sábado, 2 de dezembro de 2017

Cartas de agradecimento a um ano de produção maravilhoso, da equipe Caderno de Pauta e Caderneta Nerd

O fim do ano está chegando e com isso mais um ciclo de trabalho do Caderno de Pauta se fecha. Foi um ano cheio de novidades e crescimento do site e da equipe: tivemos a criação do blog Caderneta Nerd, a oficialização do site do CP, nossa primeira cobertura interestadual em Fortaleza, o alcance das cem mil visualizações e tantas outras coisas! Para dar início ao período de pausa das produções, os membros da nossa equipe vieram contar um pouco sobre as experiências que 2017 proporcionaram. 

Thayane Guimarães, chefe de redação:
Em três anos na universidade, participo desde o primeiro ano do GRUPERT e do Caderno de Pauta. A esse fato, relaciono grande parte do meu amadurecimento profissional, já que foi no projeto que tive a maior parte das minhas experiências com o mundo fora das cercas do campus.
A base e fundamentos do Grupert se trata exatamente de introduzir os conhecimentos práticos iniciais da área da comunicação, fazendo com que um calouro comece desde já a experimentar dessa realidade, por vezes tão diferente do que é passado em sala de aula. Passei dois anos junto à coordenação do projeto, e poder acompanhar o crescimento e desenvolvimento dos calouros do curso provavelmente foi umas coisas mais significantes para mim.
Todo o sucesso e potencial do Grupert se reflete em diversos fatores, e para além do contador de acessos dos nossos sites, são resultado de todo o sistema de gestão colaborativa, todas as reuniões, pautas e coberturas planejadas e executada por alunos para os próprios colegas. 
Sem sombra de dúvidas, todas as nossas conquistas, individuais e coletivas, enquanto grupo e projeto de extensão é uma das coisas que mais me orgulho poder dizer fazer parte dentro da universidade.

Leonardo Da Vinci, Editor-Chefe do Caderneta Nerd:
Acredito que 2017 trouxe novos horizontes para o Caderno de Pauta. Ganhamos novos membros, atingimos a marca de mais de 100 mil acessos, fizemos coberturas de eventos, nos tornamos um site e ganhamos uma página de cultura: o Caderneta Nerd, a qual tive orgulho de ser escolhido como editor e ter experiências gratificantes com pessoas maravilhosas. Espero que venha muito mais. 

Anthony Matteus, repórter:
Minha experiência no Grupert tem sido muito boa. Foi muito importante para mim no começo do primeiro semestre, eu calouro, sem saber muito bem onde estava, sem saber o que fazer, eis que surge o Grupert. Posso dizer que esse projeto fez parte no meu amadurecimento no curso.


Vinícios Veloso, repórter: 
Bom, o Grupert me abriu portas para uma socialização maior com outros estudantes de Comunicação Social da UFRN e de um maior contato com o curso de Jornalismo. Aprendi muitas coisas interessantes durante os meses do projeto, como noções de releases, pautas, leads, imagens e de como elaborar um texto com maior qualidade. Mas é claro que não aprendi isso só, os veteranos que já participavam do Grupert ensinaram aos calouros que estavam chegando sobre de como fazer boas entrevistas, perfis, fotos e outras coisas mais relacionados ao mundo do jornal e às relações humanas. 
Vimos documentários, trechos de entrevistas, e tivemos rodas de conversas com profissionais de assessoria, fotógrafos, professores do Decom e outros convidados que ajudaram a somar enormes conhecimentos para todos os envolvidos. O Caderno de Pauta, assim como o Caderneta Nerde são iniciativas excelentes para tratar sobre temas locais, entretenimento, cultura, lazer, política e demais temáticas. Tive a oportunidade de realizar com outros dois amigos uma reportagem bem legal com um mestre de boxe aqui da cidade Natal. A matéria foi um sucesso e rendeu bons comentários. Espero que o Grupert no próximo ano explore mais o nosso potencial. 

Ricarla Nobre, repórter: 
Participar do GRUPERT esse ano para mim foi um desafio importante. 2017 foi muito corrido, e saber administrar o tempo para fazer as matérias e cumprir com os prazos estipulados, me ensinou bastante. Em meio a tanta correria, esse projeto nos dá espaço para buscar pautas, ir até a rua e vivenciar o melhor do jornalismo - que é o contato com pessoas e suas histórias. A importância de algo assim, na nossa formação acadêmica, é indispensável. E a expectativa é que o projeto continue firme e forte propiciando essas experiências e se expandindo para mais alunos da graduação. Então só tenho a agradecer a todos pelos esforços e desejar muito sucesso e crescimento para o GRUPERT em 2018.

Germano Freitas, repórter:
Em meu primeiro ano do curso de jornalismo, achei importante ter tido a prática com o Caderno de Pauta para abrir minha visão a detalhes que não imaginava antes. Também foi perceptível,  para mim, que  ter um meio de publicação é uma ferramenta forte para se conseguir entrevistas e fazer com que as matérias saiam apenas das ideias. Em geral, sinto-me feliz pela decisão de participar e concluo o ano com mais do que esperava ter.


Luiz Gustavo, repórter: 
Eu acredito que um estudante de jornalismo deve ter experiências além do que é proposto em sala de aula. Neste primeiro ano, o grupert cumpriu com essa função, nos proporcionou exercícios básicos e experiências mais complexas, como cobrir eventos. Além disso, o Caderneta Nerd foi um ponto positivo, a oportunidade de escrever e opinar sobre assuntos que eu gosto e tenho interesse é inexplicável. Em síntese, o projeto é uma boa forma de iniciar a vida acadêmica e jornalística, tem pontos a melhorar, mas acredito que o projeto só tende a crescer cada vez mais. 


Marcelha Pereira, chefe de RH e repórter:
Eu estou no Grupert desde o meu primeiro semestre na Universidade e tem sido uma ótima experiência. Este ano, especificamente, foi maravilhoso para mim, tive contato com assessoria e cobertura jornalística, algo que não tive ano passado. Essas experiências foram muito importantes para o meu crescimento tanto pessoal como profissional. 


Ana Clara Neri, repórter:
O Grupert foi uma forma de aprender a lidar com o ambiente próximo ao de uma redação, a “pressão” para entregar as pautas, as matérias etc. Sem contar que para mim, as oficinas foram um ponto chave para o meu desenvolvimento profissional:  o contato com profissionais da área foram super importantes na medida em que passei a ter uma nova percepção sobre determinados assuntos. Por fim, a experiência prática foi a melhor: a liberdade para fazer abordagens diferentes e diversificadas no jornalismo é o que para mim, trouxe a diferença do projeto de extensão.


Hilda Vasconcelos, assessora e repórter:
Meu primeiro ano de Grupert foi no meu primeiro ano de faculdade, também. Por ser muito tímida, só tinha interesse em ficar na assessoria – no entanto, no Grupert tive minhas primeiras oportunidades de apurar, entrevistar e redigir matérias jornalísticas, fazendo, assim, com que eu abrisse mais minha mente para as outras faces do jornalismo.Estive na equipe da assessoria de imprensa desde a cobertura do SAGA 2017 e essa experiência foi muito engrandecedora também. Desde então, aprendi muito com meus veteranos e enfrentei muitas situações que nunca imaginaria ter que lidar logo no início do curso. Sem dúvidas, está sendo uma oportunidade incrível e eu creio que só venho ganhando conhecimento que vou levar para a vida inteira. 


Ana Flávia Sanção, editora, planejadora digital e (nova) chefe de redação:
Acompanhar o crescimento do Caderno de Pauta há dois anos é uma das experiências mais gratificantes que eu tive e ainda tenho desde que entrei na universidade. Tudo que o CP já me proporcionou dentre reportagens, coberturas e viagem foi de um aprendizado enorme como futura jornalista profissional. Sou grata a todos da equipe e à Thayane por confiar em mim e me passar a responsabilidade de tocar o site daqui em diante. 2018 será melhor ainda que 2017. 

Obrigada a todos vocês que nos acompanharam! Que venha 2018! 





quarta-feira, 1 de novembro de 2017

UFRN recebe equipamentos de alta precisão do Projeto Hope



Materiais serão utilizados, no Departamento de Enfermagem, ainda nesse semestre.
Por Leandro Lima 
Foto: Leandro Lima.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em breve, passará a contar com insumos de alta tecnologia, que auxiliarão nas práticas de ensino, pesquisa e extensão da comunidade acadêmica do Departamento de Enfermagem. O material, fruto de doação do projeto Hope, ajudará não só a compreender, em detalhes, os mecanismos e arranjos anatômicos e fisiológicos do corpo humano, como também permitirá a integração da teoria acadêmica a práticas interativas por meio de simulações de situações reais.
O Laboratório de Habilidades, situado no Campus Central da UFRN, passará a contar com simuladores de exames de Papanicolau e de um braço para cateterização venosa e treinamento de medicação, modelos de exame de mama e palpação do abdome gravídico para manobras de Leopold, com os quais professores e alunos poderão explorar e aprimorar seus estudos no campo da saúde e da enfermagem.
Foto: Leandro Lima.
A parceria, iniciada na década de 70, entre instituições natalenses – como o Hospital das Clínicas, Varela Santiago, UFRN – e o projeto Hope foi o fio condutor para a escolha da Escola de Enfermagem da UFRN como instituição beneficiada pelo projeto. Segundo a professora Hylarina Montenegro Diniz Silva, chefe do DENF, o Hope trouxe uma grande contribuição para a formação dos profissionais da área da saúde e da enfermagem de Natal, principalmente para os primeiros alunos de graduação do curso de Enfermagem da UFRN, em 1973.
Na época, o navio-hospital Hope atracou, durante 10 meses, em Natal, trazendo um moderno modelo de saúde, sete toneladas de medicamentos e um grande número de publicações médicas, as quais contribuíram para o abastecimento do acervo das bibliotecas das Escolas de Odontologia, Medicina e Enfermagem da Universidade. “O projeto vem fomentar o espaço de aprendizagem que já existe, trazendo outros materiais que serão importantes para a formação dos profissionais”, disse Hylaria.
Foto: Leandro Lima.
Além da UFRN, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também receberá materiais de apoio para suprir a demanda de equipamentos e contribuir com os estudos de pesquisadores na área. Theresa Obrien de Brito, representante do Hope, disse que o projeto, apesar de não mais atuar no modelo da década de 70, continua com a missão de auxiliar as instituições e escolas nas quais o Hope atuou. “O intuito é de contribuir com o desenvolvimento e aprimoramento dos estudos”, afirmou.
O Departamento de Enfermagem aguarda o processo de tombamento, por meio do qual os materiais tornam-se patrimônio da UFRN e, posteriormente, poderão ser utilizados pela comunidade acadêmica que aguarda, com bastante expectativa, o início das atividades envolvendo os novos materiais.  

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Projeto Criança no Bosque leva evento ao Bairro de Capim Macio

O projeto social que mistura diversão, conhecimento e respeito pela natureza, terá segunda edição


Por Ana Clara Bilro

1ª edição do Criança no Bosque (foto: acervo ACM)

Acontece neste domingo (8), em comemoração ao dia da criança, a segunda edição do projeto Criança no Bosque. O evento é uma iniciativa do grupo Amigos de Capim Macio (ACM), que objetiva proporcionar melhorias na qualidade de vida do bairro através de espaços propícios para o lazer da comunidade, principalmente das crianças. O evento acontece na Praça de Capim Macio (atrás do supermercado Extra) a partir das 15h.

A primeira edição ocorreu ano passado em decorrência da necessidade dos moradores em ocupar a praça e aproveitar o espaço, que por sua vez estava abandonado pelo poder público. Abandono esse que tornou o lugar favorável para se tornar ponto de prostituição, assaltos e tráfico de drogas, fazendo do local um ambiente hostil e impróprio para a população usufruir. Nesse sentido, o grupo uniu-se nessa causa, organizando-se em pequena formação e sem patrocínios, promovendo as confraternizações a partir de quotas entre os próprios residentes.

Com o sucesso do evento que deu pontapé inicial, os ACM decidiram levar o projeto adiante. Nessa segunda edição, o Criança no Bosque vai contar com o grupo Trotamundos para contação de histórias, lanche coletivo, brincadeiras diversas e uma oficina de papel reciclado com a artesã Delza Medeiros, que acredita ser “importante a relação com o meio ambiente e o despertar das crianças para o reaproveitamento de materiais”.

Também para a organização da festa, a relação entre as crianças e a natureza é essencial. Para uma das organizadoras, Shirley Bilro, 52, é importante “tirar a criança do computador, tirá-la desse mundo virtual e colocá-la mais em contato com a natureza. [A expectativa] é que as crianças se divirtam e vejam como é gostoso correr e brincar”. “A população, aos poucos, vai aproveitando e usufruindo de uma zona verde, que é muito interessante para uma tarde de lazer com as crianças como será no domingo”, declara.

Música Alimento Da Alma: A 19ª edição do maior Festival Musical do RN

 Por Ana Clara Neri, Henrique Mendes, Hilda Vasconcelos, Lívia Rodrigues e Manoel Ataíde


Festival MADA 2017/Foto: Luana Tayze

O Festival

Aconteceu nos últimos dia 29 e 30 de setembro o MADA -- Música Alimento da Alma. O festival, que é pioneiro em Natal, surgiu no ano de 1998, revolucionando o cenário musical potiguar. Em 2017, foram dois dias muito intensos, com música para todos os gostos: rock, indie pop, rap e funk estiveram presentes nessa edição, que levou muita gente pro gramado do estádio Arena das Dunas. O evento, realizado no segundo semestre de todos os anos desde sua primeira edição, também tem destaque no âmbito nacional por trazer, simultaneamente, atrações emergentes e artistas já consagrados na cena nacional – ao todo, mais de 540 bandas já passaram pelo festival. O objetivo é levar aos novos públicos a música e os artistas que transcendem seus estilos e criam novas sonoridades, com base nas matrizes do Brasil.

A dinâmica do evento contou com shows alternados, estrutura com dois palcos (Palco Skol e Palco Vivo) e uma produção digna dos festivais mais importantes da cena indie brasileira – que afinal, é o que o MADA se tornou ao longo dos anos, servindo também, como inspiração para outros posteriores. Sua realização tem o subsídio das Leis Câmara Cascudo (do Governo do estado) e Djalma Maranhão (da Prefeitura de Natal). Além disso, tem os patrocínios da Arena das Dunas, Skol, Coca-Cola, Café Santa Clara e apoios da Sunline Turismo, Rede InterTV Cabugi e Jovem Pan Natal FM.

Jomardo Jonas Azevedo, produtor do festival, participou do Música Mundo , uma Feira Internacional de Negócios na Música, realizada em Belo Horizonte-MG, atestando o sucesso do mais longevo festival de música do RN não só entre o público mas também no meio empresarial. 


Os Shows 

Primeiro Dia

Eliano, cantor e poeta pauferrense, abriu as apresentações do palco Skol e sua música já prenunciou o que caracterizaria o som do Mada: instrumental, autoral e muito conceitual. Além de cantor e poeta, Eliano é também produtor cultural e professor. Organizador e participante assíduo de saraus, isso transparece no seu som totalmente novo, mas que não deixa de soar familiar aos ouvidos nos versos de “Tão Devagar” e “Desmudando” que remetem deliciosamente a Raul Seixas.

Embora tenha tocado com o festival ainda vazio, Eliano mostrou um show muito consistente, dando uma boa mostra da melhor música da cena potiguar na atualidade. 

A banda paulista Deb and the Mentals, vencedora da Seletiva Nacional do Mada, trouxe uma sonoridade grunge dos anos 1990. Composto por Deborah Babilônia (vocalista), Guilherme Hypolito (guitarrista), Giuliano Di Martino (baterista) e Stanislaw Tchaick (baixista), o grupo que não parecia ser muito conhecido na cidade não demorou muito para animar o público. Por diversas vezes os integrantes fizeram questão de dizer o quão honrados estavam por estar participando do festival e porque isso é tão importante para eles. Logo em seguida, a potiguar Seu Ninguém, formada por Luana Alves, Erick Allan, Luan Régio, Salomão Henrique e Italo Alves, mostrou seu estilo indie pop/rock.

A proposta dos organizadores do evento, segundo a Fato Novo Comunicação, consiste em apresentar artistas da música contemporânea, consagrados e novos, e propiciar a “formação de plateia” para bandas autorais. Seu Ninguém é um excelente exemplo de banda que vem criando um público cada vez mais fiel através de uma música muito instrumental, com direito a solos de escaleta da vocalista Luana Alves. O show teve também a participação de saxofonista e trompetista ex-colegas de banda de Luana convidados. 

Qualquer dúvida sobre o impacto que seria causado nessa noite foi sanada a partir do momento em que Baco Exu do Blues entrou no palco Vivo. Além de se conectar com a energia da plateia, a dupla de rappers desceu do palco duas vezes e interagiu diretamente com a multidão eufórica de fãs (os quebra-taça ou facção carinhosa, como são chamados). “Se vocês continuarem assim até o fim do show, eu vou descer aí”, e desceu. Durante seu espetáculo foram feitas duas rodas com o público, uma no rockstage e uma na pista respectivamente, em momentos diferentes do show. 

Baco Exu do Blues desce do palco/Foto: Luana Tayze

A partir deste momento, também o Mada ganhou um tom de resistência. O transcendental show dos meninos do Baco é uma bofetada de africanidade, “Abre Caminhos” não pede licença para chegar e provocar o transe necessário para encarar as discussões extremamente contundentes a que se propõem os baianos. “Oração a vitória” fala de tudo (tudo!), é mesmo “mais surreal que um quadro de Salvador Dali fugindo da tela”, portanto, nada mais natural que um mosh ou bate-cabeça entre o público para expressar o quanto de tudo tinha naquele som e tirar quaisquer dúvidas de que o “Exu do blues está de volta”.

Realmente o ponto alto da primeira noite: num momento em que vivenciamos uma série de ataques às matrizes africanas com o vilipêndio de terreiros de candomblé, um som que evoque toda essa negritude e espiritualidade de um ponto de vista tão visceral precisa ser ouvido. Visceral , mas ao mesmo tempo cheio de poesia (rap é rhythm and poetry). “Te amo Disgraça” traz, inclusive, um ótimo ponto de vista sobre amor e relações humanas.

Marcela Vale, mais conhecida como Mahmundi, fez sua estreia em Natal na sexta-feira: com seu som pop, a artista oferece batidas e letras que remetem à música dos anos 1980. A artista carioca apresentou músicas do seu novo álbum de trabalho lançado agora em 2017 e intitulado Mahmundi, mas também cantou alguns singles já conhecidos pelo público, como “Hit” e “Azul”. A cantora ainda aproveitou o momento para enaltecer a importância de shows e festivais como o MADA para artistas independentes como ela, que vivem na espera de editais e que necessitam de maior visibilidade e valorização. 

Em um show muito emocionante, a banda natalense Plutão Já Foi Planeta fez sua primeira apresentação na cidade após ser anunciada no line up de um dos maiores festivais de música do Brasil (Lollapalooza 2018, que ocorrerá no próximo mês de março) e ressaltou toda sua gratidão ao seu fiel público potiguar. Performou diversos hits que já estão na ponta da língua dos fãs (provenientes de seu segundo disco “A Última Palavra Feche a Porta”, lançado no final do semestre passado, com canções como “Alto Mar” e “Me Leve”), além de relembrar sucessos antigos, como “Viagem Perdida”. O ponto alto do show foi o beijaço LGBT, acompanhado de um protesto contra a recente decisão que envolve a “Cura Gay”. 

Casais que participaram do beijaço LGBT e a banda no palco/Foto: Diego Marcel

É indescritível o sentimento que se dá com a entrada da Banda Uó no palco. Apesar de virem de Goiânia, não é difícil sentir-se no Pará com essa verdadeira mistura de tecnobrega, funk, ritmos latinos e paraenses. Surgida em 2010, é formada pelos vocalistas Mel Gonçalves (Candy Mel), Davi Sabbag e Mateus Carrilho. O trio não deixou o público ficar parado, porque além de cantar hits como Shake de Amor, Catraca e Corpo Sensual (parceria de sucesso de Mateus e Pabllo Vittar), incrementou ainda mais o show com coreografias, melodias envolventes e letras descontraídas.

Finalizando o primeiro dia, Nando Reis voltou ao festival com o show de “Jardim-Pomar”, disco de sua fase independente. O mais recente trabalho do cantor reforça sua poesia leve e musical, falando de amor, vida, família e cotidiano. Como se não fosse comovente por si só, o show conta com imagens projetadas que ilustram as letras das canções, além de ter músicas mais antigas e famosas, que foram as responsáveis por conquistar esse público tão apaixonado. Além disso, o show do cantor contou com uma homenagem especial à falecida amiga Cássia Eller, com a icônica “All Star”, feita por Nando em 2000 sobre a amizade dos dois. O público pôde relembrar essa grande parceria do pop/rock nacional com “Relicário” ao longo do show, e na volta de Nando ao final com “O Segundo Sol”, uma das músicas mais emblemáticas da cantora.

Nando Reis durante sua apresentação/Foto: Luana Tayze

Segundo Dia 

A abertura do segundo dia de festival contou com a participação da DJ Monizza, que trouxe as batidas do rock clássico e hits eletrônicos internacionais mesclados com sua criatividade, criando remixes de tirar a plateia do chão. 

Depois de tocar no Rock in Rio, a banda natalense Kung Fu Johnny voltou ao palco do Mada para uma apresentação cheia de moral trazendo o tradicional rock de garagem com as letras em inglês que são a marca da banda. Na mesma pegada autoral e conceitual que foram a tônica do festival, as goianas da “Carne Doce” se apresentaram em seguida e a vocalista e compositora da banda Salma Jô declamou poemas, bem consoantes com as letras cheias de lirismo crítico do álbum “Princesa”.

A temática antiproibicionista do DuSouto em “Se Legalize” deixou uma mensagem muito clara da proposta dos potiguares com o novo álbum, “Conecta”. Mistura de eletro e reggae music com muita brasilidade, os meninos cantaram o hit “Cretino”, incendiaram o palco Skol e adicionaram o ânimo necessário para os grandes shows que viriam na sequência.

A rapper curitibana Karol Conka levantou o público com seu show cheio de batidas fortes e letras cheias de empoderamento feminino. Em sua segunda apresentação em Natal, certamente a cantora pode sentir o quanto é admirada na cidade. Um dos nomes mais representativos dessa boa safra de rappers feministas, Conka mostrou que é uma artista diversificada que caminha por vários estilos e fez questão de interpretar “Back to Black” de Amy Winehouse ao final de seu show, atendendo a pedidos dos fãs pelas redes sociais. O público acompanhou as letras de “Tombei” e da censurada “Lalá” dançando como pede a frenética batida. Mas o show coeso da cantora trouxe também músicas mais melódicas no início como “Bate a Poeira”, cantada em uníssono pela plateia, e a impactante “Sandália”, parceria dela com Rincón Sapiência.

Muita esperada pelo público, a apresentação da rockeira Pitty não fez por menos. Com direito a clássicos de sua carreira e projeções modernas, era praticamente impossível ficar parado durante seu show. Ela cantou hits consagrados de seus dois primeiros álbuns e as letras politizadas que marcam a composição da cantora ensejaram gritos de “Fora Temer” na plateia, mostrando que, “Anacrônico”, por exemplo, não poderia ser mais atual apesar de já estar perto dos 13 anos. A baiana, que já veio para outras edições do MADA, entre elas a primeira (1998), também fez questão de deixar claro que estava muito satisfeita por se apresentar na capital novamente, tendo em conta sua interpretação com as participações especiais de Karol Conka e Baiana System, as quais levaram o público ao delírio.

Pitty e Karol Conka/Foto: Luana Tayze

Tendo sua aparição criticada por alguns e elogiada por outros, quem veio na sequência foi a drag queen potiguar Kaya Conky, num pocket show de lançamento do EP “Sabe que Vai”. Trazendo vários covers dos maiores hits do atual funk brasileiro e do pop internacional, acompanhada de dançarinos e muita coreografia, a cantora intensificou a euforia da plateia finalizando seu show com o hit autoral “E aí bebê”. No fim, a drag passou uma mensagem para o público sobre sua experiência pessoal com os preconceitos que sofre, incentivando todos a seguirem seus sonhos.

O encerramento do MADA 2017 se deu com um épico show do grupo Baiana System. Com um som de melodia agradável e letras de protesto do álbum “Duas Cidades”, cuja faixa-título foi interpretada em dueto com Pitty, a banda mostrou porque o som que mistura a guitarra baiana com o sound system jamaicano é um dos mais aclamados na atualidade. 

A faixa “Playsom” integrando a trilha do jogo Fifa 2016 e a novíssima “Capim Guiné”, com participação de Margareth Menezes e da cantora transexual angolana Titica, ambas executadas no palco do MADA, dão uma dimensão do tamanho que o Baiana System se tornou.


Baiana System/Foto: MTV

Além de um grupo com um conceito artístico bem definido, que sob a direção de Felipe Cartaxo distribuiu as famosas máscaras para a plateia, o show traz uma forte mensagem política não só nas letras estruturadas em torno de temáticas sociais como nas intervenções do vocalista Russo Passapusso, que interagiu muito com o público citando Darcy Ribeiro e comandou a significativa coreografia de “Panela”. A banda, que veio a Natal pela primeira vez e claramente tem muito público por aqui, não deixou a desejar.





terça-feira, 26 de setembro de 2017

26 de setembro: dia de Marina Colasanti

A escritora faz 80 anos e um sem-número de histórias


Por Tiago Silveira


Marina Colasanti. Foto: Marina Manda Lembranças 



Assim foi nomeada la ragazza de olhar oliva que nasceu, em 26 de setembro, na ex-colônia italiana da Eritreia, nos cornos africanos, país banhado pelo exuberante Mar Vermelho-Sangue de mênstruo de azul tranquilo. Sempre itinerante, nossa Passageira em trânsito saiu de lá por volta dos dois anos e foi para a Líbia. Passou um período na Itália, mas, devido aos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, sua família veio para o Brasil, em 1948. 

“Quando, em conversas, digo que nasci na África, sei que o interlocutor me vê quase entre choupanas, elefantes ao longe, poeira erguida por um jipe, o Sol abrasador recortando a silhueta da savana. A África, para os brasileiros, é sempre um filme da África”, escreveu em Minha guerra alheia, memórias de sua primeira infância. 


Viveu durante seus primeiros anos a ganancia do imperialismo sórdido que culminou na Segunda Guerra, com Mussolini declarando guerra à França e ao Reio Unido na apinhada Piazza Venezia. E lembra: “Várias canções de guerra fizeram parte do nosso repertório infantil”. 


Aos dez anos, foi morar na castelosa casa do Parque Lage, no Rio. Essa construção esteve ligada às questões da Guerra, pois parte de sua família estava no Brasil e outra, em Roma. Morou nessa casa por pelo menos dois anos, junto a seu irmão Arduíno Colasanti, que foi então ator do Cinema Novo, “príncipe submarino”, como declarou o diretor Luiz Carlos Lacerda. 


Sobre seus primeiros tempos no Brasil, escreveu o livro de memórias Minha tia minha me contou, uma história de amor à sua tia-avó, a qual foi responsável por sua vinda a este país. Diva por biografia e personalidade, como diz Marina, Gabriella Besanzoni adorava cantar e percorria o mundo. 


Começou a estudar pintura muito cedo, por volta dos 15. Depois, Estudou Belas Artes, e começou a trabalhar com gravura em metal. Além de artista plástica, trabalhou em TV, revista, jornal, tradução, foi publicitária e ilustradora. Escritora de várias idades, dá preferência a textos curtos, como contos, crônicas, ensaios, poemas. Marina dedica-se também à produção de contos de fada, o que a diferencia dos escritores brasileiros e a faz uma das escritoras mais completas de nossa literatura. 


Com mais de cinquenta títulos publicados, Marina é escritora premiadíssima. Tem coleção de Jabutis e prêmios da Câmara Brasileira do Livro, do Concurso Latino americano de Cuentos para Niños, da Fundação Nacional do Livro Infantil, e é recentemente anunciada como vencedora da XIII edição do Prêmio Iberoamericano SM de Literatura Infantil e Juvenil. 


Apaixonada pelas palavras, escreve também sobre leitura, escrita e literatura, como os ensaios de Fragatas para terras distantes. Ela diz que sua atividade como escritora é consequência de suas leituras, e acredita ser impossível construir alunos leitores sem professores que não são leitores. Atribui o fato de o Brasil ser pouco leitor à pouca importância que damos à leitura como elemento de desenvolvimento, e portanto temos poucas bibliotecas e muitos analfabetos funcionais. 


A escritora diz que nunca pensou chegar aos oitenta, pois alguns parentes morreram muito cedo, e se acha sortuda chegar a essa idade. Para ela, morte – que trancou uma vez no armário em um conto – é um tema que se fala pouco, mas adora entrar por essa “porta escura”. “Eu conto meu tempo, hoje, de uma maneira diferente do que contava antes. Eu não desperdiço tempo nenhum. O tempo se tornou mais precioso do que sempre foi”. 




Menina do


Marina começou sua carreira jornalística no Caderno B do Jornal do Brasil, levada por Yllen Kerr e Millôr Fernades. Leitora atenta e com largo conhecimento de mundo, foi ser copidesque, a primeira daquele jornal, atividade hoje em desuso. O B ganhou repercussão nacional no segmento da cultura, sobretudo do Rio, nas palavras de Marina, espalhando o pólen carioca para todo País. 


Pauteira, lia muitas revistas estrangeiras, como americanas, francesas, italianas, para ver o que estava acontecendo no mundo e então transmitir para a pauta. “Nós não éramos pautados pelos divulgadores. Éramos pautados pela vida cultural não só do País, como de fora”, diz. O jornalista Alberto Dines era o então editor chefe. Criativo, estimulava a criatividade das meninas e meninos do B. Junto com Yllen Kerr na reportagem e Carlos Leonam na coluna social, criaram uma página de verão, com Marina responsável pelas ilustrações e crônicas. 




Marina na redação do Jornal do Brasil. Foto: Marina Manda Lembranças 




Vários textos de Marina não passaram pela censura prévia do período ditatorial. Às vezes, o jornalista Tite de Lemos segurava as crônicas por já saber que não ia passar. No entanto, É, onde lista coisas proibidas sem colocar a palavra “proibido”, apenas no fim, passou. 



"É" passou pela censura ditatorial. Foto: Marina Manda Lembranças


Trabalhar no Jornal do Brasil foi determinante para a carreira de escritora de Marina. Aliou os conhecimentos adquiridos no Jornal e aos adquiridos por meio de muita leitura e se fez jornalista e escritora. “Me fiz escritora no Jornal. Eu aprendi a escrever no jornal, para o jornal. Só depois passei a escrever para mim”. 




Eu sou uma mulher 
Eu sou uma mulherque sempre achou bonito menstruar.
Os homens vertem sangue por doença sangria ou por punhal cravado, rubra urgência a estancar trancar no escuro emaranhado das artérias.
Em nós o sangue aflora como fonte no côncavo do corpo olho-d'água escarlate encharcado cetim que escorre em fio.
Nosso sangue se dáde mão beijada se entrega ao tempo como chuva ou vento.
O sangue masculino tinge as armas e o mar empapa o chão dos campos de batalhar espinga nas bandeiras mancha a história.
O nosso vai colhido em brancos panos escorre sobre as coxas benze o leito manso sangrar sem grito que anuncia a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar. Pois há um sangue que corre para a Morte. E o nosso que se entrega para a Lua.



In: COLASANTI, Marina. Rota de colisão. Rio de Janeiro: Rocco, 1993 




Em um mundo misógino e averso ao feminino, nada melhor para começar a falar da mulher-escritora Marina Colasanti do que evocando imagens do feminino por meio de Eu sou uma mulher. Seria redundante usarmos o termo “mulher-escritora” se não fosse um posicionamento político, pois, historicamente, o mundo das letras foi exclusivamente masculino. 


Para podermos imergir nos textos e desvelar o que está por trás das palavras, é necessário contextualizar a obra, posicionando-a no meu momento histórico. Dessa forma, a literatura feminista de Marina é espelho da condição da mulher atual e também ato de transgressão, pois a cultura também é espaço de lutas sociais, como bem ilustra Virgínia Leal (2010): “ser uma escritora contemporânea é dialogar com a história da inserção das mulheres no campo literário, considerando-se a atuação dos movimentos feministas como força social”. 


Marina e Clarice Lispector no início
da década de 60. Foto: Marina Manda Lembranças

Marina interessou-se por questões de gênero muito cedo, profissionalmente com a escrita de ensaios jornalísticos sobre comportamento, em 1960. Suas primeiras obras em 1970 já apresentavam a temática da mulher, e, entre 1985 e 1989, foi membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. 

“É como se as estatísticas brasileiras de violência contra a mulher não nos cobrissem de vergonha. E se basta uma porta doméstica fechada para legitimar a violência, porque se veria inibida no aperto anônimo de um ônibus ou vagão?”, escreveu em crônica motivada por kit-defesa distribuído pelo Movimento Mulheres em Luta no metrô de São Paulo, para chamar atenção sobre o assédio e a violência machista que ocorre nesses espaços. 






Balada dos casais



Casada com o também escritor Affonso Romano de Sant'Anna, eles completam juntos oitenta anos este ano, uma vida de parceria. Como diz na dedicatória de Passageira em trânsito, partilham dupla viagem de vida e poesia. Estão juntos também no álbum Balada dos casais, do cantor, compositor e poeta mineiro Thelmo Lins, que reúne poemas musicados de Marina e Affonso. 


Marina continua sempre em trânsito viajando o Brasil e o mundo, participando de conferências, palestras e congressos sobre escrita, leitura e Literatura. Continua com seu olhar apurado sobre o mundo e escrevendo para jovens e adultos. Toda quinta, temos uma crônica de primeira em seu site




Marina e Affonso. Foto: Marina Manda Lembranças

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Hemonorte aposta em campanhas universitárias para aumentar doações de sangue

Iniciativas junto a instituições de ensino são parte dos esforços para manter estoque equilibrado para atender demandas transfusionais

Por Henrique Mendes e Tiago Silva

Imagem: Reprodução

A campanha Universitário Bom de Sangue, uma parceria do Hemonorte com o Diretório do Centro Acadêmico da Universidade Potiguar, ocorreu entre os dias 17 e 31 de agosto em todos os câmpus da instituição. Já o projeto Sangue Universitário, ocorre na Escola de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte nos dias 21 e 22 de setembro. Em ambas ações, o Hemonorte objetiva conscientizar a população da importância de fazer doações e manter os estoques do banco de sangue do estado em níveis equilibrados.

Os pré-requisitos básicos para doar, segundo o Ministério da Saúde, são: ter entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias de idade, sendo que a primeira doação deve ter sido feita antes dos 60 anos; ter peso igual ou superior a 50 Kg; estar alimentado, mas evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação. Caso seja após o almoço, aguardar duas horas; ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas. Se o doador tiver entre 16 e 18 anos incompletos, a doação só poderá ser realizada mediante consentimento dos pais ou responsáveis legais. É possível ainda que o hemocentro solicite a presença dos pais para a doação.

Everton Webber, estudante de Engenharia Civil e presidente do DCE/UNP, informa que as doações foram incentivadas por meio de campanha solidária entre os alunos, na qual a turma que mais arrecadasse doadores ganharia prêmios que envolvem desde ingressos para sessões de cinema até entradas em festas e eventos da cidade. Na página criada pelo DCE no Facebook para a campanha, os organizadores dizem que a Spotted Fest, um popular evento universitário semestral, se comprometeu a distribuir alguns prêmios de entrada vitalícia para ser sorteado pela sala vencedora. Everton informou que ainda está sendo feito o levantamento do volume de doações arrecadados com a campanha. 

Brasil precisa de mais doadores regulares

Os índices de sangue abaixo do esperado nos hemocentros brasileiros é um problema.  E a indisponibilidade do brasileiro em doar sangue sempre foi e continua sendo objeto de preocupação. O relatório Blood supply for transfusions in Latin American and Caribbean Countries, da Organização Pan-Americana para a Saúde (OPAS), divulgado em junho deste ano, fez um levantamento em que o Brasil, apesar de obter o maior volume de doações da América Latina em termos quantitativos, aparecia como um doador menor que Cuba e Colômbia em termos percentuais, sendo que apenas 1,8% da nossa população entre 18 e 69 anos era doadora regular de sangue. A ONU considera ideal uma taxa de doadores entre 3% e 5% da população.


Esse relatório também aponta que apenas 6 em cada 10 doadores brasileiros o fazem de livre e espontânea vontade, sem se preocupar a quem se destina o sangue. O restante é composto por doadores de reposição, aqueles que doam quando algum parente ou amigo necessita. Especialistas entrevistados por reportagem da BBC de Londres sobre o tema apontam que é preferível a doação voluntária, porque ela aumenta a qualidade do produto oferecido pelos hemocentros, uma vez que é possível monitorar melhor o sangue.

Em torno da doação de sangue no Brasil ocorrem, inclusive, polêmicas relacionadas a regulamentações que podem carecer de revisão, como o impedimento a homens gays “com vida sexual ativa” de doar. A norma já foi abolida em países da Europa e é considerada discriminatória por representantes do movimento LGBT.

Uma mudança no que concerne à consciência do brasileiro quanto à importância de doar se faz necessária nesse sentido e especialistas salientam a necessidade de a conscientização acorrer no âmbito educacional. E esse é um dos caminhos que o Hemocentro Dalton Cunha, banco de sangue do governo do RN, procura manter a estabilidade dos seus suprimentos. O Hemonorte possui até mesmo uma unidade móvel para colher doações em vários pontos, já que o centro conta com apenas duas unidades em Natal e uma em Mossoró. Everton Webber relata que nessa campanha feita junto ao DCE da UNP não foram usadas instalações da unidade móvel por questões de maior praticidade. “É uma agenda logística muito complicada para disponibilidade da unidade móvel, tem que ter espaço adequado e estacionamento privado, mas já houve uma ação assim, no campus Roberto Freire”.

Uma doação de sangue pode ajudar diretamente até quatro pessoas, sendo fundamental para transfusões em cirurgias de pessoas acidentadas gravemente e no tratamento de queimaduras violentas, bem como no tratamento de pessoas portadoras de leucemia, hemofilia e anemias. Para doar em Natal basta se atentar aos pré-requisitos de doação e se dirigir a uma das unidades do Hemonorte munido de documento oficial com foto: no posto Zona Sul, localizado na Avenida Almirante Alexandrino de Alencar, 1800, no Tirol; e no posto Zona Norte, localizado na Avenida Itapetinga, 1430, no Potengi.

A comunidade acadêmica e a população dos bairros no entorno da UFRN poderão realizar a boa-ação nesta quinta e sexta-feira durante o Projeto Sangue Universitário, na ECT, nos Auditórios D e E.





quinta-feira, 21 de setembro de 2017

XIII Semana de Turismo da UFRN e 20 Anos do Curso

Departamento celebra dia do profissional com evento sobre avanços e perspectivas na academia


Por Anna Vale e Germano Freitas

Fonte: Facebook/Universitur

Comemorado no dia 27 de setembro, o dia do turismo e do turismólogo é lembrado, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pela Semana de Turismo, promovida pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), em parceria com a Coordenação (Coortur) e o Departamento de Turismo (Detur) e a Empresa Júnior de Turismo (Universitur), que chega à sua décima terceira edição este ano com o tema “Avanços e Perspectivas dos Cursos de Turismo no Brasil”.
O tema, escolhido pelo corpo docente do curso, propõe a análise do ensino da área tanto no ambiente específico da UFRN, quanto nos âmbitos nacional e internacional. Sua escolha busca integrar a celebração dos 20 anos do curso de turismo na UFRN, permitindo observar a evolução da graduação e pós-graduação de uma área relativamente nova. “Como o curso de turismo da UFRN é um dos mais sólidos e destacados em todo o Brasil, achamos interessante que essa discussão acontecesse aqui conosco”, opina o coordenador do curso, Michel Vieira.
A programação foi montada de forma que melhor representasse a discussão da evolução dos cursos de turismo no Brasil, trazendo como primeira conferencista a Dra. Mirian Rejowski, professora da Universidade de São Paulo (USP), cujo objeto de pesquisa é justamente o ensino e pesquisa do turismo no país; o segundo conferencista, John Tribe da Universidade de Surrey e colaborador do Programa de Pós-Graduação em Turismo da UFRN, traz uma visão internacional, principalmente européia, do ensino do turismo, fazendo uma ponte com a realidade brasileira da área.
Os demais convidados que compõem a programação foram escolhidos de forma a complementar a ideia de evolução, estando entre eles egressos do curso e um professor do Instituto Metrópole Digital, abordando questões como a inserção e perfil do profissional no mercado hoteleiro; o alinhamento entre universidade e mercado; e desenvolvimentos de destinos turísticos. Além das seis conferências principais, a Semana de Turismo oferece minicursos, mesas redondas e oficinas, além de apresentações de trabalhos acadêmicos divididos em dois grupos: “gestão de turismo” e “planejamento e organização do turismo”. A programação completa está disponível no link do projeto de extensão.
A organização do evento se dá por meio de uma parceria entre a coordenação do curso e a Empresa Júnior, a Universitur. Uma das empresas juniores mais antigas da UFRN, foi da Universitur que, em 2010, partiu a iniciativa de retomar com regularidade a Semana de Turismo que, até então, havia sido realizada de forma esporádica. “Foram eles que abraçaram o evento e, aos poucos, o curso e a coordenação foram se envolvendo”, relata Leilianne Barreto, chefe do departamento de Turismo e professora-tutora da empresa. Desde então, sua participação na organização do evento se tornou tradição, de modo a seus participantes estarem envolvidos em todo o processo: desde as primeiras reuniões de discussão do tema à submissão da Semana como projeto de extensão, além de serem responsáveis por toda a parte operacional do evento. A única área da qual ficam de fora, por serem alunos, é a científica que fica a cargo do corpo discente do curso, explica o coordenador do curso.

Edição passada da Semana de Turismo (Fonte: Reprodução/SIGAA)

José Matheus Silva, 19 anos, responsável pela organização do evento dentro da Universitur, clarifica que, apesar da empresa se especializar em eventos acadêmicos, a Semana de Turismo difere dos projetos usualmente realizados por eles no ponto de vista estratégico, uma vez que não está nas mãos da empresa, e sim dos professores. “Essa é a diferença, lidamos muito mais com o estratégico, nos nossos eventos, do que só com o operacional, como é o caso da Semana de Turismo”.
É a empresa que busca patrocínios e parcerias para o evento; faz a seleção e distribuição de material para os participantes; lida com a logística de espaço e decoração para o coffee break e administra as inscrições, tanto na Semana, quanto no pós-evento – sendo que, por ser o realizador do último, recebe também os pagamentos para o mesmo. Nos dias do evento, os vinte membros da Universitur atuam ainda como monitores, gerenciando listas de presença e credenciamento, além de realizarem toda a assessoria da recepção e cerimonial do evento.
A viabilização de serviços, trabalhos e ações operacionais por parte da Universitur, em uma espécie de terceirização, facilita a coordenação da parte científica/estratégica do evento, uma vez que a equipe já tem o know-how necessário e trabalha na área de organização de eventos.
Apesar da atuação de alunos na organização da Semana ser limitada aos integrantes da empresa júnior, outros alunos têm a possibilidade de participar como ouvintes do evento; submeter trabalhos para apresentação ou inscreverem-se para participar de minicursos e oficinas. Professores também participam de forma ativa, mediando mesas redondas; avaliando trabalhos enviados; coordenando grupos de trabalho; ministrando minicursos ou oficinas.
O evento é direcionado à comunidade acadêmica do curso de turismo, mas a programação tende a atrair também, uma pequena demanda de outras instituições. A expectativa para esse, explica Leilianne, é de 130 pessoas; uma baixa das 150 pessoas que compareceram no ano anterior, apenas “em função do espaço físico que nós temos a nossa disposição”.
Aluno do quarto período do curso, José Matheus participou da última Semana de Turismo como aluno, sem envolvimento na organização, e aponta a importância do evento para movimentar o Departamento de Turismo, estimulando participação e interatividade entre alunos e professores. Exemplifica ainda, seu papel em apresentar ao aluno as várias possibilidades de carreira a serem exercidas pelo turismólogo: “para muitas pessoas pode ser um divisor de águas, porque é uma área que é muito ampla. [A semana] é essencial para somar conhecimento”.

20 anos do curso de Turismo na UFRN

Idealizado em 1996, com a expansão do mercado turístico brasileiro do Sudeste para o Nordeste e subsequente febre de cursos na região, o curso de Turismo da UFRN, vinculado ao Departamento de Administração, teve sua primeira turma em 1997, contando inicialmente com apenas 30 vagas e professores “emprestados” de outros departamentos. Em 1999, foi criada a Universitur, uma das primeiras empresas juniores da UFRN, “fundamental para proporcionar a prática da atividade para os alunos” dada a característica teórica das aulas ministradas, justifica Leilianne Barreto.
Por volta de 2004, o curso passou a ter maior importância dentro do departamento, conquistando maior espaço e com isso, maior volume de concursos específicos para a área, tendo especialistas assumirem disciplinas anteriormente ministradas por professores “emprestados”.
Criado em 2007, o Programa de Pós-Graduação em Turismo (PPGTur) da UFRN foi o primeiro da área na rede pública do país, que hoje conta com os cursos de Mestrado e Doutorado. “Em 2014, nós criamos o Doutorado, sendo mais uma vez pioneiros com o primeiro Doutorado público em Turismo do Brasil, e formamos o primeiro Doutor que fui eu”, declara Michel Vieira, formado no último mês de março.
Em 2010, houve a desvinculação do curso do Departamento de Administração, e criação de um Departamento de Turismo. “Foi uma vitória muito grande, porque para expandir, para crescer e nos consolidarmos, precisávamos do nosso próprio departamento”, adiciona Michel.
Tanto a chefe do Departamento de Turismo, quanto o atual coordenador do curso são egressos da UFRN. Graduada em 2005, Leilianne Barreto, que acompanhou os últimos quinze anos do curso, primeiro como aluna, e os últimos sete como professora, expressa satisfação e otimismo com a evolução e o vigor do curso. “Ainda tem muita coisa para avançar, muitos caminhos a serem trilhados, muita coisa para crescer e melhorar, mas é satisfatório perceber que o curso não está estável, não está no comodismo da linearidade. Percebe-se que ano a ano, a situação está melhorando.”
Michel Vieira, graduado em 2003, expressa felicidade em relação ao progresso alcançado pelo curso, comparado com a sua época, destacando as dificuldades de ordem estrutural de um curso que ainda se encontrava em processo de formação. “Ao olhar para aquela época e para agora, é uma evolução muito grande”, afirma.
O coordenador é o responsável por um documentário sobre a trajetória do curso e as perspectivas para o futuro, a ser exibido no primeiro dia da Semana de Turismo, para comemorar a data importante. Foram cerca de seis horas de entrevistas coletadas entre ex-gestores, servidores e egressos, com o objetivo de entender como era o curso, o que pensam sobre ele e como foram suas experiências, além dos seus marcos históricos. “Fomos muito honestos em tentar buscar as pessoas que tenham uma contribuição histórica para o curso e convidamos todos os professores atuais a falar”, confessa Michel.

Day Use - Pós-evento é realizado pela empresa júnior do curso, Universitur (Fonte: Facebook/Universitur

As inscrições para a XIII Semana de Turismo devem ser feitas através da plataforma SIGAA, na aba “Extensão”, ao selecionar a opção “Eventos”. Para efetivar a inscrição, deve ser paga a taxa de 25 reais até o dia 22 de setembro, o valor sendo modificado para 35 reais a partir do dia 23. O evento ocorre de 27 de setembro (dia do turismo e do turismólogo) à 29 no Auditório do Centro de Educação, ocorrendo um pós-evento no Hotel Vale do Mar. Aqueles que desejam participar da tarde de lazer, oferecida pela Universitur, devem pagar o valor adicional de 20 reais, direto com a empresa júnior, havendo a opção “casadinha” de 40 reais pelo pacote científico mais a tarde de lazer.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Álbuns póstumos: o som que se eterniza

A música é uma das provas que a morte não é o fim para os grandes artistas


Por Luiz Gustavo Ribeiro e Vinícius Veloso

capa da matéria- divulgação do álbum "Scream" de Michael Jackson, via twitter

Culturalmente é comum que os grandes artistas continuem faturando muito dinheiro com novas obras e remakes após a morte. No final de setembro, Scream o terceiro álbum póstumo de Michael Jackson, chegará aos serviços de streaming. Desse modo surge o questionamento, você já se perguntou  de onde vem essas músicas ou qual é a fórmula desse sucesso?

foto de Chester Bennington, ex-vocalista do linkin park 

Em julho de 2017, o mundo da música recebeu a triste notícia do suicídio de Chester Bennington, líder e vocalista da banda Linkin Park. O disco One More Light, lançado em maio pelo grupo, subiu suas em vendas em cerca de 461%, alcançando marcas importantes das paradas de álbuns como o 17º lugar da Billboard 200, logo após uma semana da tragédia. Esse fenômeno de faturamento está relacionado com a psicologia e devoção dos fãs, além da cobertura midiática e propagandística aliada ao repertório musical, que continua sendo ouvido mundo afora. A arrecadação por parte das celebridades falecidas, chega a alcançar a casa dos milhões de dólares.

Anualmente a Forbes, renomada revista norte-americana, faz um balanço das personalidades que mais lucraram após a morte. Em 2016, entre os doze primeiros estão seis músicos, são eles: Michael Jackson - R$ 2,7 bilhões (1), Elvis Presley - R$ 87,8 milhões (4), Prince - R$ 81,3 milhões (5), Bob Marley - R$ 68,3 milhões (6), John Lennon - R$ 39 milhões (8) e David Bowie - R$ 34,1 milhões (11).

capa do disco póstumo "Sabotage" do rapper Sabotage

Esse rentável sucesso, na maioria das vezes, é proveniente de álbuns póstumos. Casos como Jimi Hendrix que com apenas três álbuns lançados durante sua vida, deixou muito material gravado e desde sua morte já foram lançados 12 álbuns póstumos. Também é o caso do renomado rapper Tupac, que havia lançado 5 álbuns até ser assassinado, após sua morte mais 5 discos foram lançados, o que gerou a polêmica de que ele teria fingido a própria morte. Outros grandes artistas deixara material bruto gravado, nomes como: Amy Winehouse, John Lennon, Freddie Mercury (Queen), Bob Marley e Kurt Cobain (Nirvana).

No Brasil, esse fenômeno não é diferente. O rapper Sabotage, que foi assassinado em 2003, na zona sul de São Paulo, devido a uma vingança relacionada à disputa de tráfico de drogas, deixou arquivos que foram lançados em um álbum póstumo em 2016, cujo nome é Sabotage. Na época da sua morte, ele vivia o auge da carreira, e já tinha lançado o disco Rap é compromisso (2000). Treze anos depois, Daniel Ganjaman, produtor musical, estava com as músicas gravadas pelo cantor, do período de 2001 à 2003. O produtor trabalhou com afinco para homenagear o rapper, e contou com a participação de músicos, amigos e produtores como Negra Li, BNegão, Tejo Damasceno, DJ Cia, Quincas Moreira, Céu, Tropkillaz, Rappin Hood e entre outros artistas. O disco conta com 11 faixas inéditas do cantor, e está disponível em serviços de streaming para os fãs de Sabotage. “Sabota” contribuiu muito para a cultura do rap e hip-hop nacional, e é tido como um dos maiores ícones do gênero no país.

foto de Renato Russo


Dentro desse contexto, em 2003, a gravadora EMI, lançou o álbum póstumo Presente, de Renato Russo, em que o jornalista Marcelo Froés, teve permissão dos familiares de Renato, para vasculhar os arquivos pessoais do cantor, sete anos após sua morte. O disco contém 13 faixas, além de trechos de entrevistas com Renato Russo, e músicas com participações de outros cantores e compositores, como Flávio Venturini e Leila Pinheiro. O nome do álbum, foi parte de uma homenagem em referência à data de aniversário de nascimento do cantor.

Já em 2014, Matt Forger que foi engenheiro de música de Michael Jackson afirmou que o cantor costumava gravar mais músicas do que o necessário para os seus discos. Então após o sucesso de Michael (2010) e Xscape (2014), foi revelado que o rei do pop teria material suficiente para lançar cerca de mais 8 álbuns póstumos, sem contar com o que poderá ser encontrado ao longo dos anos.

Portanto, o mundo conhecerá Scream o terceiro álbum póstumo de Michael Jackson - que tem o mesmo nome do single que o cantor fez com sua irmã Janet Jackson em 1995. O álbum será basicamente uma junção de grandes sucessos, contando com 13 faixas e chegará aos serviços de streaming no dia 29 de setembro, enquanto suas versões físicas em CD e LP, serão lançadas em 27 de outubro.