No ano em que
completa duas décadas, o Cursinho do DCE só tem motivos para comemorar. Com uma
aprovação significativa em universidades públicas, o projeto de extensão vem
conquistando um espaço cada vez maior na Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN). Funcionando em horários flexíveis e possuindo amplas
possibilidades de ingresso, essa alternativa conta com professores e
colaboradores que ainda estão em graduação.
O objetivo do
projeto é possibilitar um aprofundamento do conteúdo para estudantes que
pretendem ingressar no ensino superior, por meio do Exame Nacional do Ensino
Médio (ENEM) e outros vestibulares; o cursinho oferece,
ainda, aulões gratuitos de duas disciplinas mescladas, a cada duas semanas,
para toda a comunidade.
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| Aulão realizado em 8 de abril (Foto: Divulgação/Facebook). |
Estudante
do Ensino Médio e aluna do cursinho, Amarile Gabriele (18) diz que o fato de os
docentes que integram a equipe ainda estarem em processo de formação não afeta
seu desempenho em sala e dinâmica com os alunos. “Eu percebo que, apesar de ainda
serem alunos, eles estão bem capacitados”, declara, fazendo alusão à rigidez em sala e o
processo de seleção pelo qual passaram para poder integrar o corpo docente. Vestibulanda de Medicina, ela alega estar satisfeita com o projeto, afirmando que,
caso não fizesse parte dele, teria que que recorrer à videoaulas online, como
complemento ao que aprende na escola, para se preparar para o vestibular.
Geidson Lima Alves, 24, professor do cursinho e discente do sétimo período do curso de Filosofia, acentuou que tal
dinâmica se torna importante para o aprendizado do professor ao requerer uma
abordagem diferente da matéria aprendida por ele em sala, e admite que sua própria visão da filosofia mudou ao simplificá-la para
facilitar o diálogo em suas aulas.
O graduando
afirma ainda que, graças à oportunidade de lecionar que lhe foi proporcionada
pelo cursinho, ele se sente muito mais preparado para o mercado de trabalho. “Aqui
me abriram as portas para que eu conseguisse perceber como funciona essa
dinâmica da aula, a abordagem de cursinho, e ter essa experiência, perante a
realidade dos alunos”.
O Cursinho do
DCE foi criado em 1997, como uma empresa júnior/projeto de extensão. O atual
Diretor-Presidente do Cursinho do DCE, Arthur de Almeida Neto, 26, estudante de
Pedagogia, acredita que a longevidade do projeto pode ser creditada à forma
como ele é gerido: horizontalmente, com decisões tomadas por meio de um
colegiado, mas de modo que “cada um, de acordo com as especificidades do seu
curso, tenha certa autonomia para exercer funções ou atribuições no projeto”,
livremente. Destaca ainda o processo de aprendizado entre colegas, com
experiências e conhecimentos passados entre as gerações da gestão.
Arthur, que
pretende se especializar na área de gestão e coordenação, inicialmente integrou
a equipe como coordenador pedagógico, e hoje como coordenador geral. Ele aponta
a oportunidade de errar sem o perigo de demissão ou represália é imprescindível
para o seu processo de aprendizado. “O que vai acontecer é: ‘Ei, olha, você
errou aqui, vamos consertar?”, arremata.
No entanto,
reconhece que nem sempre é fácil para todos os professores, no início; o
nervosismo e a falta de experiência se mostram na hora de interagir com os
alunos em sala, e eles percebem isso, mas é preciso um entendimento entre as
duas partes. Ele assinala que a experiência é como um laboratório, que estão todos aprendendo uns com os outros.
Quando o
assunto são os resultados obtidos, a equipe do cursinho e seus alunos só têm o
que celebrar: 2017 foi o ano com mais aprovações do projeto, principalmente em
cursos considerados concorridos como Direito, Medicina e Biomedicina. Arthur
credita isso à metodologia utilizada pelos professores em sala: “Não é só
ensiná-los a passar no ENEM, mas também para a vida”.
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| Professores e alunos aprovados em 2017 (Foto: Divulgação/Facebook). |
Existem,
inclusive, casos de estudantes que entraram no projeto sem a base necessária,
sem contato com disciplinas fundamentais (como Biologia e Química) nos
processos seletivos, para quem esse primeiro contato ocorreu na sala de aula do
cursinho e que foram bem sucedidos ao prestar o vestibular por conta desse
suporte.
O curso hoje
conta com 11 turmas, cada uma com, em média, 50 alunos, e aulas durante os três
turnos do dia em diversos setores da universidade. “É uma grandiosidade para a
pequenez de estudantes que ainda estão entrando no mercado”, comemora Arthur.


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