sexta-feira, 29 de abril de 2016

Luz, câmera, emoção!


Por Luana Aladim

O auditório do Departamento de Comunicação da UFRN ficou pequeno para a quantidade de olhares curiosos e corações cheios de orgulho e ansiedade. A Primeira Mostra Cinematográfica contou com os frutos da Oficina de Fotografia, realizada nos primeiros meses de 2016: curtas-metragem produzidos por calouros de Comunicação Social.

Os curtas-metragens foram produzidos com o intuito de colocar em prática o que foi aprendido na Oficina, idealizada pelo estudante de Radialismo da UFRN Daniel Souza. Abordando conteúdos como iluminação, enquadramento, foco, edição de vídeo e a produção de roteiros, a Oficina nasceu, segundo Daniel, da necessidade da melhoria da produção visual na academia: “Quando aparecia um trabalho, um estágio, uma bolsa, alguma coisa que exigisse esse conhecimento, ninguém tinha... Então pensei ‘por que não ajudar a galera nesse sentido já que trabalho com isso?’. Inicialmente seria só pra minha turma de rádio, mas decidi abrir pra todos já que achava que a procura não seria grande. Foi então que apareceram 150 pessoas interessadas (risos).”

Alessa Oliveira, aluna do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFRN foi produtora de um dos vídeos apresentados. Apaixonada por fotografia, a caloura disse que aprendeu novas técnicas na Oficina, mas que também enfrentou desafios: “O primeiro desafio é que no vídeo a coisa acontece por mais tempo. Na foto, por exemplo, se eu quiser manter o foco, eu mantenho o foco naquele segundinho. No vídeo, não: é uma coisa contínua, a gente tem que pensar que o ator vai fazer todo um movimento com o corpo e a câmera tem que estar pronta pra acompanhar esse movimento. Outra coisa é a questão do som – não temos esse problema na foto, mas no vídeo sim. Aprendi que o silêncio é muito importante porque muitas vezes eu queria falar enquanto a cena acontecia, mas eu não podia estar ali só pensando na imagem: era todo um conjunto.”

O evento contou com a participação de alunos, pais e professores numa noite marcante. O tema dos curtas foi algo que chamou atenção: fugindo do padrão da cultura mercadológica do riso, explorou o suspense e o drama psicológico. As técnicas aprendidas em sala foram exploradas com sabedoria pelos estudantes que, ainda no primeiro período, já conseguiram chamar a atenção de professores e veteranos por causa da força de vontade e do comprometimento com o projeto. Sobre esse assunto, o jornalista e Doutor em Comunicação Juciano Lacerda emocionou-se ao comentar: “Isso tudo me lembra da época da minha graduação que quando estudante tomava a frente, ia atrás do núcleo de documentação da UFPB, pedia câmera emprestada, convidava professores para dar oficina pra gente e isso resultou em muitos produtos, prêmios... Acho importante esse interesse dos alunos na produção cinematográfica e essa exibição é fundamental para o curso e para a formação desses novos alunos. É muito emocionante ver que, já no primeiro semestre eles estão tendo contato com isso. Espero que essa dinâmica continue para que possam surgir mais produções.”

Abner Moabe, estudante de Comunicação Social /Jornalismo da UFRN, que já está perto de terminar sua graduação, brincou: “Me sinto humilhado (risos).” Abner ainda comentou sobre o aspecto da teorização do conhecimento na Universidade Federal, dizendo que é preciso buscar a prática – principalmente aqueles que não pretendem seguir a vida acadêmica: “Pra quem entrou agora numa Universidade eles já estão bem encaminhados... Avançaram muito em pouquíssimo tempo: é uma turma que promete. A produção audiovisual no Rio Grande do Norte é algo que ainda está engatinhando, mas os festivais estão aparecendo. Essa turma até o final do curso com certeza estará se desenvolvendo no campo regional e nacional.”

Para uma Primeira Mostra Cinematográfica os resultados surpreenderam. Não apenas pela questão técnica, mas também pela sensibilidade que os alunos tiveram ao se depararem com a sétima arte. Teve até quem inovasse usando o celular para gravar todo o filme e a qualidade não foi menosprezada, mostrando que a criatividade e o interesse são poderes superiores à falta de recursos.

A emoção foi constante durante todo o evento: olhos marejados e sorrisos nos rostos pelo sentimento de dever cumprido. Aos espectadores restou a curiosidade e a esperança para as futuras criações, afinal, essa geração está bem enquadrada para seguir produzindo com foco.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Democracia não pode esperar

Por Lais Di Lauro
Não existe neutralidade. Não existe isenção ideológica. Não há como fugir ou se esconder. Explosões de fanatismo partidário, valorativo e ideológico, extrapolam a discussão verbal, perpassando por vários estratos sociais. O alcance é expandido a cada segundo.
A política está em todo lugar. É um jogo de convencimento que utiliza da argumentação como ferramenta de persuasão. Sempre há dois lados, duas verdades sendo defendidas e debatidas ferrenhamente. Não há politicagem objetiva e descompromissada. Para existir política é necessária a divergência de interesses.
O atual momento político no Brasil é de instabilidade e tensão. As ruas tornaram-se palco para vozes de milhares de manifestantes que clamam pela democracia. Centenas de pessoas, dos mais variados extratos da sociedade, romperam estruturas ideológicas e, juntos, foram reivindicar seus direitos, assegurados na constituição de 1988 e fundamentos na soberania, na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político, como consta no Art. 1º, e que garante a igualdade perante a lei sem distinção de qualquer natureza, conforme o Art. 5º.
Uma reforma política foi idealizada. Sonhada e, muito provavelmente, inalcançável.

No último domingo (17 de Abril) durante a votação pela câmara dos deputados do Impeachment da atual presidente do país, Dilma Rousseff, representantes escolhidos democraticamente pela população votaram contra ou a favor ao prosseguimento do processo e decepcionaram a nação. Um momento crucial para o rumo futuro do país virou um espetáculo televisionado de forma escancaradamente manipulativa.
A conquista de dezenas de gerações está se desintegrado em nossa frente, se diluindo sobre nossos olhos. Não há tempo pra partidarismo, fanatismo e radicalismo. O momento é de luta e resistência. Não podemos deixar a democracia morrer. Outra vez.


Esquerda e direita assumiram posturas extremas, em alguns casos até utilizando-se do nome de Deus, da religião, da família, e de figuras líderes de movimentos repressivos – como o diretor do Doi Codi, que foi citado por um dos deputados na hora da escolha do voto. Voto este que revira o caldeirão político brasileiro, onde não há mais respeito, dignidade, ética, boas condutas e intenções louváveis.
No atual estado do país, não é possível ver com nitidez ou ter um discernimento através da névoa do cenário político. A confusão alastrou-se em meio a uma população predominante alienada pela possibilidade de uma suposta “reforma política” que, na verdade, não passa de um desejo utópico – se realizado por vias fora da legalidade.
Até o momento, a discussão acerca a legalidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não foi concluída, embora o processo esteja em andamento. A grande mídia tem realizado uma cobertura parcial dos fatos, e, em nenhum momento, houve uma apuração maior das informações a fim de divulgar a população, que sofrerá diretamente as consequências das escolhas políticas sendo tomadas no momento. Discussões entre especialistas em direito também não ajudam a esclarecer a situação; resta-nos apelar aos nossos instintos e ir em busca do que acreditarmos ser o melhor a nação brasileira.
A democracia, que por tanto tempo foi sufocada com lençóis de sangue, está, novamente, sendo ameaçadas por visionários dentro de um sistema corrupto e instável.
O tão almejado equilíbrio nacional no atual cenário está cada vez mais distante de ser conquistado. A sociedade está caminhando a passos largos em direção contrária à democracia.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Descrença e barbárie

Por Luiz Henrique Gomes

A descrença nas instituições e a distância dos nossos representantes políticos levam o povo brasileiro à barbárie. Na capital potiguar, os fatos dos últimos dias deixam evidentes o quanto perdemos a crença na justiça do Estado e o senso de civilização. Seja qual forem os caminhos tomados pelo cenário político, a tarefa de recuperar a confiança da sociedade não será fácil.

Aqui em Natal, pareceu mais justo e efetivo humilhar dois adolescentes, deixando-os nus e amarrados um ao outro para forçar uma corrida numa das principais avenidas da cidade, e tentar matá-los de forma cruel, jogando-os da ponte de Igapó amarrados em pedras, do que procurar as autoridades competentes que cuidam da segurança pública. O absurdo continuou na repercussão do caso: parte dos potiguares aceitou o crime como justo e bem pregado.

Mas como cobrar da população confiança nas instituições? O número de assaltos cresce em Natal dia após dia, a crise do sistema prisional se agrava com o crime organizado tomando conta dos presídios, assassinatos são cada vez mais frequentes, seja execuções da PM, latrocínio, ou guerra entre facções. Isso aliado a outras ineficiências institucionais: afinal, a situação da saúde, educação e transporte público da cidade também não é das melhores. O que não está desmoronando é porque já desabou.

É nesse cenário que o nosso povo assiste aos fatos do Planalto Central. Mesmo que o processo do impeachment seja reprovado e nossa democracia respeitada, restando resquícios da moral política do país, é difícil imaginar que deixarão Dilma governar. Além disso, não faltam oportunistas no congresso nacional que estejam transformando seu voto no processo como moeda de troca por cargos e posições importantes num futuro governo, seja ele peemedebista ou petista. O discurso que ganha o apoio dos principais jornais do país, a convocação de eleições gerais, também tem seus perigos para o Brasil. Visto pela mídia, tudo parece mais ficção que realidade.

Quem vai ganhando espaço com isso é o fascismo. Nas ruas e nas mídias. A imprensa também vive sua crise de credibilidade, e quem se sobressai é o jornalismo sensacionalista que atiça e bestializa a população. Crimes cometidos em nome de uma justiça são aclamados nos jornais do meio-dia. Para eles, quanto mais violento, melhor.

Portanto, quem mais necessita do Estado é alimentado pela raiva desses jornais e assiste os fatos políticos nacionais sem sentir que o resultado da confusão e da incerteza vai afetar seu futuro. Prova disso é a saída às ruas, pelo impeachment ou pela defesa da democracia, que não abraçou essa parcela da sociedade. Para eles, Brasília virou um simulacro que não tange as suas vidas. Por isso, o que aconteceu em Natal, infelizmente, não é um caso isolado: a sensação de falência das instituições levam essas atitudes para todos os cantos do país.
Dois adolescentes foram conduzidos nus e amarrados até a ponte de Igapó, onde foram obrigados a pular. Fonte: Novo Jornal.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dia do Jornalista: Todos os meus setes de abril do ano


Por Thayane Guimarães. 



Dia 7 de abril comemora-se o dia do jornalista. Não por mera coincidência, hoje me sento e escrevo sobre a profissão que escolhi cedo, e que me conquista cada dia por sua natureza desafiadora, complexa, dinâmica e prazerosa.
Jornalista trabalha com trato da informação. Acesso a ela, muitas vezes, temos. Os sites de transparência com os valores das contas do governo, as estatísticas, as declarações de autoridades, as previsões e descobertas científicas estão à disposição de muitos, principalmente na atualidade, com a rede digital de informação. Porém, tornar essa informação compreensível e acessível a todos de forma sistemática e de acordo com os princípios éticos que regem a profissão, na melhor das hipóteses, apenas o jornalista dedicado pode fazê-lo com propriedade. Não se trata somente de uma simples e pura reprodução de fatos que ocorrem na nossa comunidade. Nem tão pouco da manipulação desmedida e mal intencionada da informação para o benefício de terceiros, só porque o jornalista ocupa uma posição de privilégio com sua proximidade das fontes de informação.
Jornalismo diz respeito à interpretação e mediação dos fatos do mundo através dos olhos do jornalista. Olhos treinados a fazer com que a realidade seja transcrita e traduzida para todos, da forma mais fiel e direta possível, utopicamente falando. Sem nós, não haveria o intermédio entre as fontes e o público, de forma que toda informação, crua e não adaptada para o mais leigo, fosse a única disponível na esfera social.
O mundo hoje é informação. Estamos rodeados de códigos, realidades, conceitos, princípios, culturas e valores que nos são estranhos, e que demandam uma interferência de profissionais que possuem bases e fontes que podem melhor explicar e facilitar o entendimento de grande parte desses conhecimentos.
Por isso, além de necessário, o jornalismo se faz área que desafia qualquer profissional. Estar ligado nas atualizações do mundo, estar sempre pronto para aprender algo novo, estar preparado para tratar dos mais variados temas em um curto período de tempo, produzir o material que demanda a sociedade, em grande fluxo e rapidez, considerando a quantidade de fatos e realidades que precisam de elucidação são algumas das características que um jornalista “praticante” tem que ter.
Hoje, dia 7, comemora-se o dia do profissional que trabalha e produz, em poucas horas, material para turnos inteiros por um salário que não cobre metade dos seus estresse. Comemora-se o dia do profissional que se vira em vários para cobrir pautas em cantos opostos da cidade, sobre temas diferentes, com fontes diversas, sem perder a linha de raciocínio de cada uma das matérias. Comemora-se o dia da utopia de imparcialidade e da objetividade.
Porém, acima de tudo, hoje é dia da valorização deste profissional tão necessário a sociedade. Não há recompensa maior do que um trabalho bem feito e uma informação bem produzida e repassada com qualidade para a comunidade. Não há recompensa maior do que encarar as mudanças providas pelo trato jornalístico da informação, como também é prazeroso perceber o compromisso social de jornalistas com a evolução e melhoramento da sociedade em que estão inseridos, apesar das correntes contrárias de ódio que são disseminadas mídia a fora.
 Termino esse texto e já quase passa o dia nacional do jornalista. Ficam, porém, as comemorações pelas coisas boas da profissão e lutas por tudo aquilo que ainda precisamos conquistar.  Não por coincidência, os apelos desse texto não terminam aqui. O meu 7 de abril se estende por todos os dias do ano.