoshi, estudante, 25, "esse projeto também impacta as pessoas que estão nele, podemos ver aquela pessoa que era mais reclusa ficando mais aberta, fazendo muitas amizades, ou, a pessoa que não sabia fazer nada de costura, aprendendo". O Projeto Bunekas está mudando a vida de crianças na África, e de pessoas, principalmente mulheres, no Brasil.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Questionamentos

Por Luiza de Paula

Imagem: Pinterest

Será que algum dia eu vou evoluir e sair do banco de reservas no departamento “crônica” e passarei a ter cadeira cativa no time titular? O que é escrever bem? Se eu redigir intencionalmente sem apego às regras gramaticais, é erro. Se Saramago desconstruir o uso das pontuações, é genialidade - e é mesmo. Se eu fizer um ensaio fotográfico de lingerie e postar a foto, é nocivo. Se Bruna Marquezine aparecer produzida de calcinha e sutiã, é porque foi trabalho para uma determinada marca. Está liberada. Liberadíssima. Eu? Já seria pretensão demais. 

No campo das ideias está permitido não defender o Partido Social Cristão, mas não almejar defendê-lo em uma Simulação de Direito, por exemplo, é uma atitude fascista. É pensar e repensar se vale a pena me expor nesse site, comprar briga, ser odiada, ser amada, a troco de quê? E é chegar à conclusão de que essas são as recompensas de expressar piamente o que sou: passional, teimosa, resistente, resiliente, contraditória, cautelosa, preconceituosa em busca de evolução e defensora fiel das minhas ideias e dos meus. 

É ter o pensamento caótico, sensível, ansioso. É ter a preocupação de, por minha incompetência de gerir os meus sentimentos, estar atrasando essa coluna para o Caderno de Pauta – o que nunca tinha acontecido e ocorreu, meu Deus, logo quando eu estou de férias? Passei esse tempo inteiro dizendo situações talvez inúteis para justificar o meu atraso de mais de 1 mês por aqui. Se é que eu tenho leitores, posso contar com a compreensão de vocês? 

Chega de lero-lero e vamos ao que interessa: nesses dias apareceu no meu Youtube, em “recomendados” a Monja Coen. Foi o meu melhor clique da semana. Vi quase todas as palestras dela para o canal “Mova”. Uma das frases que eu mais gostei foi algo mais ou menos assim: daqui a 20 anos você vai lembrar o nome das pessoas que te criticam hoje? Entendi que a referida crítica não era construtiva. Será que eu vou lembrar? Minha memória é terrível, então, provavelmente não. No entanto, eu tenho certeza que lembrarei do dia em que uma amizade minha se estremeceu profundamente a partir do momento em que recebi uma crítica completamente infundada, na minha concepção. Lembrarei porque não foi uma estremecida qualquer. Foi um esfacelamento maduro e pacífico, por incrível que pareça. 

Não sei se o que escutei da Monja me ajudou inconscientemente, mas compreendi de forma límpida que às vezes duas pessoas se amam, mas têm profundas, severas e marcantes diferenças a ponto da convivência poder se transformar em puro desgaste e embate. Há quem diga que vale a pena, há quem diga que não. Eu sigo na fase de travessia, não tenho uma opinião cem por cento formada, mas ultimamente ando flertando com a segunda opção. Durante anos me orgulhei de lutar até o fim pelas pessoas que eu achava que valiam a pena. E lutava. E insistia. E resistia. E consequentemente, me fodia. Porque, caros leitores, por vezes somos egoístas e não perguntamos se nós valemos genuinamente a pena para o outro. Inteligência é observar que nem sempre insistir em outrem é vantagem. Às vezes, o melhor é deixar ir. Ir livremente. Deixar voar. 

E vamos lembrar dos fisiocratas quando eles diziam: “deixai fazer, deixai ir, deixai passar...” Não sei se utilizar o “Laissez-Faire” nesse ambiente foi uma boa, mas é o que temos para esse domingo à noite que antecede o jogo do Brasil x México.