sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Campus Party como divulgadora da Cidade do Natal

Parque da Cidade é espaço de iniciativas de pesquisa científica e preservação ambiental

POR GERMANO FREITAS

Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, projetado por Oscar Niemeyer (Foto: Alexis Regis/MTur)
Uma parte importante da Campus Party é a forma como o evento engloba cada cidade que o recebe. Dentre os assuntos deste ano, estava a palestra “Parque da Cidade - Espaço de conhecimento, lazer e qualidade de vida”, ministrada por Carlos Eduardo Pereira da Hora, gestor do Parque, e José Roberto de Vasconcelos Costa, astrônomo e colaborador nos trabalhos do espaço.

Famoso por ser um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer em parceria com sua filha Anna Maria Niemeyer e o arquiteto paulista Jair Valera, o Parque da Cidade ainda apresenta novidades e curiosidades para os moradores natalenses. Foi com o objetivo de apresentá-lo ao público que aconteceu a palestra no segundo dia do evento, onde, em sua fala, o gestor Carlos Eduardo explicou as instalações e a importância do Parque Dom Nivaldo Monte, batizado em homenagem ao falecido arcebispo de Natal. 

Dentre as principais importâncias está o abastecimento de água, visto que a área que o parque abrange é responsável por cerca de 65% da água potável da cidade. Como unidade de conservação, de ensino da educação ambiental e de preservação do meio ambiente, ele também é reconhecido como um Posto Avançado de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e promove a conscientização sobre o meio ambiente e a promoção de pesquisa científica. Como parte integrante da zona urbana o Parque da Cidade liga as Zonas Sul e Oeste, servindo de meio para prática de caminhada e deslocamento cotidiano a pé ou de bicicleta.

Em relação a preservação ambiental, o parque possui um projeto que visa o plantio de 50 mil mudas de vegetação nativa, todas colhidas em área inalterada, para a recuperação de áreas degradadas. A estimativa é que até o final de 2019 já tenha sido alcançado o número de 12 mil mudas em uma área de aproximadamente oito mil metros quadrados.

Em um segundo momento da palestra, José Roberto explanou sobre as ações educativas e atividades disponíveis ao público, dando destaque paras a Trilha do Sistema Solar e a Trilha da Vida, duas ações educativas que visam, respectivamente, ensinar sobre o sistema de corpos celestes em que se encontra a Terra e a linha do tempo da vida em nosso planeta. 

A base para essa ação envolve placas posicionadas ao longo das trilhas, espaçadas com base numa escala, de forma a exemplificar ao transeunte que o espaço percorrido por ele é relativamente proporcional a distância de dois planetas ou dois grandes eventos da vida na terra. As duas trilhas compõem o trajeto mais utilizado pelos visitantes, conforme mostrou uma pesquisa realizada pelo parque.

Além das trilhas, o Parque da Cidade também possui um Observatório de Nuvens, que explica os 10 tipos principais delas, mostrando suas características e o efeito de cada uma para entender a atmosfera ao seu redor. Também fomos apresentados ao Relógio de Sol, que diferente do localizado em Areia Preta, possui explicações na estrutura que explicam seu funcionamento, a diferença do horário marcado para relógios convencionais, entre outras curiosidades. 

Ao final da palestra foi feito o convite para a Astronomia no Parque, estimulando os visitantes a visualizarem, com o auxílio de telescópios, corpos celestes que ficam visíveis ao entardecer, como Júpiter, Mercúrio e a Lua em sua fase crescente. A atividade se dá ao final das tardes, pois o Parque da Cidade fecha cotidianamente às 18h, para preservação da sua fauna local.

O Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte também possui biblioteca própria, esta e suas trilhas estão abertas todos os dias. O Parque é uma das 10 zonas de proteção ambiental ao redor da Cidade do Natal, que proporcionam maior qualidade de vida à população. Em sua agenda, será realizada a primeira Semana de Ciência e Tecnologia, prevista a acontecer de 21 a 27 de outubro, cujo objetivo é divulgar e também promover a pesquisa científica na preservação ambiental.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A resistência de uma mulher, mãe e estudante na área da tecnologia

Tayanne Rocha relatou sua experiência no segundo dia da Campus Party Natal e emocionou a todas

POR HILDA VASCONCELOS

Tay mostrando registros de sua vida como mãe (Foto: Hilda Vasconcelos/Caderno de Pauta)
Estudantes mulheres são maioria na  Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e muitas delas em período fértil. Apesar de ter políticas de incentivo à permanência para gestantes, muitas estudantes relatam a escassez de medidas suficientes para garantir que deem continuidade aos seus cursos durante e após a gravidez. Tayanne Rocha, 27, é bacharelanda em Tecnologia da Informação pela Universidade e é programadora, educadora e mãe de dois filhos. No segundo dia da Campus Party Natal 2019, ela ministrou a conversa "O problema é na placa mãe...": as dificuldades de ser mulher e mãe na TI, no espaço da comunidade As Boyzinhas Arretadas, localizado na Arena do evento.

Tayanne ingressou na UFRN, pela primeira vez, em Publicidade e Propaganda. Na época, estava prestes a dar a luz à primeira filha, Luise Rocha. A palestrante contou que  antes e depois do nascimento de sua primogênita, enfrentou muitas dificuldades no ambiente acadêmico. Partindo de olhares e palavras de julgamento feitos por colegas e professores, até a impossibilidade de manter sua graduação devido à falta de assistência e compreensão da equipe pedagógica e docente do curso. A estudante chegou a precisar realizar o trancamento de semestres devido às condições em que se encontrava. Ela precisou desistir dos estudos  por despreparo e falta de apoio da Academia.

Um ano depois, por se identificar com a programação e a área da tecnologia, prestou vestibular para o Bacharelado em Tecnologia da Informação e foi aprovada. No início da nova graduação, a aluna estava grávida de seu segundo filho, Frank Rocha, e conta que se surpreendeu com o acolhimento do Instituto Metrópole Digital (IMD), que foi como uma mãe pra ela, dos estudantes e servidores. Ela relatou que, por vezes, uma de suas professoras ministrou aulas exclusivamente para ela via videochat e diversos docentes permitiram sua entrada em sala acompanhada de Luise e de Frank, que estava em fase de amamentação.

“Antes de sofrer preconceito por ser mãe, sofro preconceito por ser mulher” (Foto: Hilda Vasconcelos/Caderno de Pauta)
“Antes de sofrer preconceito por ser mãe, eu sofro preconceito por ser mulher”, conta. Mesmo com boa recepção em seu novo curso, Tayanne sofreu machismo e misoginia em um ambiente dominado, em sua maioria, por homens. Disse conhecer poucas mulheres no IMD e que o preconceito ainda continua.

“Eu faço tudo isso para lembrar que eu sou uma pessoa”

Ainda durante os primeiros anos de curso, Tayanne se divorciou do pai de seus filhos e descobriu que o caçula tem Asperger, estado do espectro autista, geralmente com maior adaptação funcional. Desde então, seu filho é acompanhado por oito profissionais. Hoje, a mãe se vê dividida entre a criação e educação das crianças, a necessidade de levá-las a médicos, o trabalho e a dedicação a seu bacharelado. Se perguntada porque tem esta rotina, ela simplesmente responde: “Eu faço tudo isso para lembrar que eu sou uma pessoa, mesmo quando a sociedade cobra que eu seja apenas mãe”, afirma emocionada.

O problema é mesmo na placa-mãe?

Ao final de sua fala, a palestrante indagou aos presentes: o título da conversa era só merchandising? Em seguida, explica: “Quando um computador quebra, se diz logo que o problema é na placa-mãe e já se pensa que precisa comprar um novo aparelho. Na verdade, basta fazer ajustes para consertar a placa. Assim funciona com uma mulher que é estudante, trabalhadora e mãe; ela não precisa abdicar de suas tarefas pessoais para se dedicar à maternidade, mas apenas fazer alguns ajustes e mudanças para equilibrar sua rotina”, concluiu.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

“A maioria dos pedófilos não se manifesta se mostra às crianças de forma agressiva”: mesa redonda debate pedofilia na Campus Party Natal 2019

Discussão falou dos perigos a que crianças e adolescentes estão expostos quando há mal uso das tecnologias digitais


*Por Ana Flávia Sanção

Mesa redonda sobre pedofilia na internet abriu programação do palco Feel the Future no domingo (18). (Foto: Gabriel Maciel/Campus Party)

Crianças e adolescentes foram os personagens centrais da palestra Pedofilia: um desafio frente às novas tecnologias neste domingo (18), no palco Feel the Future, no último dia de Campus Party Natal 2019. Ministraram a mesa redonda a psicóloga especialista em infância e adolescência Valesca Pinheiro de Souza, o pedagogo especialista em gestão de comunicação em redes sociais Saulo Spinelly, o engenheiro da computação Brunno Samuel Corrêa e o publicitário Carlos Gregório Nunes. Mais uma vez, a temática sobre o uso responsável da internet esteve presente no evento que promove, sobretudo, a imersão tecnológica ininterrupta. 

Logo de início, a psicóloga explicou quais tipos de violências sexuais poderiam ser mediadas pelo meio virtual - aliciamento para fins de violência e exploração sexual, tráfico de seres humanos e abuso sexual online. “Para abusar de crianças e adolescentes, eu não necessariamente preciso tocá-los. Trocar fotos e vídeos também se configura como abuso”, esclareceu. 

Outra questão ressaltada por ela é que nem sempre a habilidade de manuseio com equipamentos eletrônicos significa que aquela criança ou adolescente tem maturidade suficiente para entender o que está em risco caso se exponha demais. “Saber lidar bem com computador e celular não significa saber lidar com o que há por trás daquilo”, reforçou.

Brunno Corrêa deixou claro que qualquer tipo de compartilhamento de conteúdo sexual de menores online é crime. Ele também mostrou que existem formas de proteger os pequenos, através de um maior controle sobre o conteúdo que eles acessam e medidas de segurança, como a alteração de senhas, verificação de classificação etária, instalação de jogos educativos e outras, mas afirmou que mesmo assim “não tem melhor sistema de monitoramento que os pais”. 





“Smartphonização” da infância

Valesca Pinheiro de Souza fala sobre os perigos do uso da internet sem restrições por crianças e adolescentes. (Foto: Gabriel Maciel/Campus Party.)

Explicado na fala de Carlos Gregório, o conceito de “smartphonização” da infância acontece quando “as crianças estão ligadas às redes sociais desde muito novas, o que pode fazer com que elas se tornem reféns desses aparelhos [eletrônicos]”. 

 “A educação não pode ser terceirizada. O Google não pode substituir a presença dos pais”, Valesca disse. Ela alertou para cuidados disciplinários que se deve ter ao educar os filhos e atitudes às vezes impensadas na hora de liberar o acesso deles à tecnologia. Como exemplo, citou como alguns pais ou responsáveis entregam celulares às crianças para acalmá-las durante um acesso de choro, sem realmente pensar no que o filho fará com aquele aparelho. 

Gregório lembrou como o meio virtual se tornou importante na vida das pessoas como um todo e não só para crianças. Ou seja, o fenômeno da “smartphonização” não só ocorre com os menores. “Quando um agressor passa a ter acesso às redes, essas redes se tornam paraísos encantados para eles”.

“A maioria dos pedófilos não se manifesta se mostrando às crianças de forma agressiva”, explicou Valesca. Um comentário complementar foi feito na plateia sobre a importância de esclarecer aos filhos pequenos e adolescentes quais as razões por trás das regras de uso impostas a eles. O pedagogo Saulo conclui a fala da espectadora dizendo “quando você coloca um limite na criança, esse limite precisa fazer sentido para ela”.  


CREAS
Em Natal e em todo RN, existem várias unidades do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, que acolhem vítimas e famílias de vítimas que passaram por alguma das situações citadas acima. Além do acolhimento, a equipe do Creas orienta quem os procura em diversas áreas, como jurídica, profissional e o que mais for necessário ao caso. 

domingo, 18 de agosto de 2019

Campus Party Natal 2019 convida o público para conhecer mais sobre ciência, inovação e tecnologia

Os campuseiros tiveram um segundo dia de evento recheado com as oportunidades geradas pelos avanços atuais

POR ANA FLÁVIA SANÇÃO, ANNA VALE, FRANCISCA PIRES, GERMANO FREITAS,
HILDA VASCONCELOS E MARIA CLARA PIMENTEL

Localizada na parte gratuita do evento, a área RobótiCampus contava com robôs como e.Do e foi palco de workshops e atividades sobre robótica (Foto: Germano Freitas/Caderno de Pauta)
Com Open Campus e palestras de destaque nas áreas de tecnologia, saúde, representatividade feminina no mercado de trabalho e empreendedorismo, o segundo dia da Campus Party Natal 2019 foi agitado. O evento, que promete atrair 30 mil pessoas até o domingo (18), teve programação que manteve visitantes e campuseiros entretidos até tarde da noite. O Caderno de Pauta traz para você os principais destaques das diferentes áreas abordadas neste sábado (17).

Tecnologia abriu o segundo dia do evento, com a primeira palestra do dia –  “Utilização de sucata no ensino da Robótica Educacional” – acontecendo logo cedo no palco STEAM, localizado na área gratuita do evento. No Empreendedorismo, o palco principal recebeu a palestra “Comece sua Startup Global em Natal”, que contou com a presença da gerente da incubadora Inova Metrópole, do Instituto Metrópole Digital (IMD), Íris Pimenta.

Na Saúde, o papel da tecnologia para melhorar os procedimentos utilizados atualmente teve destaque, com palestras em diversos palcos tratando do assunto. Mas foi A relação entre a tecnologia e a saúde mental que abriu olhos no palco principal, trazendo uma reflexão e um aviso sobre os efeitos desta no psicológico, em meio ao maior evento de imersão tecnológica do mundo.

As Comunidades receberam grande público na arena da Campus Party Natal deste ano, com seu espaço sendo expandido para aguentar a demanda que já era grande na edição passada. Os destaques ficam para a comunidade As Boyzinhas Arretadas, com suas temáticas de representatividade feminina e para a Comunidade LEP (Liga de Empreendedorismo Potiguar), que complementou as falas de ocorridas simultaneamente no Palco Entrepreneurship.

TECNOLOGIA

Neste segundo dia de evento se falou bastante em sustentabilidade das tecnologias da informação. No início do dia, Fagner Oliveira falou sobre o uso de sucata no ensino de robótica, com a intenção de difundir e estimular o conhecimento com matérias de baixo custo. Durante a palestra ele mostrou os melhores materiais para reaproveitamento e deus dicas como utilizá-los. Já pela tarde, Hideljundes Macêdo Paulino falou sobre as ações do Governo do Estado para a sustentabilidade comercial da área de desenvolvimento de software.

No meio da tarde foi a vez da baiana de somente 18 anos, Yasmim Ferreira, contar a sua história na palestra “Rumo ao Vale – Uma experiência que é real”, no palco Feel the Future. A ideia do nome se deveu ao fato de, depois de dias se perguntando se não havia apenas sonhado a viagem que fez para o Vale do Silício, percebeu que tinha sido real. A estudante de Engenharia da Computação passou 27 dias na região que abriga inúmeras startups e empresas globais de tecnologia na Califórnia, participando de um programa direcionado à tecnologia e inovação, por meio da robótica. Em sua fala, pediu para o público pensar, individualmente, em suas “Luas” – isto é, os projetos ousados que tinham interesse em executar, mas que ainda não haviam feito nada a respeito. No desenrolar da conferência, ofereceu dicas aos campuseiros, para efetivamente transformar suas ideias em experiências.

Ao final dos dia, a Tecnologia também teve como destaque a Lei Geral da Proteção de Dados, tratando de explicar a nova legislação, que entra definitivamente em vigor no próximo ano. Além de clarificar a Lei, a palestra também deu dicas de como sua audiência pode se adequar.

EMPREENDEDORISMO

No início da tarde, o palco Feel the Future foi o cenário escolhido para discutir de que maneira é possível criar e administrar um startup global em Natal. A palestra Comece sua Startup Global em Natal contou com grandes nomes do empreendedorismo local – muitos dos quais chegaram a atuar no Vale do Silício, como Íris Pimenta, Sérgio Menezes, Monnaliza Medeiros e Hilton Carvalho – e trouxe alguns direcionamentos para quem tem uma ideia inovadora e quer empreender, mas não sabe por onde começar. Ter sempre um senso de urgência para otimizar seu produto ou serviço; focar em um problema e através dele investir nas possíveis soluções que podem render um bom negócio; e focar num público mais amplo, ao invés de se limitar ao mercado potiguar, foram algumas das dicas discutidas durante sua execução. “Tudo é questão de como você pensa e vê o seu negócio,” afirmou a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e gerente executiva da incubadora Inova Metrópole, Iris Pimenta.

Palestra Comece sua startup global em Natal, no palco Feel the Future. Da esquerda para direita: Sérgio Menezes, Monnaliza Medeiros, Hilton Carvalho e Íris Pimenta (Foto: Germano Freitas/Caderno de Pauta)
Mais tarde, foi a vez do palco Entrepreneurship receber a palestra Validando Ideias – as duas faces do empreendedorismo. De que forma as lições dos grandes nomes internacionais no ramo do empreendedorismo podem nos ensinar a fazer sucesso assim como eles fizeram? Foi respondendo a esse questionamento que Tiago Fernandes, CEO da AutoForce, ensina como Larry Page e Steve Jobs conseguiram ascender no mundo dos negócios, mesmo sem seguir o caminho padrão pelo qual maior parte dos empreendedores optam: “O desafio hoje não é construir um produto, mas descobrir o produto certo a ser construído,” concluiu Tiago. Investir em um bom plano de negócio e focar em atender o desejo dos clientes, acima até mesmo do desejo dos fornecedores, foram alguns dos direcionamentos trabalhados durante a palestra.


SAÚDE

Saúde e tecnologia foi o tema principal de três palestras neste sábado (17). Novas tecnologias em saúde: O resgate de saberes milenares redesenhado o cuidado foi a primeira palestra sobre o assunto e ocorreu no palco STEAM, na área do Open Campus. Liene Medeiros, diretora do Centro de Práticas Integrativas Complementares (Cerpic), apresentou um pouco do trabalho da instituição, que propões terapias humanizadas a pessoas que sofrem principalmente da Síndrome do Ninho Vazio, um tipo de aflição psicológica que atinge principalmente mulheres após os 30 anos, quando seus filhos saem de casa. No centro, são realizadas terapias como o biomagnetismo, a cromoterapia e a yoga do riso. “Nós tratamos o ser como um todo,” explicou. 

No palco Feel the Future, as questões psicológicas foram o centro do debate. Ministrada pela psicóloga Emanuelle Camelo e pela psiquiatra Dulciana Costa, a discussão A relação da tecnologia e a saúde mental tratou principalmente dos efeitos negativos que a tecnologia poderia trazer ao psicológico humano e trouxe propostas de como utilizar as ferramentas digitais de forma mais saudável e com moderação. “A gente deve se observar. Cada um [deve] procurar em si os aspectos positivos e negativos”, Dulciana pontuou. 

A terceira e última palestra da área aconteceu no palco Coders, com o título Internet of Things na Saúde e encabeçada por Cicília Maia Leite da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). A especialista explicou os principais conceitos que envolvem a Internet das Coisas e mostrou como a ferramenta está sendo utilizada para monitorar pacientes, podendo beneficiar na prevenção, diagnóstico e tratamento de determinadas patologias.

REPRESENTATIVIDADE


Destino preferido de diversas campuseiras, na comunidade As Boyzinhas Arretadas, houve uma oficina sobre ferramentas e eletricidade básica feita por e para mulheres, promovida pelo coletivo feminista Mute – Mulheres Unidas nas Tecnológicas e Exatas. Fazem parte do grupo estudantes de cursos das áreas de tecnológicas e exatas da UFRN, sendo que essa oficina, especificamente, foi ministrada por estudantes de Engenharia Elétrica. Thaís Alves, do 9° período, explica que, pela participação de eventos como a Campus Party ser majoritariamente masculina, mesmo com o interesse de mulheres pelas Exatas tendo crescido muito, isso não pode ser um fator limitante. “Os homens podem pensar que não podemos fazer certas coisas, mas a gente pode. Estamos aqui para mostrar isso,” comenta. Ela adiciona que a intenção não é competir com eles, mas apenas ocupar esse espaço, que é de seu direito, e além disso estimular outras mulheres a ocuparem também. “Por isso que eu fico e resisto na Engenharia,” termina.

OPEN CAMPUS

A programação gratuita e aberta ao público da Campus Party Natal foi igualmente diversificada, com workshops, dinâmicas e palestras sobre Educação, Tecnologia e Robótica. Os visitantes do Open Campus puderam curtir atividades práticas com robôs, programação e realidade virtual. 

A área Educação do Futuro trouxe, principalmente, temáticas voltadas ao público mais jovem/infantil. Já o RobótiCampus contou com a construção de luminárias dos Vingadores, apresentando não só a prática mas também um pouco dos conceitos básicos da eletrônica e experiências com programação. 

Boli, mascote e produto da Robolivre, em sua segunda Campus Party Natal, atraindo mais uma vez a curiosidade do público (Foto: Germano Freitas/Caderno de Pauta)
O palco STEAM e seus palestrantes misturaram pautas laterais ao mundo da tecnologia, como a saúde, a educação, a robótica e privacidade. A Robolivre foi outro destaque, com seus robôs em miniatura e o amiguinho da primeira edição da Campus Party Natal, presente novamente esse ano, Boli, o robô.

A Campus Party Natal 2019 acontece até este domingo (18), com uma programação diversificada que vai da tecnologia ao empreendedorismo. A cerimônia de encerramento ocorre às 20h, no palco principal, onde serão anunciados os vencedores dos hackatons e outros desafios que ocorreram durante os três dias do evento.

Super K Vs Câncer - O game que segue melhorando a vida de crianças com câncer

“O que esse jovem continua fazendo? Bom, eu continuo sendo um vendedor de água mineral com uma medalha de doutor em saúde pelos inúmeros serviços prestados a crianças com câncer” - Paulo Paiva


POR FRANCISCA PIRES

Francisco Paulo Paiva já teve, no ano passado, sua história contada aqui no Caderno de Pauta quando realizou uma palestra na primeira edição da Campus Party Natal. Em uma ocasião muito parecida, com poucos ouvintes e um público tranquilo, o mossoroense de apenas 24 anos contou mais uma vez, na segunda edição do evento, como conseguiu sozinho desenvolver o game capaz de amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia em crianças.

De entregador de água mineral a doutor em saúde e gameterapia, Paulo traçou um árduo e belo caminho. Aprendeu a programar através de videoaulas na internet e, com os conhecimentos adquiridos, deu vida ao Super K – o primeiro super-herói do mundo que é negro e portador de Câncer. O game, que tem por objetivo fazer com que a criança entenda o funcionamento do seu corpo, bem como cada tipo de câncer atua dentro do organismo, é gratuito para os portadores da doença e para outras pessoas é cobrado um valor posteriormente revertido em renda para hospitais. O Super K além de ensinar, distrai as crianças e as ajuda a encarar sua atual situação de forma mais leve e alegre.

Paulo Paiva conta como criou o game Super K vs Câncer pela segunda vez na Campus Party (Foto: Francisca Pires/Caderno de Pauta)

Como idealizador do Super K, Paulo foi considerado um dos dez jovens mais influentes do Brasil e coleciona atualmente 17 aprovações em vestibulares mais um título de honra ao mérito concedido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Esse ano na Campus Party, ele trouxe algumas novidades, dentre elas está a criação da Lei Super K vs Câncer, que busca garantir às crianças - que fazem quimioterapia - o direito de estudar. A lei diz que a partir de 10 dias precisando faltar a escola para dar continuidade ao seu tratamento, o Estado ou o município tem obrigação de enviar um professor até a casa da criança para que ela possa ter suas respectivas aulas e assim não se atrasar dentro do ano letivo.

Outra novidade é que com a criação da sala de psicopedagogia no hospital Casa da Saúde, em Mossoró, denominada Mestre Dedé Sapateiro, avô do renomado criador de cordéis Bráulio Bessa, Paulo conseguiu fazer que não só o poeta se tornasse embaixador do hospital, como diversos outros famosos, dentre eles o jogador Márcio Mossoró. Hoje, Paulo também realiza palestras e workshops para arrecadar dinheiro para campanhas de prevenção ao câncer infantil e em muitas dessas ocasiões costuma levar cosplayers para chamar atenção das pessoas e tornar estes espaços um pouco mais dinâmicos.

Em sua segunda palestra no maior evento de imersão tecnológica no mundo, Paulo destaca as conquistas do Super K em 2019: criação do projeto para tornar o game em gibi, no qual será contada a história de uma criança negra que, ao ser diagnosticada com câncer, ganha poderes e vira um super-herói; aprovação da Lei Super K vs Câncer na Câmara da cidade de Grossos, no RN, e a espera pela aprovação da lei no Senado, que, caso seja aprovada, deve entrar em vigor em todo território nacional.

Jogo Super K vs Câncer diminui os efeitos colaterais da quimioterapia em crianças (Foto: Francisca Pires/Caderno de Pauta)

Paulo cita por diversas vezes, inclusive em entrevista a nossa equipe, a garotinha que conheceu e motivou a criação do jogo. Ela acabou morrendo meses depois, vítima de um câncer severo, porém o jovem nunca esqueceu o momento em que eles se conheceram e a lição de vida que ela deu, fazendo com que sua depressão melhorasse totalmente: “Tudo que eu fiz e faço é no intuito de retribuir o que aquela criança, que eu descobri que morreu meses depois, fez por mim. Aquela menina me ensinou que existiam problemas muito maiores que os meus. Ela morreu, mas eu tento manter a história dela viva através da ajuda que dou a outras crianças como ela”.
Com uma reflexão motivadora,
Paulo finaliza sua palestra
(Foto: Francisca Pires/Caderno de Pauta)

Em um dos últimos slides de sua apresentação, Paulo faz uma alusão interessante: uma situação comum a pessoas que fazem tratamento com quimioterapia é a perda de cabelo. Sendo assim, o palestrante compara nossos problemas a fios de cabelo e conclui genialmente: “Pare e pense que seu problema de hoje é do tamanho de um fio de cabelo. Pequeno né? Agora pense que para nos livrarmos de um fio de cabelo basta arrancá-lo da cabeça. Faça isso hoje. Arranque da sua cabeça seu problema e essa ideia de que você não é capaz. Todo mundo é capaz”, finalizou Paulo.

A voz e vez delas: segunda edição da Campus Party Natal traz debates sobre temáticas feministas

Com diversas opções de palestras e rodas de conversa, o empoderamento feminino está como um dos principais aliados da tecnologia na feira

POR HILDA VASCONCELOS

Ser Artista e Mulher foi a palestra ministrada por Carol de Santi, no espaço da comunidade As Boyzinhas Arretadas (Foto: Germano Freitas)
“Por que não temos grandes mulheres artistas?”: foi esse o questionamento norteador da conversa intitulada Ser Artista Mulher, ministrada neste sábado (17) por Carol di Santi, bacharela em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tatuadora. As espectadoras e eventuais curiosos que passavam pelo espaço da comunidade As Boyzinhas Arretadas, localizado na Arena, parte exclusiva da Campus Party Natal 2019, foram estimuladas a refletir e debater sobre a representação e representatividade feminina na cena artística. 

Carol, que se formou recentemente e começou a tatuar há poucos meses, fez um verdadeiro apanhado acerca da participação das mulheres na arte. A palestrante relembrou que durante a história, para mulheres divulgarem sua produção artística, muitas vezes tiveram de assinar falsamente como homens. “A gente, praticamente, não tem registro da mulher sendo dona de si mesma, sendo um ser que cria”, destacou.

“Ser artista, ser mulher, é resistir”

Peça gráfica apresentada na palestra, mostrando, ironicamente, que não é fácil ser artista mulher (Imagem: Guerrilla Girls)
A jovem apontou todos os obstáculos que encontrou em sua profissão, que vão desde a desconfiança dos clientes em sua capacidade, até a forma que ela deveria se vestir em seu primeiro dia de trabalho no estúdio de tatuagens. Em momento posterior, foi apresentada a cartilha do projeto “Minha Tatu, minhas regras”, produzida por mulheres de todo o Brasil, que tatuam e são tatuadas, com direcionamentos para um procedimento de tatuagem seguro. Carol finalizou sua apresentação com um momento para fala do público presente, que deixou clara a mensagem de que ser artista e ser mulher é resistir.

A mulher em sociedade

Ministrada por Yara Costa, o espaço das comunidade também foi palco para uma conversa intitulada O protagonismo das mulheres jovens. A estudante, que cursa Gestão de Políticas Públicas na UFRN e é presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), convidou à todas e todos presentes a pensarem no espaço que a mulher ocupa na sociedade.

Yara Costa é estudante do curso de Gestão de Políticas Públicas na UFRN e presidente da UEE (Foto: Hilda Vasconcelos)
Esteve em pauta a visão arcaica e patriarcal de que a mulher é privilegiada por poder ser mãe e, consequentemente, “precisa apenas cuidar dos filhos e da casa”. Yara reforçou a importância da busca pelo conhecimento e pelos direitos das mulheres para combater esse conceito. Entre muitas outras problemáticas levantadas, obtiveram destaque o auxílio-creche insuficiente que é oferecido pela UFRN e questões de nível nacional, como os cortes de verba para a educação, o desemprego e os preconceitos contra cor, gênero e orientação sexual.

As Boyzinhas Arretadas

“O Boyzinhas Arretadas é uma bancada que se juntou para unir todas as comunidades que a gente conhecia como iniciativa de mulheres na tecnologia”, explicou Thaís Alves, 22, estudante de Engenharia Elétrica. Na comunidade, há representantes do PyLadies (voltado para a programação com Python), Woman Tech Makers (mais geral, abrangendo mais áreas da tecnologia), WiE - Women in Engineering (alunas de Engenharia Elétrica e Eletrônica) e MUTE - Mulheres Unidas nas Tecnológicas e Exatas (une as mulheres das engenharias e da área tecnológica). 

“Junto com a Prefeitura do Natal, organizamos várias ações para a Campus Party, a fim de incentivar a participação das mulheres na área tecnológica, mas também a defesa delas na participação na sociedade. Não é só voltado à tecnologia, é, também, à resistência”, disse. “O evento é muito visado e a gente espera impactar não só mulheres. Queremos divulgar o movimento e mostrar que as mulheres são capazes de fazerem o que quiserem”, concluiu.

A programação da Comunidade na Arena da Campus Party Natal segue até este domingo (18), terceiro e último dia do evento.

sábado, 17 de agosto de 2019

Saúde mental e uso responsável da tecnologia são debatidos na Campus Party Natal

Especialistas afirmam que ter autocontrole é essencial na hora de prevenir doenças psicológicas causadas pelo uso de tecnologias digitais

POR ANA FLÁVIA SANÇÃO

Dulciana Costa fala sobre os perigos de uma dependência compulsiva da tecnologia atualmente. (Foto: Equipe Grupert)
“Há pontos positivos na tecnologia, mas será que são realmente pontos positivos, da forma que os usamos hoje em dia?”, questionou a psicóloga Emanuelle Camelo neste sábado (17), durante palestra no palco Feel the Future, na Campus Party Natal 2019. A temática A relação da tecnologia e a saúde mental foi trazida por ela e pela psiquiatra Dulciana Costa, ambas funcionárias da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde. 

Num ambiente repleto de computadores, laptops e palestras sobre como a tecnologia pode ser aplicada em diversas áreas da nossa vida, não se espera que haja um debate sobre os efeitos negativos que tal imersão contínua e sem pausas, como a da Campus, pode causar nas pessoas. Mas foi justamente o contrário que aconteceu. 

Iniciando com os pontos positivos que o mundo digital nos proporciona — produtividade, auto educação, proximidade, comodidade —, as profissionais trouxeram o questionamento de até que ponto esse contato não é prejudicial. Desde efeitos negativos no físico corporal, como postura precária e respiração irregular, aos efeitos psicológicos mais sérios — depressão, ansiedade, transtornos alimentares, morte neural e dependência compulsiva. 

As especialistas também apontaram formas de lidar melhor com a tecnologia diariamente. Para Dulciana, “trabalhar o autocontrole” é essencial — pausas, preservação do sono, socialização, busca por atividades adjacentes e ajuda profissional, em casos mais extremos, são essenciais para que o uso não seja prejudicial. “A gente deve se observar. Cada um [deve] procurar em si os aspectos positivos e negativos”, explicou. 

Uma dos questionamentos do público foi sobre as razões por trás da dependência que nos faz sentir tão apegados aos equipamentos eletrônicos e as ferramentas digitais. Em comum acordo, Emanuelle e Dulciana apontaram que o ser humano normalmente projeta a busca por questões mal resolvidas na “utilização desses instrumentos e transformam algo positivo em negativo”. 

Dulciana ainda fez um comparativo do consumo compulsivo das tecnologias com a teoria da automedicação, na qual indivíduos consomem por contra própria substâncias como forma de lidar com situações negativas, criando um paralelo entre tecnologia e o uso de drogas e entorpecentes. “A humanidade sente necessidade de preencher vazios existenciais”, finalizou.

Cidade por elas e para elas

Um debate sobre a construção de uma cidade que atenda à necessidade de todas as pessoas de forma igualitária

POR FRANCISCA PIRES

Flaviana Brandão levanta questionamentos sobre quem se beneficia com a arquitetura das grandes cidades (Foto: Equipe Grupert)
A estudante de Arquitetura e Urbanismo, Flaviana Brandão, ministrou na tarde deste sábado (17) um debate sobre os desafios enfrentados pelas mulheres para se deslocar dentro das cidades todos os dias. Segundo ela, a sociedade deve refletir a partir de três questionamentos principais: quem são as pessoas que sempre projetaram as cidades? Mulheres e homens sentem-se seguros na mesma proporção? O que fazer para mudar essa realidade?

A palestra, promovida na Campus Party Natal pela comunidade As Boyzinhas Arretadas, trouxe à tona questões diárias que dificultam o cotidiano de toda mulher: caminhos mal iluminados, muros altos demais e pontos de ônibus em locais isolados. Além, de claro, falta de policiamento e muitas vezes um serviço ineficiente, abusivo e machista por parte das autoridades policiais, assim outras questões urbanas que dificultam o socorro ou uma possível tentativa de fuga.

“É preciso pensar a quem a arquitetura da cidade beneficia. Homens e mulheres sentem-se seguros? A resposta é não. Enquanto nós precisamos pensar em qual roupa vestir, que caminho pegar, quem são as pessoas que estão ao nosso redor, os homens só precisam ir,” Flaviana explica.

Ela também conta que a ideia de escrever sobre o tema surgiu quando ela foi assaltada em uma passarela na grande Natal. Após a ocasião, a estudante desenvolveu diversas crises de ansiedade e passou a sentir-se muito frágil. Hoje, o simples fato de precisar ir à faculdade ou resolver questões comuns do dia-a-dia gera nela, bem como em muitas mulheres, uma aflição acompanhada da sensação de impotência.

Além de evidenciar que maior parte dos responsáveis por projetar as cidades são homens e que, portanto, eles não conseguem entender tampouco atender as necessidades das mulheres, outra questão gritante foi levantada: o assédio. Foi mostrado que, segundo dados da YouGov, 80% das mulheres já sofreram assédio, seja em locais ou transportes públicos. Ao questionar se as participantes da mesa já sofreram assédio ou conhecem alguém que sofreu, todas elas levantaram a mão.

Flaviana compartilha que até mesmo dentro do ambiente acadêmico sentiu na pele a resistência das pessoas e o machismo estrutural que existe acerca do tema. “É tanto que quando resolvi escrever sobre o tema, meus orientadores sugeriram que eu fizesse uma pesquisa quantitativa sobre como os jovens da faculdade que eu estudo se sentiam com relação à segurança. Para que assim, eu consiga provar que de fato as mulheres se sentem mais inseguras, mesmo sendo óbvio”.

Um projeto realizado em Recife, no qual um grupo de mulheres ajudam a projetar o plano diretor da cidade, chamado Cidade Pensada Por Elas, foi apresentado como um exemplo do que é possível fazer para mudar o cenário. Para finalizar o debate, Flaviana abriu o espaço de fala para que as mulheres presentes pudessem contar experiências relacionadas à insegurança nas cidades ou sugerir possíveis soluções relacionadas à tecnologia ou a Arquitetura e Urbanismo em si.

Público que assistiu o debate, composto majoritariamente por mulheres (Foto: Equipe Grupert)
Assaltos e situações de assédio foram os relatos mais comuns e algumas soluções foram apontadas. Mais espaços para debater quais são as necessidades das mulheres nos espaços urbanos, aplicativos que ajudem a rastrear ou que contribuam para construção de ambientes mais seguros e até mesmo a implantação de coletivos feministas dentro dos órgãos públicos das cidades.

Em entrevista, Flaviana conta que a ideia de expor na Campus Party surgiu porque muitas vezes as pessoas que trabalham com tecnologia não se atentam a questões relacionadas à cidade. E sendo o ambiente da informática, bem como da arquitetura, ainda muito machista, é necessário que existam espaços como esse para discutir os problemas mais evidentes dentro da sociedade.

“Esperava ver uma quantidade maior de homens interessados na palestra, mas mesmo assim o número de pessoas presentes superou minhas expectativas,” finaliza.

Com a discussão sobre representatividade ganhando cada vez mais força, torna-se evidente a importância de espaços para discutir as principais necessidades vivenciadas pelas mulheres diariamente, o direito de ir e vir precisa ser assegurado para todos, independente de gênero. É preciso romper, de uma vez por toda, a ideia patriarcal que acabou influenciando a forma com que as cidades foram projetadas, de que a mulher deve pertencer ao lar e o homem aos espaços públicos. Uma cidade que consegue ser segura para uma mulher, no fim, acaba sendo segura para todos.

Natal recebe sua segunda edição da Campus Party

O maior evento de imersão tecnológica no mundo teve início na manhã desta sexta-feira (16) e a expectativa é de receber mais de 30 mil pessoas

POR ANA FLÁVIA SANÇÃO, FRANCISCA PIRES E MARIA CLARA PIMENTEL

Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party, fala na abertura da segunda edição do evento. (Foto: Ana Flávia Sanção)
A noite desta sexta-feira (16) foi marcada pela abertura oficial de mais uma edição da Campus Party Natal, o maior evento tecnológico do estado, no Centro de Convenções. O evento vai até o domingo (18) com imersão digital 24 horas, palestras e workshops sobre empreendedorismo, games, marketing, robótica e tudo mais que envolve inovação. A expectativa é receber mais de 30 mil pessoas.

O diretor da Campus Party no Brasil, Tonico Novaes, deu as boas-vindas aos visitantes e campuseiros no Palco Feel the Future com um discurso animado e um vídeo sobre a primeira experiência da CP na capital potiguar. Já o italiano Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party, além de receber a plateia, falou um pouco sobre os desafios de realizar o evento este ano devido à recessão econômica do estado e a importância de trazê-lo mesmo assim. “A Campus Party traz conhecimento e coloca o Rio Grande do Norte no campo digital do mundo,” disse.

A governadora Fátima Bezerra e o prefeito Álvaro Dias também estiveram presentes, falando sobre a parceria dos governos municipais e estaduais na realização da edição de 2019. 

“Diante da situação de calamidade financeira que se encontra o RN, foi difícil encontrar caminhos para realização da Campus, mas essa governadora com alma de professora que sempre terá, tinha de fazer todo o esforço para ter mais uma edição da Campus Party em Natal,” discursou Fátima. O prefeito de Parnamirim, Rosano Taveira, e o diretor da empresa Use Telecom, Marcos Costas, também participaram da solenidade.

Um dos principais temas da abertura foram os dois laboratórios tecnológicos instalados pelo Projeto Include na Escola Municipal Emértio Nesto Lima, em Parnamirim, e no Sesc de Potilândia, em Natal. Ambos darão acesso gratuito a crianças e jovens de 10 a 18 anos, com ferramentas de qualidade e oferta de educação diferenciada nos ramos da tecnologia e empreendedorismo. Segundo Farruggia, “levar laboratórios digitais para a garotada que vive em ambientes suburbanos, que não tem acesso aos equipamentos tecnológicos” é uma missão social do instituto. Ele ainda reforçou que há muito potencial dentre os jovens de baixa renda, mas que há necessidade de maior investimentos direcionado a eles. 

Mais cedo, durante a coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, o diretor já havia destacado a relevância de um espaço gratuito para os jovens de classes mais baixas, que normalmente não teriam oportunidade de conhecer as tecnologias que estão sendo apresentadas: “É importante mostrar para os jovens, principalmente os menos favorecidos, que não se resolve os problemas sem educação, ciência e inovação”.

É justamente o público mais novo que é mais visado pelo instituto. De acordo com Farruggia, a meta é fazê-los encontrar soluções inteligentes em suas próprias comunidades: dar protagonismo a esses jovens é uma forma de trabalhar sua autoestima. O presidente da Campus Party mencionou ainda sua proposta de realizar mutirões de testes de QI em escolas públicas. Os estudantes que alcançassem números altos seriam submetidos a outro exame, para identificar algum tipo de transtorno de hiperatividade e/ou déficit de atenção; os que recebessem positivo ganhariam bolsas de estudo em escolas de ciências parceiras do instituto, na intenção de oferecer maior aproveitamento de seus potenciais cognitivos. Já existem três laboratórios prontos, e mais quarenta estão sendo financiados pela CP. A inauguração dos laboratórios rendeu ao presidente do instituto o título de honra de Cidadão de Natal. A cerimônia oficial de entrega acontece hoje (17), às 19h15, no palco Feel the Future.

Palestras

As primeiras conferências e palestras aconteceram já no fim da noite. Como de costume, o palco Feel the Future recebe as principais atrações da programação. Já de início, Jon “Maddog” Hall, diretor do conselho Linux Professional Institute, conversou com os campuseiros sobre a importância da construção de softwares e hardwares brasileiros. “Se continuarem a mandar pessoas aos Estados Unidos e à Europa porque não há trabalhos no Brasil, eles realmente nunca existirão aqui,” declarou. Outras duas palestras seguiram Maddog: 5 passos para Colocar seu Projeto (e sua Carreira) na Direção Certa, com Bruno Souza, e O Guia de Sobrevivência na CPNatal2, com Allan Kardec e Clara Nobre. 

As demais aconteceram na arena das comunidades: A mulher na indústria de jogos, na comunidade As Boyzinhas Arretadas; Segurança em Nuvem: a ameaça fantasma, na comunidade DevOps RN; e Como conectar o cérebro com um Arduino, na comunidade Dumont Hackerspace.

Campuseiros e Empreendedores

Hélio e Jean, da esquerda para a direita, na animação de início do evento (Foto: Maria Clara Pimentel)
A CP reúne pessoas de todo o Brasil, o que inclui as cidades vizinhas à Natal, como é o caso dos estudantes de Engenharia da Computação, Jean Carlos, 23, e Hélio Victor, 18. Os mossoroenses estudam na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) em sua cidade natal, mas vieram para a capital potiguar com um grupo de amigos. A empolgação de ambos é nítida, enquanto Hélio explica: “É minha primeira Campus Party, e a distância não é um problema. Estou ansioso para ver tudo que está rolando na área de tecnologia e quais são as inovações mais significativas”. Ele conta que espera conhecer muita gente nova e acredita que o evento é a oportunidade perfeita para agregar conhecimento ao seu curso.

Lígia: "Na Campus Party, a gente não vai só assistir a palestra. A gente conversa com o palestrante, debate com a galera, brinca..." (Foto: Maria Clara Pimentel)
Enquanto isso, a baiana Lígia Santos, de 20 anos, tem um pouco mais de experiência no assunto. Estudante de Física Médica na Universidade Federal de Sergipe (UFS), ela já participou de outras edições da Campus Party, em São Paulo e na Bahia, na qual, inclusive, palestrou sobre robótica para mulheres. Aliás, o que mais gosta no evento é a presença de comunidades femininas, que acolhem de forma calorosa muitas garotas, como lhe fizeram em sua primeira edição paulista. Lígia acredita que a própria Campus Party ajuda nesse sentimento: “A CP tem braços abertos para a integração feminina na área nerd e tecnológica; eles fazem muito isso e é muito legal, tanto é que a própria organização do evento é cheia de mulher”. A baiana acredita que essas comunidades e o funcionamento da Campus são essenciais para a conquista desse espaço na área tecnológica, “recentemente aceitável para meninas”.

Mônica Borja comemora o início do evento que promete trazer lucro e muito aprendizado (Foto: Maria Clara Pimentel)
A expectativa também é grande para os comerciantes locais que pretendem lucrar durante a realização do evento. Para Mônica Borja, dona do food truck “Fuscrepe”, a Campus Party é excelente não só para seu bolso, mas também para a bagagem cultural de quem participa: “Esse é nosso segundo ano e a edição passada foi muito boa. O movimento é bacana e essa é uma experiência que vai além do lucro financeiro, pois, como atrai gente de todos os lugares, existe muita troca de conhecimento”. Desde 2015 ela e o marido investem na venda de crepes e esperam que essa edição seja, em questão de lucro, pelo menos igual à anterior, que superou todas as expectativas.

A Campus Party faz parte da agenda oficial da capital potiguar desde o ano passado, graças à Lei n° 6.789. Seu autor é o vereador Sueldo Medeiros (PHS), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara de Natal, que também esteve presente na coletiva de imprensa desta sexta.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Campus Party faz de Natal palco de debates sobre desenvolvimento tecnológico pelo segundo ano consecutivo

Evento acontece dos dias 16 a 18 de agosto no Centro de Convenções com o tema “Tecnologia para Transformação”


POR EQUIPE GRUPERT

Marcos Pontes, primeiro e único astronauta brasileiro, foi um dos grandes convidados da primeira edição em 2018. Foto: Divulção/Assessoria Campus Party. 
Natal está finalmente pronta para receber o Gandalf dançante e os gritos de campuseiros animados na Campus Party Jerimum 2.0. A maior feira de  desenvolvimento social, tecnológico e econômico do mundo agita a cidade do sol de 16 a 18 de agosto, no Centro de Convenções. O tema “Tecnologia para Transformação”  traz na programação palestras, dinâmicas, bate-papos, exposições e muito mais, com temáticas de empreendedorismo, programação, inovação, marketing digital, games, entretenimento e outros. 


Em 2018, a primeira edição da CP se consagrou como um dos maiores eventos tecnológicos do Rio Grande do Norte, com três dias de agenda vinte e quatro horas. O foco principal foi a tecnologia aeroespacial, que trouxe convidados internacionais de instituições como a NASA e abordou a relevância e o protagonismo do território potiguar na área de pesquisa. Os games também estiveram presentes, com inovações de grande importância social desenvolvidas em solo potiguar, como o jogo Super K, criado para ser utilizado com crianças em tratamento contra o câncer. Outras atrações de entretenimento, como o campeonato de UTC dos humoristas do canal Castro Brothers, mantiveram os visitantes à beira dos palcos durante as 72 horas. 


A Campus Party é um espaço dedicado àqueles que procuram imersão completa. Para isso, funciona como um sistema de camping para os que não querem perder um minuto de evento. Dezenas de campuseiros de todo os lugares do estado e do Nordeste trazem suas mochilas para passar o fim de semana logados na atmosfera digital. Na segunda edição, os campistas poderão aproveitar workshops de programação, palestras sobre tecnologia em diversas áreas, como saúde, educação, empreendedorismo e outras, com convidados especialistas nas áreas, além do acesso à internet durante todo o evento. 


Ainda há o Open Campus, destinada a visitantes e curiosos que querem curtir a programação gratuita da CP. Assim como no ano anterior, o espaço contará com atrações dedicadas ao empreendedorismo, educação, entretenimento, além dos universos de drones e games. Diferente da área interna, a aberta ao público funcionará das 12h às 21h. 



Projeto Include 


Em 2019, a Campus Party traz não só um evento, mais um incremento importante na educação pública do estado. Desenvolvido pelo Instituto Campus Party, o Projeto Include chega à região metropolitana de Natal com dois novos laboratórios tecnológicos destinados a crianças e adolescentes de 10 a 18 anos.  O primeiro deles será inaugurado na sexta-feira (16), às 16h, na Escola Municipal Emértio Nesto Lima em Parnamirim; o segundo será no sábado (17), às 10h, no Sesc de Potilândia da capital. 

Em Parnamirim, o projeto é desenvolvido em parceria com a Prefeitura, o SEBRAE, MCI, TRON Ensino de Robótica Educativa, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Núcleo - Integrando Tecnologias. Já em Natal, ele possui uma parceria adicional, o patrocínio do Sicoob, e terá uma estrutura que proporcionará acesso às tecnologias e aulas com temas tão atuais como domótica (casas inteligentes), robótica aplicada a mobilidade, sensores, drones, realidade virtual, modelagem e impressão 3D.

Os laboratórios Include incentivam a educação tecnológica às gerações mais novas, impulsionam a curiosidade sobre tecnologia, preparando no presente os profissionais do futuro e propiciando o desenvolvimento da área no Rio Grande do Norte. Serão promovidos o ensino da robótica, com material didático exclusivo, garantindo acesso à informação de qualidade e desenvolvimento de habilidades dentro de um ecossistema único de inovação, criatividade, conhecimento e empreendedorismo. 

“O Include é um programa que visa promover inclusão social e econômica para crianças e adolescentes de comunidades carentes e ou afastadas dos centros, que são excluídos da tecnologia e que não tem a oportunidade de acesso a esse universo, além de empoderá-los dentro dessas comunidades. Através de aulas de eletrônica, mecânica, sensores, robótica e programação, eles aprendem e são estimulados a desenvolver soluções para resolver problemas dentro das suas comunidades, sem precisar acionar pessoas de fora ou sair de lá. E o melhor, sendo remunerados com ganhos monetários para ajudarem as suas famílias,” explica Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party.

O estado da Bahia foi o berço do Include, onde o projeto possui outros quatro laboratórios em funcionamento. Além destes, o projeto já conta com instalações em Brasília e no Paraná, e está com mais de 100 laboratórios em vias de instalação em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Manaus, Porto Alegre, Santa Catarina, Alagoas e Rondônia. O projeto tem como objetivo final a implementação até 10 mil laboratórios, impactando adolescentes de todo o Brasil por meio da tecnologia.