Iniciativas junto a instituições de ensino são parte dos esforços para manter estoque equilibrado para atender demandas transfusionais
Por
Henrique Mendes e Tiago Silva
![]() |
| Imagem: Reprodução |
A campanha
Universitário Bom de Sangue, uma parceria do Hemonorte com o Diretório do
Centro Acadêmico da Universidade Potiguar, ocorreu entre os dias 17 e 31 de
agosto em todos os câmpus da instituição. Já o projeto Sangue Universitário,
ocorre na Escola de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte nos dias 21 e 22 de setembro. Em ambas ações, o Hemonorte objetiva
conscientizar a população da importância de fazer doações e manter os estoques
do banco de sangue do estado em níveis equilibrados.
Os
pré-requisitos básicos para doar, segundo o Ministério da Saúde, são: ter entre
16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias de idade, sendo que a primeira doação deve ter
sido feita antes dos 60 anos; ter peso igual ou superior a 50 Kg; estar
alimentado, mas evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a
doação. Caso seja após o almoço, aguardar duas horas; ter dormido pelo menos
seis horas nas últimas 24 horas. Se o doador tiver entre 16 e 18 anos incompletos,
a doação só poderá ser realizada mediante consentimento dos pais ou
responsáveis legais. É possível ainda que o hemocentro solicite a presença dos
pais para a doação.
Everton
Webber, estudante de Engenharia Civil e presidente do DCE/UNP, informa que as
doações foram incentivadas por meio de campanha solidária entre os alunos, na
qual a turma que mais arrecadasse doadores ganharia prêmios que envolvem desde
ingressos para sessões de cinema até entradas em festas e eventos da cidade. Na
página criada pelo DCE no Facebook para a campanha, os organizadores dizem que
a Spotted Fest, um popular evento universitário semestral, se comprometeu a
distribuir alguns prêmios de entrada vitalícia para ser sorteado pela sala
vencedora. Everton informou que ainda está sendo feito o levantamento do volume
de doações arrecadados com a campanha.
Brasil precisa de mais doadores regulares
Os
índices de sangue abaixo do esperado nos hemocentros brasileiros é um problema. E a indisponibilidade do brasileiro em doar
sangue sempre foi e continua sendo objeto de preocupação. O relatório Blood
supply for transfusions in Latin American and Caribbean Countries, da Organização
Pan-Americana para a Saúde (OPAS), divulgado em junho deste ano, fez um
levantamento em que o Brasil, apesar de obter o maior volume de doações da
América Latina em termos quantitativos, aparecia como um doador menor que Cuba
e Colômbia em termos percentuais, sendo que apenas 1,8% da nossa população
entre 18 e 69 anos era doadora regular de sangue. A ONU considera ideal uma
taxa de doadores entre 3% e 5% da população.
Esse
relatório também aponta que apenas 6 em cada 10 doadores brasileiros o fazem de
livre e espontânea vontade, sem se preocupar a quem se destina o sangue. O
restante é composto por doadores de reposição, aqueles que doam quando algum
parente ou amigo necessita. Especialistas entrevistados por reportagem da BBC
de Londres sobre o tema apontam que é preferível a doação voluntária, porque
ela aumenta a qualidade do produto oferecido pelos hemocentros, uma vez que é
possível monitorar melhor o sangue.
Em torno
da doação de sangue no Brasil ocorrem, inclusive, polêmicas relacionadas a
regulamentações que podem carecer de revisão, como o impedimento a homens gays
“com vida sexual ativa” de doar. A norma já foi abolida em países da Europa e é
considerada discriminatória por representantes do movimento LGBT.
Uma
mudança no que concerne à consciência do brasileiro quanto à importância de
doar se faz necessária nesse sentido e especialistas salientam a necessidade de
a conscientização acorrer no âmbito educacional. E esse é um dos caminhos que o
Hemocentro Dalton Cunha, banco de sangue do governo do RN, procura manter a
estabilidade dos seus suprimentos. O Hemonorte possui até mesmo uma unidade
móvel para colher doações em vários pontos, já que o centro conta com apenas
duas unidades em Natal e uma em Mossoró. Everton Webber relata que nessa
campanha feita junto ao DCE da UNP não foram usadas instalações da unidade
móvel por questões de maior praticidade. “É uma agenda logística muito
complicada para disponibilidade da unidade móvel, tem que ter espaço adequado e
estacionamento privado, mas já houve uma ação assim, no campus Roberto Freire”.
Uma
doação de sangue pode ajudar diretamente até quatro pessoas, sendo fundamental
para transfusões em cirurgias de pessoas acidentadas gravemente e no tratamento
de queimaduras violentas, bem como no tratamento de pessoas portadoras de
leucemia, hemofilia e anemias. Para doar em Natal basta se atentar aos
pré-requisitos de doação e se dirigir a uma das unidades do Hemonorte munido de
documento oficial com foto: no posto Zona Sul, localizado na Avenida Almirante
Alexandrino de Alencar, 1800, no Tirol; e no posto Zona Norte, localizado na
Avenida Itapetinga, 1430, no Potengi.
A
comunidade acadêmica e a população dos bairros no entorno da UFRN poderão
realizar a boa-ação nesta quinta e sexta-feira durante o Projeto Sangue
Universitário, na ECT, nos Auditórios D e E.

Nenhum comentário:
Postar um comentário